Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas.

Entre o génio e a controvérsia - breves linhas biográficas sobre Woody Allen

Ter-se-á descrito nas suas próprias palavras como um “militante freudiano ateísta”. Controvérsias à parte, Woody é o homem que respira Nova Iorque, e inspira cineastas, humoristas, e pessoas que, na generalidade, sabem rir delas próprias.


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Ele é um dos mais aclamados realizadores de cinema da indústria norte-americana. Mas Allen é também argumentista, actor, autor, músico e uma inspiração para muitos jovens humoristas. Nascido no ano de 1935, em Brooklyn, Nova Iorque, a cidade que ama e que enaltece em muitos dos seus trabalhos, Woody cresceu no seio de uma família judaica de classe média, numa casa cheia de gente. Diariamente ali ocorriam situações hilariantes que o inspiraram a começar a escrever comédia.

Escreveu monólogos e fez espectáculos de stand-up durante o liceu, porém sempre passou despercebido. O grande salto que deu início à sua carreira galardoada foi, ironicamente, desistir da faculdade. Woody Allen tentou fazer escola de cinema mas depois de reprovar num curso de cinematografia da New York University, em 1953, desistiu de vez dos estudos e começou a escrever para programas de TV.

O seu primeiro trabalho a ganhar popularidade, foi em "Your Show of Shows", e recebeu uma nomeação ao Emmy. Foi então que o público em geral começou a interessar-se pela sua identidade como comediante: um rapazinho judeu, alienado, nerdy, auto-crítico, e com um forte sentido existencialista, presente em todos os seus monólogos. Woody Allen assumiu esta mesma identidade durante toda a sua carreira, e emprestou-a às personagens das suas obras cinematográficas, frequentemente interpretadas pelo próprio.

O amor, o sexo e a psicanálise, são os três temas mais presentes na filmografia de Woody. A sua mais famosa e elogiada obra, Annie Hall, que aborda estas temáticas tão patentes no universo do cineasta, foi premiada com quatro óscares da academia de Hollywood.

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Apesar de ter recebido estas estatuetas e muitas outras nomeações em diferentes anos, por filmes como Manhattan, Hannah and Her Sisters e Bullets Over Broadway, Woody nunca esteve presente na cerimónia dos óscares, exceptuando o ano de 2002, no qual como honrado Nova Iorquino, participou num tributo à sua amada cidade-natal, depois dos ataques do 11 de Setembro de 2001. Allen fez então um apelo aos outros cineastas, que não parassem de filmar na Big Apple.

A sua carreira e trabalho são admirados por muitos, mas a sua vida pessoal ganhou um tom controverso na opinião pública quando se separou da actriz Mia Farrow. Enquanto estava com Mia, Allen terá começado a relacionar-se com a filha adoptiva da actriz, Soon-Yi Previn, que alegadamente, ainda seria uma adolescente na altura. Para além disto, Farrow também acusou Allen de ter abusado sexualmente de outra das suas filhas adoptivas, Dylan, que tinha então sete anos. Mas as provas eram inconclusivas e Allen nunca foi indiciado pelo alegado crime.

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O que sabemos é que Woody Allen acabou por casar-se com Soon-Yi em 1997, e continuam casados até à data. Numa entrevista de 2011, o cineasta terá dito "Qual foi o escândalo? Apaixonei-me por uma rapariga, e casei com ela. Estamos casados há quinze anos".

Os seus complicados relacionamentos (dos quais fazem parte Diane Keaton e Stacey Nelkin), e os altos e baixos dos seus três casamentos parecem estar bem presentes nas narrativas dos seus mais famosos filmes. A sua relação com Nelkin, que tinha 17 anos quando se envolveu com Allen, é a inspiração por trás do filme Manhattan. Também é impossível não notar as semelhanças entre o casal Annie e Alvy, no filme Annie Hall, com o casal Keaton e Allen na vida real.

Mas nem só de comédia ou cinema vive Woody Allen. Tal como o seu pai, que mudava de trabalho permanentemente, Allen sofre também da mesma inconstância, aborrecendo-se muito rapidamente com os seus projectos, e sempre procurando envolver-se em diferentes áreas artísticas. Actualmente, é acima de todas as suas outras vertentes, um músico.

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Um profundo conhecedor e apreciador de jazz, Allen começou a tocar clarinete em criança e actuou sempre publicamente como clarinetista sob o nome de Woody Herman durante grande parte da sua vida. Allen e a sua New Orleans Jazz Band tocam muitas vezes, às segundas-feiras, no Carlyle Hotel de Manhattan, fazendo também algumas digressões.

Se o facto do cineasta nunca estar presente nos óscares, terá feito o público assumir uma atitude anti-Hollywood por parte do autor, o que sabemos é que Allen disse uma vez que este compromisso em tocar com a sua banda à segunda-feira é o verdadeiro motivo para nunca ter estado presente na cerimónia (que acontece em Los Angeles, e se estende pela noite de domingo até bastante tarde).

Outra particularidade de Woody Allen, é o seu fascínio pela psicanálise, e em particular por Sigmund Freud. Ter-se-á descrito nas suas próprias palavras como um “militante freudiano ateísta”.

Controvérsias à parte, Woody é o homem que respira Nova Iorque, e inspira cineastas, humoristas, e pessoas que, em geral, sabem rir delas próprias. Marcou várias gerações com a sua crítica e os seus monólogos sem filtro, complicando coisas simples e normais da vida com a sua comédia super-psicanalítica, e descomplicando os maiores dramas da vida através da(s) sua(s) arte(s).

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Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas..
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