Aline Cabral

Libriana que não consegue decidir se prefere palavras escritas ou conversas de botequim. E por isso pede os dois. E com uma xícara de café quentinho, faz favor

O que ninguém conta sobre ficar para titia

Ter uma sobrinha é ganhar o segundo melhor presente que existe. Porque o primeiro é nunca ter existido sem a sua irmã por perto.


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Ter uma irmã é algo muito particular. Afinal de contas, você herdou 50% de seus genes de cada um de seus pais. Sua irmã também. Ela foi criada da mesma forma que você. Vocês são parecidas, pensam de forma semelhante. Mas, de alguma forma, você duas são pessoas completamente distintas. É como se a vida usasse uma mesma receita para criar coisas diferentes. Sua irmã é tudo aquilo que você poderia ter sido e, mesmo que vocês não compartilhem todos os seus genes, você ama 100% dela.

Mas existe algo muito particular em ser a caçula das duas. Porque ser a irmã mais nova significa que você nunca existiu sem a sua irmã mais velha. Ela era uma parte sua antes mesmo de você ter consciência de quem você era. Você simplesmente não sabe como é sua vida sem ela. Isso significa que você nunca chorou sem que ela estivesse lá para ajudar. Que você nunca falou sem que ela estivesse ouvindo. Que você nunca viveu sem que ela vivesse com você.

De alguma forma, tudo o que você sempre fez na vida teve um ideal, uma inspiração, alguém em quem você pudesse se espelhar. Um parâmetro de ação que você serve em qualquer momento – o que ela faria? O que ela diria? Você não tem a menor ideia de como você seria se ela não existisse. Você não sabe como ela dividiu seus pais, suas roupas, seu quarto e sua vida com você. Porque ela deixou você entrar na vida dela e não fez você sair nunca mais. Nem quando você mereceu. E você agradece ao universo todos os dias por isso.

Mas eis que um dia a sua irmã te dá o melhor presente que você poderia esperar: sua sobrinha. Você olha para aquele serzinho e, de repente, você entende um pouco de como deve é a ser a mais velha. Porque o seu coração já é daquele bebê antes mesmo de você chegar a pensar sobre isso. Você abre um espaço que nem sabia que tinha na sua vida e na sua alma para que ela fique lá. Você faz o que, um dia, a sua irmã fez com você.

Você sabe que a sua sobrinha vai ter a melhor mãe do mundo. Mas você sente por ela ainda não saber disso. Porque existe toda uma vida que existiu antes de ela nascer e que ela nem tem ideia. Porque ela não sabe que a mãe dela ensinou você a ler e te indicou os livros que mais marcaram sua vida. Ou que um dia ela segurou o seu cabelo quando você passava mal. Ela não sabe que a mãe dela te ensinou a colocar sua vida nos eixos quando tudo parecia perdido. Que ela te ensinou a se maquiar e lavou seu rosto quando você fez tudo errado. Ela não sabe que você nunca vai admitir, mas que a mãe dela está sempre certa. Que ela se consolou quando você ficou de coração partido e riu com você quando se lembraram de tudo aquilo. Ela não sabe que é menininha mais sortuda desse mundo e o quanto isso significa nesse mundo de meu Deus.

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Há quem diga que você ama seus sobrinhos muito mais do a seus irmãos. Mas isso é porque existe uma coisa que ninguém de conta sobre ficar para titia. Você ama a sua sobrinha com todo o seu coração e você ama cada milímetro dela. Mas metade dela veio de sua irmã. Metade de sua irmã existe nela. E é aí que você percebe que você ama todos os 150% que existem da sua irmã no mundo. E que, se tudo isso cabe no seu coração, é porque ela um dia também te ensinou a amar.


Aline Cabral

Libriana que não consegue decidir se prefere palavras escritas ou conversas de botequim. E por isso pede os dois. E com uma xícara de café quentinho, faz favor.
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