brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Palavreio

Saber o que dizer é um aprendizado de vida inteira. Usamos palavras demais quando acreditamos ter domínio do que nos sai boca afora, enquanto palavreamos de menos em momentos que nossas palavras seriam de fato necessárias. É tênue a linha entre calar e falar, assim tropeçamos diversas vezes em nosso próprio discurso. Palavras tem forças desconhecidas, saibamos usá-las.


15123285_1114352315278684_5350286357660650318_o.jpgFoto: da autora

Palavras ditas. Palavras não ditas. Palavras guardadas. Palavras sufocadas. Palavras que não segue seu devido curso. Palavras desperdiçadas. Tantas línguas, tantas palavras e tantos significados equivocados. Tanta coisa boa se perde em silêncios mal vividos. Silêncio do medo, guardando tanto “obrigado”, “eu te amo” e “vem cá, me dê um abraço”. Palavras erradas, horas erradas. Palavras que limitam nossos passos. Palavras que limitam sentimentos

Já não sabemos demais quando é hora de silenciar e quando é hora de falar. Inclusive invertemos os momentos e causamos tantos danos. Palavras jogadas ao vento e sendo levadas onde não deveriam. Não sabemos mais o que elas realmente são, como elas moram encontraram seu caminho e significado dentro de nós. O “feeling” real por trás de cada palavra perdeu espaço e elas são apenas barulho em nossas mentes e quando nossos lábios as proclamam.

Essa constante fuga do ser humano do que lhe é mais verdadeiro, mais intrínseco, chegou sem pedir licença em nossa comunicação. O traquejo para relacionar/comunicar-se anda um tanto limitado, mascarado. Muitos relacionamentos (pais/filhos, casais, amigos) pecam por achar que uma palavra não dita pode salvar algumas situações, ao invés de pensar que estas devem ser bem ditas. O silêncio é certo quando não sufoca nada dentro do peito, quando engolimos palavras há sentimentos e muitas vezes de ponta afiada. Desses que dilaceram com muita facilidade. Tudo o que é guardado acaba por estragar e desta forma tantos relacionamentos perdem sua beleza por atitudes bobas.

Palavras também são escolhas e provavelmente umas das mais delicadas. Podemos levar ao céu ou ao inferno qualquer pessoa apenas com o que lhe dizemos. Em um mundo tão cheio de feridas, talvez fosse de bom grado ter um pouco de tato com os outros. Há tanta humanidade no outro conto em você, em certos casos até mais. Não custa nada saber usar as palavras. Custa menos ainda falar diariamente palavras mágicas como: obrigado, de nada, com licença, me desculpe, te amo. Um sorriso e um abraço são palavras silenciosas poderosíssimas.

Enquanto o mundo foge das boas palavras, que haja uma contramão de amor em forma de palavras. Há pequenas (e grandes) gentilezas que podemos expressar. E que muitos desejos não se percam por serem palavras não ditas. Que os amores e as dores não fiquem sufocados no peito. Que todos os “bom dia” saiam do casulo da timidez de não se ter uma resposta e saia de bocas e corações, quantas vezes precisamos dele chegando até nós para acordarmos para o dia. Que haja gentileza, sobriedade, delicadeza e amor em nossas palavras com a escolha de gerar mais e mais sorrisos. Lágrimas? Só se for de emoção.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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