brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

A vida e seus (re)começos

Ciclos completos. Ciclos se repetindo. Ciclos chegando ao fim. E a todo tempo nos reinventamos enquanto a vida corre. Como dizem, o rio nunca é mais o mesmo que foi um minuto atrás. Assim também somos nós, eterna mudança.


DSC_1579.JPG Foto: da autora

Um novo brotar. Renascer. Ressignificar. Quantas vezes a vida pede para que o nosso olhar mude, para que o nosso olhar foque no essencial: aquilo que vem de dentro. Parece que ao longo do caminho a gente vai se deixando de lado. Esquecemos que só cuida do outro quem cuida de si. Esquecemos que só pode dar amor que alimenta diariamente o amor que tem por si. Esquecemos nossa força, protelamos em histórias sem futuro por falta de foco, esse mesmo em nós. Não viramos a página em paz e são tantas as vezes que poderíamos apenas seguir. Pegamos-nos perdidos na constante inconstância da vida. Por que relutamos tanto perante o novo?

Cada dia é um novo dia, uma nova experiência, tem que significado único. Mas nós costumamos apagar essa adrenalina do novo e tratamos os dias como miseráveis sequências. Quando estamos infelizes, então! Parece que não há saída, não há luz no fim do túnel nesses ciclos onde nos perdemos e nada nos tira de lá. Não ressignificamos a vida. Não olhamos para o dia como uma nova oportunidade. Esperamos que um milagre divino nos tire da lama ao mesmo tempo em que nos afundamos mais e mais nela. Todo dia deveria ter aquela esperança fervorosa que borbulha nas vésperas de um aniversário ou de um réveillon.

Nos distraímos com tudo. Se não temos como meta o cuidado de si mesmo, podemos nos deixar escapar. Um namoro, um trabalho, saúde, problemas familiares, são tantas possibilidades de nos tirar do centro. São tantas as possibilidades de nos deixar envolver. E assim ficamos presos, ficamos perdidos, perdemos nosso valor perante as tribulações. Chega um dado momento que ressignificar é a única saída. Descobrimos que nascer e morrer são ações diárias. Todo dia nascemos para um zilhão de coisas. A cada dia morremos outro tanto de coisas.

E essa dinâmica da vida quando compreendida, só nos impulsiona. Esse olhar mais leve é o que nos tira do fundo de qualquer poço. Sim, às vezes é preciso ir lá, mas assim também chega a hora de não mais voltar. Chega a hora de descobrir que a vida pode ser mais simples. Chega a hora de reaprender a virar cada página e comemorar cada capítulo.

Somos uma sementinha que jamais cansa de brotar. E quando nossas raízes encontram terras boas para seu alimento, florescer e dar frutos é inevitável. Renascer é nossa escolha. Renascer é aprender com cada marca da alma sem precisar caminhar com a ferida aberta. Renascer é o compromisso do olhar pra dentro sempre, até quando a gente está seguro que nada irá abalar nossas estruturas. Renascer é manter acesa a chama da fé em si, a chama do amor por si.

E porque será que relutamos? Talvez seja o medo nos cegando. Talvez seja o descaso nos dominando. Talvez seja a gente sendo pequeno por não conhecer o tamanho de nosso potencial. Somos grandes, quando queremos. Somo grandes, quando amamos. Somos grandes quando aceitamos que a vida sempre será imprevisível e que esse é o real charme dela. Somos grandes quando nos permitimos renascer, nos permitimos transbordar de amor. A vida é um eterno recomeço, do primeiro ao último dia.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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