brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

A fragilidade do agora

Dentro de você vai permanentemente haver
Uma dança do medo com a esperança
Entre o que virá
E o tudo que não volta mais
O agora está acontecendo

(O Agora - Tó Brandileone/Vinicius Calderoni)


DSC_8462PB.jpg Foto:Ellen Pederçane

O tempo é nosso amigo e maior inimigo. Tó Brandileone e Vinicius Calderoni com uma sensibilidade incrível musicaram esse dilema da vida com “O Agora” que está no (maravilhoso) álbum “Eu sou Outro” de Tó e Zé Luis Nascimento. Antes de começar a ler, pegue esse link aqui (https://www.youtube.com/watch?v=SA4G0Owt9E4) e escute a música enquanto lê, pode ser no repeat.

A música deixa aquela pulga atrás da orelha, nos convida a pensar sobre como lidamos com o hoje. O quanto realmente estamos no hoje, o quanto sofremos pelo que já foi ou pelo que ainda não chegou. A mente como um pêndulo balança pelos extremos. Lá estamos e não cá. Nossa relação com o tempo é curiosa: ele é culpa e é salvação. Sim, sabemos que nem sempre o presente será dos momentos mais fáceis, mas estar aqui e agora pode tornar mais leve a passagem de dias menos ensolarados.

O tal do agora é essa inquietação que nós tanto esquecemos de viver, oscilamos entre as lembranças e os anseios, enquanto o agora acontece. Um segundo já foi e nem percebemos, o próximo já chega e ansiedade para saber dele faz com que o percamos de alguma forma. Ele veio, ele já foi. O momento, esse agora, o presente, o aqui. Fomos criados para pensar no futuro e para não resolver o passado, como se o medo do que não foi bom nos garantisse não repetir os erros. E passamos boa parte do nosso agora planejando o que deve vir, tentando não viver como já vivemos antes.

É uma confusão que criamos por não estarmos presentes. Por não estar aqui. Ansiedade, conflitos, emoções transbordando... mas por que? A cabeça (e quase o corpo) está mais para lá. Lembre-se de cada momento que viveu plenamente, totalmente presente, qual foi sua sensação? Leveza, riso, certeza, comprometimento, AUSÊNCIA de medo, fluidez e tantas outras coisas boas. É um aprendizado árduo manter-se aqui. É uma meditação constante viver o agora, é uma poesia desfrutar dos momentos enquanto vivemos, e essa vida/mestre vai passando, na dança seguimos, como diz a música na dança do medo com a esperança.

O agora é um eterno encontro. Encontro consigo, encontro com outros, encontros que mudam tudo, encontros que passam, encontros que acrescentam, encontro com sonhos, encontros de novos desejos...é troca, é a singeleza do ir e vir. E é tudo hoje, é tudo em um piscar de olhos, no estalar dos dedos, é tudo uma vez só.

Que seja uma oração diária lembrar que temos o hoje, que os planos nos cabem sim, mas que eles não sejam uma distração. Ouvi em uma palestra de Sri Sri Ravi Shakar (líder humanitário, fundador da Arte de Viver) uma linda frase e belíssimo tapa na cara: a vida é o que acontece enquanto estamos planejando. Então, vivamos o agora, dançando com suas delícias e suas mazelas, afinal ele é tudo que temos. Obrigada, meninos, por poetizarem nossos ouvidos com simples verdades.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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