brincando com letras

Sobre ver o mundo com um pouco mais de poesia

Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir.

Sobre olhar o outro sem pressa

Olhar pro lado tem sido um desafio cada vez maior. Olhar o outro e entender que todos estamos passando por essa existência com bônus e ônus. Olhar sem pressa. Olhar com verdade. Olhar com o coração. Ter empatia não deveria ser um esforço: faz parte da nossa essência que parece, talvez, estar levemente adormecida. Como você tem olhado as pessoas ao seu redor?


DSC_1532.jpg Foto: da autora

Em tempos de guerras a distância, insultos virtuais e amores frios, fica cada vez mais claro a falta de empatia que vivemos no momento presente. Somos 7 bilhões de pessoas que não tem espaço para dizer o que sente, 7 bilhões de pessoas que não se o colocam no lugar do outro, não querem entender, não dão importância. Ok, não são todos os 7 bilhões, mas são muitas pessoas. A humanidade é deixada de lado nas pequenas coisas, na bolsa pesada que não nos oferecemos para segurar no transporte público, no “bom dia” que não respondemos, na ausência na vida dos que amamos por falta de vontade e não por falta de tempo.

Empatia e compaixão, palavrinhas tão especiais e capazes de tornar o mundo um lugar um cadinho melhor. Não, não apenas palavras. São atitudes tão naturais, tão inerentes a nossa humanidade. Tão pouco praticadas, tão pouco usadas no dia a dia. Olhar o outro sem pressa. Olhar o outro como se estivesse na pele dele. Entender a importância de um determinado fato que para você pode parecer nada demais e pode ser o mundo para o outro. Ouvir aquela música que é o resumo da vida, segundo seu amigo, só pela empolgação com a qual ele a apresentou a você. Ver aquele filme que sua mãe pediu só pela companhia. Perceber que alguém está mais cansado que você e ceder seu acento no transporte público. São pequenas atitudes e de tanta profundidade! São pequenas atitudes e tão necessárias.

O “eu” se encontra em algum tipo de cegueira ou apenas imerso em uma falta de disponibilidade para olhar o outro. É uma briga pra mostrar quem se importa menos. É uma preguiça de olhar além do que se vê. É um não assumir quando erramos com alguém amamos. Não se oferece um abraço de desculpa e menos ainda o som dessa palavra. Esqueceram que amor é construção de cada dia, de cada hora. Ninguém tem a obrigação de se sentir importante para você, se você não diz. Ninguém sabe se é amado quando não há manifestação de afeto.

Em nosso cotidiano é possível distribuir amor até pra quem não conhecemos. Uma gentileza genuína, seja ela, um sorriso, um abrir passagem para o outro, segurar a porta do elevador. Não pensamos que aquele outro ao nosso lado é outra vida que sente tudo como você. Não fazemos ideia do que se passa ali. Nos achamos no direito de julgar o caminho do outro melhor ou pior que o nosso. Nos tornamos cegos e surdos pois escolhemos não ouvir com amor. Empatia e compaixão é essa pitada de amor no olhar que precisamos recuperar. O amor ficou adormecido nesse mundo sem freio. O amor se perdeu nas promessas vãs.

É preciso construir esse amor que vai direcionar cada palavra e cada ato nosso. E assim abriremos os olhos, ouviremos com atenção, entenderemos as falhas que eu, você e ele podemos cometer. E assim nos colocaremos no lugar do outro e a vida ficará mais bonita. Quando essa troca for verdadeira. Quando esse entendimento iluminar e revelar: há espaço para que nós, cada um dos 7 bilhões de pessoas desse planeta, possa existir com dignidade.


Ellen Pederçane

Fotógrafa que largou o escritório(e a Arquivologia) para se encontrar. Amo o amor e tudo que ele me traz. Tenho um coração meio nômade, com espaço pro mundo inteiro. Sonho despretensiosamente que minha brincadeira com as letras alcance corações por aí. Respiro para não pirar, medito para melhor sorrir. .
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