brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Espera silenciosa

O silêncio é um grande amigo das horas de espera. Aquele momento que você está no rumo certo do caminho escolhido. Entre as esperanças e aventuras do dia-a-dia, guardar em silêncio sonhos e vontades parece a mais sensata das escolhas. Barulho demais pode deturpar o sentido daquilo que tanto almejamos.


DSC_2449.JPG Foto: Ellen Pederçane

Alguns dias aguardamos ansiosos a chegada de algo especial. Sim, algumas esperas nascem, gritam e se escondem, mas não saem do coração. Às vezes esquecemos os sonhos que temos ao caminhar. A estrada pode ser um tanto intensa, nos distraímos e por breves momentos deixamos de lado alguns sonhos. Sonhos de viagem, sonhos profissionais, sonhos pessoais.

Paramos de almejar pela pressa dos dias. Não que tenhamos de viver menos o momento presente, só não podemos esquecer onde queremos ir, que somos feitos de desejos e não há mal em saber que direção se quer seguir. A espera é silenciosa. Sonhos nos movem e nos inspiram a seguir dia após dia. Sonhos que abrem caminhos. Sonhos nos lembram de nossa humanidade, nossos limites e nossa força. Ser sonhador não é viver no mundo da lua, é apenas saber-se capaz de nutrir um objeto, ter paixão por suas escolhas. Sonhos mudam, sonhos se transformam em outros melhores.

Ah, a espera. Aquele caminho de sangue e suor que percorremos até chegar onde queremos. A gente transmuta a cada lágrima derramada, cresce com cada escolha equivocada que vivemos até ver a linha de chegada. São incontáveis as esperas que nos acometem: um filho, um amor, um trabalho, um telefonema, um pedido de desculpas, um reencontro. Algumas dessas são até mais sofridas do que gostaríamos. A estrada é para ser festa e a transformamos em martírio. Quando vivemos o presente em celebração, diminuímos a agonia da espera. Quando aceitamos o desejo e abrimos braços para o que queremos, até o suor abranda.

Esperar não é ato passivo. Não se senta e espera que o tal sonho caia do céu embrulhado para presente em nossas mãos. Esperar é fazer por onde chegar onde se quer transbordando amor e fé de que é possível. Tudo é possível, nós é que fomos educados para criar barreiras vez ou outra. Seja do desejo “mais simples” ao sonho mais grandioso, podemos tudo e mais um pouco.

E também não vale medir as metas alheias. Cada um sabe o que cabe melhor em suas vidas. Não devemos nos apequenar se nosso plano for viver de pesca em uma cidade pequena e o sonho do fulano for morar em 15 países até os 50 anos. Todos os sonhos tem o mesmo valor. Todos merecem ser realizados. Nada é bobo para ser colocado de lado.

A gente precisa se subestimar menos. A gente precisa não ter vergonha das escolhas que tomamos. Seja lá o que for. Toda espera é confiança. Toda espera é para ser bem vivida. Todo santo dia estamos esperando. Em alguns dias nem sabemos o que, porém de coração estamos. O que ganhamos ou perdemos é aprendizado e toda sua beleza. A espera pode ser vilã ou pode ser poesia no dia a dia. Cabe a nós escolher quais significados queremos dar. Qual sentido queremos encontrar nesses dias que precedem sonhos alcançados. Escolhemos as cores das histórias vividas.

Espere sim, mas não se esqueça de viver. Sonhe aquele amor de verdade, mas sorria pra cada oportunidade que a vida lhe der ao longo do caminho. Espere sem achar que alcançar aquele objetivo traçado será a solução dos seus problemas. Espere com esperança. Silencie seu coração em cada entrega. O silêncio é precioso na construção de cada plano. O silêncio é imprescindível em cada passo a ser dado. Espere em silêncio. Silencie a espera.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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