brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Quando a rua fala

As cidades são entidades orgânicas que inspiram diversos artistas. A fotografia de rua tem como objetivo retratar essa dinâmica tão única de cada lugar. Cada retrato contém em si um momento passado que configura a vida daquele local. E é isso que vem fazendo com que tantas pessoas cada vez mais se encantem pelo gênero.


Thumbnail image for DSC_1674PB.jpgFoto da série: Sons de Rua, Ellen Pederçane

Dinamismo. Olhar atento. Cotidiano. As ruas como cenário e diversas personagens interessantes. A partir destes elementos nasce a fotografia de rua. Essa fotografia que transforma a simplicidade da rua em arte, em história para ser lembrada e nos leva a enxergar a beleza do cotidiano. Muitas vezes confundida com a fotografia documental, esse gênero fotográfico tem sua devida poesia. Ela é um pouco mais do momento, do efêmero, aquele clique certo!

Esse gênero já é conhecido nosso desde o flaneur de Cartier-Bresson, mas talvez por essa característica de eternizar os momentos mais efêmeros, vem se destacando cada vez mais nos dias atuais. Seja em grandes cidades ou em lugares mais humildes, todo cenário é riquíssimo de movimentos, de recados que a rua dá no silêncio do cotidiano. Quantas linhas dentro de um quadro podem nos fazer ver a beleza que tanto já grita sua existência e não a notamos.

Observação, comportamento, costumes, uma época, o ser humano sendo captado em sua mais relaxada naturalidade. Uma busca por uma identidade local. O fotógrafo está ali conhecendo a cidade e lendo o que ela diz através do seu olhar, sua perspectiva, sua sensibilidade. Toda cidade é um organismo vivo e esse gênero está disposto a conhecer e registrar essa entidade seus movimentos únicos. A ideia é, geralmente, do fotógrafo ser invisível para assim captar aquele momento sem interferência. O fotógrafo é um espectador daquela cena. E existem algumas boas formas de manter esse anonimato:

→fotografar por detrás da cena.

→reenquadrar após focar, construindo a cena após focar, redesenhando a paisagem ou apontando outro elemento próximo à personagem fotografada.

→uso de lentes teleobjetivas (zoom), facilitando que o fotógrafo mantenha a distância do objeto.

→Disparar a partir da altura da barriga. É uma péssima maneira de compor a cena, mas uma forma discreta de fotografar. Relembra antigos fotógrafos que usavam rolleiflex como Vivian Maier. A fotografia de rua convida o observador a visitar a realidade retratada através do olhar do fotógrafo. Nos permite conhecer cidades, países, culturas. As imperfeições fazem parte da composição e também configuram esse gênero ainda mais único. Mesmo que o anonimato seja muito comum na fotografia de rua, não é de todo ruim aproximar-se e conversar com o retratado. Uma boa conversa, falar sobre o trabalho, dizer o que o chamou atenção para essa personagem, mostrar a foto e o que o fez parecer tão interessante. A forma como cada fotógrafo cria é bem pessoal. Alguns usam mais técnica, outro um pouco menos, uns preferem teleobjetivas, uns não se importam com qual equipamento. O olhar é o carro chefe da fotografia de rua.

Segue uma lista para conhecer mais e admirar o trabalho de fotógrafos desse gênero:

Gianstefano Fontam

Tony Goran

Junichi Hakoyama

Luis P Gonçalves

Mr. Friks

Moises Rodriguez

Michael Salisbury

Takashi Yasui

Alexandre Lachausse

Masayoshi Naito

Takeshi Ishizaki

Obs: Link de uma série fotográfica minha do mesmo gênero: https://www.facebook.com/pg/EllenPedercaneFotografia/photos/?tab=album&album_id=742740209234643


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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