brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Quando o amor não vem

O amor não tem hora marcada pra chegar, todos sabemos. Pra uns ele chega cedo, pra outros demora mais e tantos de nós no fundo ansiamos por sua chegada. E o que fazer ao esperá-lo? O que não falta é vida pra viver...


17810595723_83ac2c8544_k.jpg Foto: Ellen Pederçane

É, às vezes ele não chega como ou quando esperamos. Não há receita nem hora marcada. Não importa quantas vezes olhamos para o relógio, ele não vai chegar. E sabe-se lá porque, ficamos sem chão. Não fazemos um amigo por dia, mas a espera de um amor não é mole não. E como a lei de Murphy não falha, quanto mais demora, mais queremos. Sonhamos. Criamos história. Revisitamos os amores passados buscando responder a célebre perguntinha: “onde foi que eu errei?” Não importa, na verdade. O martírio é uma pimentinha no prato da espera.

E por que ele não vem? É mais fácil ganhar na loteria do que responder essa pergunta, companheiro. Às vezes precisamos nutrir um amor maior por nós mesmos. Às vezes precisamos rodar mais o mundo e esbarrar nele em outro lugar. Às vezes precisamos amadurecer. Às vezes precisamos aprender. Às vezes precisamos pular pedras no caminho, às vezes precisamos de um encontro mais nosso. Não se sabe ao certo, mas Lenine já canta “o mundo espera de nós um pouco mais de paciência.” E a chave é aprender a ter a tal da paciência.

O tempo é um mistério dos mais danados. E só nos resta aproveitar o que ele nos proporciona, enquanto o amor não vem. Certamente, o mais clichê que seja, tudo tem sua hora. Tem hora de chover, de fazer sol. Tem hora de brincar, tem hora de saber o que dizer, tem hora de calar. Então, o que se pode fazer enquanto ele não vem?

Vista seu melhor sorriso, menina. É esse mesmo que vem do coração e transborda pelos olhos. Dê sua melhor gargalhada, menino. É, essa mesma que te deixa encantador. Sonhe os melhores sonhos. Regue as melhores sementes que plantou. Cuide do papai e da mamãe ou qualquer pessoa que seja mais próxima de você. Viva com seus amigos suas melhores histórias, tanto aquela viagem inesquecível quanto aquela fila de show gratuito na chuva. Viaje sozinho. Ouse. Cante. Dance. Não há amanhã. Viva e morra para histórias que vem e vão. E no mais, tenha um coração cheio de gratidão, ele não vive sem amor. Se revisite. Se vista do seu melhor eu. Descubra a sua melhor roupagem. Reconheça quem são seus melhores amigos, reverencie-os. Se dispa dos rótulos que lhe deram pelo caminho. Acredite naqueles que te amam. Jogue fora as lembranças que lhe fazem mal. Não se recorde histórias que devem viver naquele cantinho do esquecimento. Celebre tanto quem chega em sua vida, quanto quem vai. Guarde quem foi cedo demais (sem escolher) e transforme amor em linhas de história. Gargalhe até a barriga doer. Então, me diga, o que é que você espera mesmo?

O amor sempre vem. De todas as formas. Espera, confiando. Espere, mas não se atente. Espere, mas viva. Fique distraído. O amor é surpresa vagarosa, é um susto em forma de prosa. Seja paciente e vai viver! Vai sorrir! Vai sonhar! Que o amor chega, quando ele habita em sua melhor forma dentro de nós. Meu bem, sorria enquanto ele não vem.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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