brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

(Auto) Sabotagem

Sabotar-se é um caminho perigoso. E infelizmente o que ele tem de arriscado, ele tem de comum. Muitos de nós entra num ciclo sem fim de autossabotagem. Viramos reféns do pior inimigo que criamos: nós mesmos.


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Em meio a tantos acontecimentos inesperados (ou esperados) que nos ocorrem ao longo da vida, ainda precisamos lidar com nosso pequeno tirano: aquele que nos leva a autossabotagem. Seja ego, esse tirano, ou qualquer outro nome que queiramos dar a essa pequena grande parte da mente que parece ter o poder de nos parar, nos travar e por tantas vezes retardar tantos aprendizados da vida. Nos sabotamos em diferentes áreas da vida e em alguns momentos conseguimos sabotar todas.

A autossabotagem tem certa proximidade com a distância que existe entre nós e o autoconhecimento. Pouco sabemos de nós, em diversos momentos fugimos mesmo desse tal conhecimento de si, afinal quanto mais nos conhecemos menos nos sabotaremos. Nos posicionamos como vítimas do universo, nada fazemos para mudar os momentos que tanto nos incomodam. Não percebemos que as enrascadas no caminho são criadas por nós mesmos. Uma escolha um pouco torta, sim, mas o comodismo é um gerador de péssimas decisões.

Essa distância da nossa própria essência nos faz reféns de nós mesmos. A saída para diversos problemas não é encontrada e assim criamos bolas de neve enormes em situações fáceis de contornar. Entramos naqueles ciclos infindáveis de experiências ruins, um deserto amplo e sem fim. Nada parece certo. Os relacionamentos fracassam, o trabalho é maçante e até nossos amigos/familiares nos incomodam. Tudo está aquém do que gostaríamos. E ali ficamos parados enquanto o mundo segue seu curso. A vida parece mais aquele filme (anos 80) “O Feitiço do Tempo” e os dias são tão similares que são praticamente iguais, um ciclo sem fim.

Perdemos oportunidades. Procuramos defeitos nos relacionamentos que podem ser melhores do que esperamos. Brigamos com o espelho sem precedentes de fazer as pazes. Fechamos os olhos e os ouvidos para quem minimamente busca nos fazer ver que a estrada é um pouco menos poeirenta do que a enxergamos. Nada satisfaz. Tudo desmorona por nada. Começamos, inclusive, a afastar pessoas de nós, pois começamos de fato a não ser das melhores companhias. O que fazer quando nosso nível de cegueira atinge níveis altos? A resposta é sempre voltar-se para si, a solução mais clara para tudo. É clichê para alguns e única resposta possível de qualquer forma. Alguns tomam esse caminho por são escolha. Alguns acordam após uma série de rasteiras.

A solução para não virar refém de si mesmo e dos ciclos da vida é confiar que podemos chutar para longe do caminho as pedras que tanto nos assombram. É preciso tomar a rédea da vida para ela não nos domar o caminho. Conhecer bem aquilo que está além do que podemos ver no espelho é o que nos faz não dar ouvidos para nosso tirano sabotador. E não, ele não vem de fora. Ele está aí dividindo espaço com o que temos de melhor. Ele está ali tornando nossa vida um plano de ideias ao invés de uma sucessão de ações.

Toda vez que nossa vida se torna um espaço de mais reclamações do que prazeres, é hora de revisitar nosso papel de protagonistas da própria história. Por infindáveis e incontáveis motivos, distorcemos nossa ação na vida e entregamos a outrem nossa estrada. Literalmente, entregamos para o destino. Entregamos para nos eximir das culpas pelos tropeços. Sem ação a vida para e se torna uma ideia que criamos dela. Ideias nascem e morrem em nós. Ideias sem a verdade da ação são apenas ideias. E no mundo ideal sempre esperamos que as respostas venham de fora, quando elas residem dentro. E assim o ciclo do tirano sabotador continua e nós ficamos reféns de nós mesmos.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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