brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Quando aprendemos a partir...

Mande notícias
Do mundo de lá
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Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando...

Encontros e despedidas - Milton Nascimento


DSC_8742.JPG Foto: da autora

Partidas, despedidas, idas e vindas. Palavrinhas essas que traduzem diferentes momentos de nossa vida. Tudo muda. As mudanças são inevitáveis em nossa vida e elas tanto nos levam pra longe quanto nos trazem de volta. Saber ir é tão importante quanto saber voltar. Em muitos casos ir é inevitável. Em outros tantos ir é necessidade. A ida é o pedaço que falta naquela transformação desejada. A ida é apenas um encontro a nos levar por outras estradas. Por vezes é tudo que podemos fazer.

Há quem vá e não volte. Há quem vá já pensando em voltar. Partidas. Despedidas que tanto nos tocam a alma, despedidas que podem ser eternas e despedidas que deixam tanta saudade que logo são transformadas em visitas. O mundo é tão grande que possivelmente alguns de nós pertençamos a diversos cantos diferentes dele. Alguns ficam felizes a vida toda em um mesmo canto, outros ficam felizes em dividir a alma e deixá-la em cada lugar que se passa. Não tem regra, uns gostam de ir e outros gostam de ficar.

Ir é decisão das mais difíceis. Ir é das decisões mais gratificantes. Ir é apenas seguir a estrada que devemos. Partidas para o lado de lá. Partidas planejadas. Partidas no impulso desejoso de novos ares. Partidas em busca de lugares que nos mostre quem somos claramente. Às vezes é na solidão do novo que nos olhamos com mais verdade. Longe de burburinhos. Outras vezes o que precisamos é de novos burburinhos, que nos conheçam menos para ser silêncio mesmo na multidão.

Ir pode até parecer fuga. Ir pode até ser fuga. Mas a vida ensina que quanto mais a gente foge de si, mais oportunidade ganharemos de nos conhecer. Ir é vontade de sentir aquele cheiro de adrenalina no meio do caminho cego, esses mesmo que você já ama mesmo sem enxergar suas nuances. Ir é vontade de desbravar a alma em situações que no lugar comum você jamais se atreveria. Ir é colocar nas costas toda a esperança para construir uma nova e melhor vida, pela simples vontade de mudar. Ir é ter urgência de experiências que não podem nem ser imaginadas! Ir é dar-se uma chance diferente. Ir é ter sede de beber das águas desses rios desconhecidos que nascem em nossas estradas. Ir é um processo viciante. Quanto mais se vai, mais se quer ir. Que sorte a nossa do mundo ser grande e cheio de oportunidades e possibilidades de ida.

As partidas colocam tantos sorrisos no rosto quanto lágrimas, afinal o amor gosta de uma presença física. E assim a cada volta, a emoção é a mesma e há agora um amor que deixamos lá ao voltar, certamente. Ir é amar sem limites, sabendo que dentro de si há espaço para amar mais e mais. Ir é saber que não há mal algum em deixar um pedaço de si pelas estradas da vida. Ir é expandir horizontes e almas. Ir não é deixar nada para trás, ir é somar mais por onde passa. Ir não é abandonar quem ficou, ir é aprender a amar na distância do corpo físico e se dar conta que o amor é mais forte do que quilômetros de distância. Ir é crescimento. Ir pode dar certo ou não, é só uma tentativa que qualquer um merece se dar.

Ir é olhar nos olhos da vida e ver o quão pequenino somos. E como é bom ser um pequeno aprendiz nesse mar de culturas, vidas e histórias. Ir é começar de novo, é se dar a oportunidade de começar do zero. Ir é esse mistério que tanto nos divide. “Vou ou fico?” nessa casa, nesse amor, nessa amizade, nesse trabalho, nessa cidade...assim nos perguntamos. Ir é presente de vida. E quem vai sempre pode voltar, caso queira, caso precise. A vida é um vem e vai sem limites, a inconstância da vida nos permite ser santos e pecadores. Nenhuma partida precisa ser definitiva. Nem todo encontro precisa ser despedida. Ir é só se permitir viver cada oportunidade.

Vá se quiser. Fique se quiser. Volte se quiser, quando der. Só não deixe de ir pela sua própria estrada.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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