brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

10 aprendizados mochileiros

Viajar é trocar a roupa da alma, já dizia o poeta. Mochilar é uma paixão pra quem gosta de carregar um mundinho nas costas, gastando menos e permitindo-se entrar em furadas que serão lembranças fantásticas.


DSC_7740.jpgFoto: da própria autora

Viajar é daqueles presentes que vez ou outra devemos nos dar! Vale a pena economizar cada centavinho, tirar algumas futilidades da sua vida para encarar uma estrada com a mochila nas costas. Vale a pena tanto para olhar pra si, como para aprender com o mundo ao seu redor. É daquelas experiências que até os perrengues geram boas histórias pra contar.

1 - Conhecer outras culturas faz você se encontrar melhor na sua, valorizar mais aquele lugar que te ampara desde que você nasceu. Seja sua pátria, sua família, seus amigos, seu amor, estar longe traz uma nova e mais ampla perspectiva, abre seus olhos. É como se você pudesse “ver de fora” sua vida e dar um novo sentido a ela. Tudo fica mais claro.

2 - É importante ter um roteiro? Sim, mas não fique preso a ele. Tenha uma ideia de onde quer ficar, por quanto tempo, mas permita que este sofra mudanças de acordo com o desenvolvimento da viagem. Em alguns lugares você poderá ficar mais e outros (financeiramente) terá de diminuir o tempo de estadia. De qualquer forma, tudo será maravilhoso, não há dúvidas.

3 - As diferenças culturais existem, mas gente linda você encontra em qualquer parte do mundo. Na Europa, por exemplo, há mais pessoas atenciosas do que parece. Realmente prestam atenção em você, abrem a casa, o coração, dão moeda na rua se percebem que você não está conseguindo trocar uma nota de 5 euros por moedas pra comprar algo naquelas máquinas de tudo (comida, água, refri). Esse é o diferencial de conhecer o mundo de perto e pela televisão: você percebe que tem mais gente disposta a distribuir amor do que aparece nos noticiários.

4 - Ir ao Coliseu, à Torre Eiffel, ao Big Bem, esquiar na Cordilheira, ver um show de tango, muitas outras coisas são bacana e farão parte do seu roteiro. Mas lembre-se: é legal conhecer muito mais. Conheça as pessoas, entenda um pouco delas ao conhecer sua cultura. Ouvir é um exercício essencial numa viagem. Se permitir entrar no mundo de outras pessoas e enxergar seu cotidiano, perceber que bem lá no fundo, nossas diferenças não são tão grandes assim.

DSC_8849.jpgFoto:da própria autora

5 - Busque aprender alguma palavrinha da língua oficial do país (porque aprender os dialetos fica um pouco mais complicado). Seja um “bom dia”, um “obrigado” os moradores locais ficam felizes ao ver seu esforço em falar a língua deles e serão até mais simpáticos.

6 – Na hora da economia, compre sua comida no mercado, mesmo que você não seja um chef de cuisine, fará você recorrer menos ao fast food. Uma das qualidades de um mochileiro deve ser “se virar com o que tem”.

7 - Aprenda com o mochileiro europeu: você não precisa de muita vaidade durante a viagem. Você precisa de conforto. Ah, leve a menor quantidade de roupa possível, porque depois de alguns meses qualquer peso se transforma em um monstro nas suas costas. E use uma roupa até não agüentar mais, pois lavanderia não é lá a coisa mais barata do mundo e não é sempre que você poderá perder seu precioso tempo nela.

DSC_6609.JPGFoto: da própria autora

8 - Permita-se quebrar tabus. Franceses vão falar com você em inglês quando você estiver perdido. Italianos falam com a mão, “brigam” pra te dar a direção certa e até levam você aonde você quer chegar: não se assuste pelo “falatório”, eles são uns amores! Pelo menos no verão, os ingleses param sim para te dar informação (e ainda te colocam no ônibus!). O povo irlandês é super receptivo, principalmente ao te ver focada no mapa e sem sair do lugar. Os latinos vão querer conversar sobre o que conhecem do seu país e puxar umas palavras em português. O importante é não ir armado, as pessoas estão além de nossas ideias pré concebidas.

9 - Ande de trem, de ônibus, a pé, de todas as formas que forem te dar melhor acesso ao país/estado/cidade onde está chegando. É uma forma muito bacana de conhecer outras belezas ao longo do caminho, conhecer pessoas comuns que estão indo estudar em outro lugar, ou qualquer outra coisa. Mesmo que rápido, ver essas lugares bonitos e pensar “na próxima viagem, desço por aqui.”

10 - Aprenda a fotografar. Não em questões de técnicas (o que também pode ser bom pra se ter lembranças ainda mais bonitas). Não perca tempo fotografando tudo e vivendo pouco a viagem. As memórias fotográficas são muito importantes, mas o que você está vendo e vivendo, ninguém vai te trazer de volta. Aproveite pra ver o mundo com as lentes e mais ainda sem elas. Fuja da síndrome do oriental e fotografe o suficiente, sem exageros.

Esses são alguns dos muitos aprendizados que a estrada pode nos dar. Que não faltem oportunidades de viagens, de conhecimento, de histórias para viver e contar.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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