Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas.

Nós que estamos destinados à sensibilidade

Nós que ficamos com pele de galinha quando a arte (ou vida), em todas as suas maravilhosas formas, se desenrola à nossa frente.


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Nós que temos a maldição de sermos sensíveis. Que sentimos tudo ao nosso redor como se fosse uma sinfonia de sons e imagens. Nós que sucumbimos à nostalgia. À saudade. Nós que observamos. Que ficamos em êxtase com as coisas simples. Nós que amamos. Nós que choramos ao ouvir uma música, por tudo o que ela nos faz lembrar, pelo que já não volta, porque quem já não volta e pelo que ainda há-de vir. Nós que ficamos com pele de galinha quando a arte (ou vida), em todas as suas maravilhosas formas, se desenrola à nossa frente. Nós que escutamos. Que gostamos das histórias que contam os mais velhos. Nós que ficamos a ver as pessoas passar na rua, sem interesse pelas suas vidas, mas pela beleza dos seus movimentos. Nós que paramos para ver um cachorro brincar com uma criança. Nós que deambulamos. Nós que lemos. Nós que flutuamos na melancolia. Nós que nos lembramos dos pequenos detalhes das histórias. Nós que nos lembramos dos sorrisos. Nós que temos vozes e palavras favoritas. Nós que gostamos de sentir a chuva e o calor do sol na pele. Nós que dançamos como se ninguém estivesse a ver. Nós que vivemos como se ninguém estivesse a ver. Nós que sentimos o tempo. Nós que gostamos de falar sobre coisas inatingíveis. Nós que rimos sem timidez. Nós que sublinhamos os livros. Nós que gostamos de apalpar a textura das coisas. Nós que saboreamos. Nós que pintamos a cores. Nós que somos distraídos. Nós que vemos tudo por um prisma maior. Nós que registamos os momentos em cadernos e fotografias. Nós que sonhamos. Nós que reconhecemos a mentira nates da mentira. Nós que reconhecemos a verdade debaixo da superficialidade. Nós que paramos para ver. Nós que continuamos. Nós que saímos. Nós que voltamos. Nós que duvidamos. Nós que questionamos. Nós que procuramos a leveza. Nós que estamos. Nós que ficamos. Nós que calamos e deixamos viver. Nós que criamos pontes. Nós que acreditamos. Nós que cantamos. Nós que escrevemos. Nós que agradecemos. Nós que sentimos o silêncio. A alegria. A tristeza. A normalidade. Nós que somos felizes porque sentimos. Nada é vulgar quando é sentido. Nós, os sensíveis. Nós, os que sentimos. Nós, os que vivemos.


Elsa Afonso

Formada em Jornalismo. Entusiasta das palavras, das ideias e das escolhas. Consegue ver em tudo uma pontinha de comédia, e gosta de (escrever) coisas descabidas..
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