bruna santos

"A escrita é a pintura da voz"

Bruna Santos

Desacomode seu olhar com o olhar de Eliane Brum

Você escreve a cada dia um novo capitulo na história da sua vida, a cada dia passa por milhares de pessoas e de pequenos fatos que de tão comuns já não despertam seu interesse. Mas despertam o de Eliane Brum, por meio das palavras dela é possível perceber o quanto a vida cotidiana pode estar cheia de histórias incríveis quando se olha com cuidado para ela.


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"Escrevo porque a vida me dói, porque não seria capaz de viver sem transformar dor em palavra escrita. Mas não é só dor o que vejo no mundo. É também delicadeza, uma abissal delicadeza, e é com ela que alimento a minha fome.” Uma visão diferenciada sobre aquilo que parece comum aos olhos de quem esquece de perceber o quando o banal pode se tornar espetacular e inspirador. Assim é o olhar da jornalista gaúcha Eliane Brum.

O morador de rua, o seu novo emprego, sua antiga escrivaninha, o filme que assistiu ontem, os dramas pessoas, as relações, os preconceitos da sociedade e tantos outros detalhes de todo dia, são tão corriqueiros que você nem imagina o quando de história eles podem render. Mas Eliane Brum não só imagina, como vai atrás destas histórias e a transforma em um de seus belos textos.

Acredite se quiser, mas o mendigo pedinte pelo qual você passa diariamente pode ter casa, família e até segurança. Pode considerar como um trabalho a espera pela piedade alheia e por uns trocados recebidos. Pode tirar daí o sustento de toda uma família. Ao menos a vida de Alverindo, o mendigo porto alegrense conhecido como Sapo, era assim. E foi por meio das linhas escritas por Eliane Brum, em “A vida que ninguém vê”, que esta história pôde chegar até aqui.

A jornalista, que já ganhou mais de 40 prêmios no Brasil e no exterior, manteve colunas em grandes jornais do país e contou nelas histórias da vida real pelas quais passamos diariamente e, por vezes, nem damos atenção. Estas colunas foram reunidas e formaram livros de reportagem. Entre as publicações lançadas de Eliane, cabe destacar duas neste artigo, “A vida que ninguém vê” e “A menina quebrada”. Na primeira obra está reunia uma série de reportagens que tratam de injustiça e desigualdade, mostrando o quando não vemos a vida que se passa além da nossa. Já na segunda são abordados também fatos do dia a dia e até mesmo relatos da vida pessoal da jornalista.78_1_20140128100439.jpg

Com um texto admirável e emocionante, as colunas de Eliane, que mais parecem crônicas de tão bem contadas, nos levam a refletir sobre pessoas e acontecimentos comuns que na correia diária passam despercebidos, transformando fatos que eram quase invisíveis em histórias impactantes. Suas fontes não são oficiais, a criatividade, a aproximação com o leitor, a intensidade e a permanência dos textos são características marcantes que podem ser facilmente identificadas e destacadas como uma escrita literária.

Como diz o título de um de seus livros, Eliane é uma repórter em busca da literatura da vida real, capaz de escrever com qualidade sobre os mais diversos assuntos. “Um olhar surpreendente sobre o Brasil, sobre o mundo, sobre a vida – a de dentro e a de fora”, é que o texto de Elaine Brum vai te trazer, fazendo com que o que parece estar acomodado por ser comum, passe a te despertar e instigar.

*As citações utilizadas neste artigo foram retiradas do livro “A Menina Quebrada”, de Eliane Brum, publicado em 2013.


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