borboletras

Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

Cancioneiros da liberdade!

Breve homenagem ao grupo musical " Cancioneiros do IPUB " (Instituto de Psiquiatria da UFRJ)


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https://www.youtube.com/watch?v=anuCoc0M-vc

O trabalho em saúde mental é como a musica: nos toca, nos provoca e nos muda. Podemos conceituar este trabalho no plano social, familiar e individual. No primeiro caso um trabalhador recebe seu salario em troca de oferta de cuidado a pessoas acometidas de transtornos mentais diversos, e se ve constantemente desafiado a ampliar seu universo, ja no segundo caso se convive com parentes, companheiros, pais e/ou filhos que enfrentam constantes barreiras advindas do estigma da loucura e do ideário de periculosidade constante na sociedade a partir de um diagnostico psiquiátrico ou neurológico e se tenta colaborar com a qualidade de vida de quem se ama, e no terceiro caso /momento /movimento também necessário a reflexão e trabalho, se da na gestão dos próprios conflitos internos, traumas, tumultos, desejos, impulsos... A musica pode ser vista como alternativa de tratamento, se agregando ao trabalho em todos esses conceitos. Neste sentido nada mais invasivo que o uso excessivo de psicotrópicos e /ou o isolamento de sujeitos, e nada mais terapêutico do que a ampliação de seus espaços de diálogos, sociabilidade e convívio. Com isso, a musica pode ser o melhor caminho para se perceber o quanto não estamos nesse mundo sozinho. As seguir se apresenta uma forma de ressignificação da doença pelo reconhecimento das possibilidades e potencialidades de transformação do lugar de incapacidade para o da habilidade, felicidade e liberdade através de uma musica. Proponho a analise destes trechos da letra de "Sintomas" de Miguel Dantas e Orlando Baptista interpretada de forma belíssima pelo grupo Cancioneiro do IPUB (Instituto de Psiquiatria da UFRJ) https://www.youtube.com/watch?v=DMPHb-t0YFU

(...) "Eu olho ou escuto alguém falar, de alguém a me olhar. Eu penso que é pra mim, eu penso que e de mim (...) nao sou eu quem eu vejo no espelho. Eu penso que é pra mim, eu penso que e de mim (...)

A proposta/ aposta deste pequeno texto é de que algumas pessoas vão ler pensando encontrar discursos delirantes e um possível diagnostico de um psicótico, mas poucos terão a sensibilidade de olhar / observar o sofrimento destes sintomas, traduzidos em palavras. O sucesso deste grupo, de mais de duas décadas, consiste em cantar com diversão e liberdade de expressão, pela construção / produção de um novo modo de vida, mais descontraído e menos apreensivo. Que todo grito, por justiça ou desespero, em manicômios, hospitais, presídios e no seu próprio intimo se expresse em audácia, arte e afino. Parabéns cancioneiros do IPUB por sua relevante historia!


Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias! Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante.
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