Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas.

A serenidade que começa aos 30

Então sejamos sinceros, ter 30 é melhor do que ter 20. Não porque tenhamos tudo aquilo que não tínhamos aos 20, mas porque sabemos lidar com o que temos e, principalmente, com o que nos falta. Encaramos tudo com mais calma. Temos a mesma vontade e a mesma energia, mas sabemos onde usá-la e como não a desperdiçar.


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E de repente, 30 anos. E não é um choque. É como acabar o liceu. É uma sensação boa. É um marco. Conseguimos chegar até aqui. Sobrevivemos à inconstância dos “vintes”. No fundo, nada de especial, mas representa uma mudança, nem que seja psicológica. A primeira e maior mudança é a serenidade. Primeiro, o dar-se conta que afinal ter 30 anos não tem nada de mau, como pensávamos antes, quando ao fazer 26, víamos esse número redondo a aproximar-se na distância. Como se aos “intas” não pudéssemos ser mais jovens, não pudéssemos mais nos aventurar ou até ser nós próprios. Como se nesta etapa tivesse que estar tudo definido, ou pelo menos alguma coisa: a cidade para viver, a casa, o trabalho, a vida social. Mas aos 26 ainda falta aprender várias lições, a nossa cabeça ainda está nos 20 e não conseguimos ver para além disso.

Então sejamos sinceros, ter 30 é melhor do que ter 20. Não porque tenhamos tudo aquilo que não tínhamos aos 20, mas porque sabemos lidar com o que temos e, principalmente, com o que nos falta. Encaramos tudo com mais calma. Temos a mesma vontade e a mesma energia, mas sabemos onde usá-la e como não a desperdiçar.

E então tudo se torna um pouquinho melhor. A nossa confiança, a nossa rotina, a nossa companhia. Aos 30, já não aceitamos qualquer coisa, seja no trabalho ou nas relações, porque já temos a experiência suficiente para saber o que é para nós e o que não é. As alegrias valem muito mais e quanto às tristezas, só sofremos com as que são realmente duras. Pequenas coisas que antes nos faziam sofrer, agora só nos vão fazer rir. Outras pequenas coisas que antes ignorávamos, agora fazem-nos verdadeiramente felizes.

Os amigos são melhores aos 30. São menos mas são verdadeiros, alguns deles acompanham-nos já há muito tempo nesta instável jornada e continuam connosco. São as amizades que nunca foram quebradas pelas rotinas diferentes ou pela distância.

A nossa relação com nós mesmos também melhora muito. Não nos censuramos, nem nos rebaixamos, nem tão pouco nos enaltecemos. A nossa personalidade está formada. Aceitamos quem somos. Aceitamos o nosso corpo e cuidamos mais de nós. Começamos a dar mais valor ao bem-estar físico e mental.

Aos 30 sair para uma festa é bom, assim como é bom ficar em casa. Porque seja como for, vai ser do nosso jeito. Já não temos aquela constante sensação de que falta alguma coisa, de estarmos perdendo algo, de que deveríamos estar noutro lugar. Temos, por fim, maturidade.

Maturidade que serve também para aceitar. Sim, não vamos ter tudo o que queremos, e daí? Aos 30 ainda se sonha (aliás há que sonhar toda a vida), e os sonhos são melhores, porque são projectos. Têm onde assentar. E acreditamos neles. E trabalhamos (já não lutamos) diariamente para que se materializem. A nossa pele é mais grossa, sabemos que virão dias maus, mas também já sabemos que conseguimos sobreviver. E sabemos como aproveitar os dias bons, fazendo justiça a todas as boas memórias que fomos guardando da nossa juventude.

Mas a nossa juventude ainda não acabou. Somos um trabalho em constante progresso. Sempre que eu quiser ir, eu vou. Sempre que eu quiser rir, eu vou. Já sei o que faço. Tenho 30 anos.


Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas..
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