brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Estranha humanidade

Um poeta, uma máquina de escrever, mídias sociais, humanidade transbordando e um livro para reunir toda essa estranheza cheia de alma, cheia de coração pulsante. Isso é ler Zack Magiezi. É um poeta que nos traduz.


06.jpgimagens: internet

Poetas são aqueles que transbordam a alma em letras, não só a deles como as nossas. Poesia tem o dom de fazer com que nos vejamos ali encontrados em versos. É encantador sentir que não estamos sozinhos nesse mundo. E esse encanto é elevado a todas as potências possíveis quando se trata de ler o incrível Zack Magiezi.

Poesia na sua mais crua humanidade, leve e cheia de verdade. Uma verdade sua, minha, nossa. Uma humanidade que toca, que serve de espelho. Poesia ao alcance de todos, que começou encantando em redes sociais e hoje tem o livro “Estranherismo”. Desses livros que você suspira a cada página e só larga quando acaba de ler de ponta a ponta. Livros desses que preenche as lacunas da alma, onde nos vemos em tantas páginas que nos perguntamos: “como ele pode me conhecer?”

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Impossível não se apaixonar pela delicadeza com a qual ele nos retrata em algumas linhas, praticamente nos fotografa e transforma cada um de nós em palavras. Em quatro linhas de “Nota sobre ela” fala de uma vida inteira, eterniza um momento, uma fase, um presento vivido por qualquer um de nós. Ali estou eu, você, nossa vizinha, aquela tia, uma amiga. A sensibilidade de um olhar que é palavra. A sensibilidade de uma alma despida que nos convida a essa nudez. Alma nua e livre que nos leva a voar juntos. Nos faz mais humanos encontrar-se ali na crueza da poesia, fazendo valer despir-se em um mundo tão cheio de máscaras.

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“Estranherismo” é isso, é a leveza do ser. É a leveza de compartilhar quem se é. A leveza de unir-se ao autor em suas confissões. Confissões de um ser estranhamente humano, visceral, de carne e osso. Onde sentir é permitido, onde trocar as cores da alma é ordinário e ser quem somos é de uma beleza sem igual. Nós crus, nus, dispostos a sentir, como em cada letra do livro. Docemente estranhos nessa vida onde nos disseram que devemos engolir os sentimentos ou escondê-los no bolso.

Zack traz em sua poesia um manifesto de liberdade, de sentimento, de revelação. Um manifesto que nada pede, que apenas é. É nosso direito (mais ainda dever) sermos livres em nossa estranheza, em nossas buscas de amor de dentro e do amor que vem de fora. Direito as nossas fraquezas e nossa força indomável. Direito de emocionar-se e identificar em tantas palavras o próprio caminho que trilha. As mais belas poesias são aquelas ousam levar para dentro. Nos leva a olhar aquele reflexo no espelho que tanto fugimos. Zack, obrigada por dividir a alma conosco. Continue voando livre em meio ao mundo de tantas prisões e nos deixando mais...humanos.

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Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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