café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

... e começou a buscar sentido numa sociedade que perde seus velhos laços sociais para viver o espetáculo do consumo e da neurose narcisista. Sou apenas uma narrativa no caos, um recorte ou uma janela. Se for prazeroso para você, fique aqui e tome um café comigo.

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    Gente de bem
    Chegamos ao consultório. Ela atrasada e ofegante. Eu apenas de acompanhante. Depois de falar com a recepcionista, sentou. Eu ao lado, lendo. — Senhora Terezinha! Levantou-se e adentrou à alcova do cardiologista. O mais famoso do subúrbio. Já ...
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    Um café?
    — Há muito sofrimento na indecisão. Paralisado, sinto na alma o fardo da liberdade, como dizia Sartre. Afundo-me no emaranhado de possibilidades e invejo a simplicidade dos parvos que enxergam apenas A ou B. Eu não. Vejo um alfabeto de caminhos ...
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    O Ancião
    — Sei que fui correto e o resultado foi bom, mas ele detestou. Será que eu fiz merda? — Você gostou do que fez? Miguel andava de um lado para outro, aflito. Acendia um cigarro no outro. Aluado. — O que será que as pessoas vão pensar? Ele ...
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    O custo de ser si mesmo

    Quem é você na democracia de multidão?

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    A corrupção como marca estrutural da democracia oligárquica

    Fiquei feliz, claro, com o afastamento de um ícone do conservadorismo, da homofobia e da pilantragem em nome de Jesus. Esse ícone é o deputado federal Eduardo Cunha, eleito por parcela significativa do Rio de Janeiro. Caiu Cunha!? A democracia está infestada de Cunhas e Renans! Ele, desde os tempos de Collor e Telerj, é apenas uma peça dessa engrenagem onde as oligarquias financeiras-políticas comandam o sistema representativo como espetáculo e farsa. Vejam a aceitação do impeachment na Câmara e agora no Senado com 15 votos favoráveis e 5 contrários ao relatório do tucano Antonio Anastasia. O que significam aqueles discursos, aquelas pessoas?

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    A ponte dos suicídios: o que podemos aprender com a tragédia?

    É válido dizer que nem tudo se resume à tragédia. Destacam-se momentos reais de solidariedade e esperança, dentre os quais um fotógrafo impede uma moça de saltar, agarrando-a pela blusa e puxando-a de volta para a parte segura da ponte. Há também o depoimento de um jovem que sobreviveu à queda com o curioso auxílio de uma foca.

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    Somos apenas o que podemos ser

    Este é o drama que somos. Incompletos e desejosos de algo que sempre, para nosso desespero, nos escapa. Somos uma lacuna em busca de um preenchimento impossível, posto que a falta é justamente a marca de nossa própria humanidade.

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    Marcela Temer na VEJA: O bafafá da uma narrativa

    Há no imaginário social a ideia de “golpe do baú”. Muitos murmuraram. E se esse Temer fosse pobre? Ela, considerada bonita (participou de dois concursos de miss no interior), branca, formada em direito sem nunca exercer a profissão, sem experiência de trabalho (foi recepcionista, só) e que aos 20 anos casa com seu primeiro namorado sério, justamente Michel Temer. Mulher golpista e interesseira? Amante do dólar ou do euro? Não seria também machismo ofender assim Marcela Temer?

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    Temer não é Itamar e Dilma não é Allende

    Ainda que o impeachment de Dilma seja vitorioso no Congresso, o atual contexto não oferece uma opção de estabilidade, bem diferente do que aconteceu com a pactuação nacional promovida pelo discreto Itamar Franco em 1992, pós-impeachment do Collor.

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    O chaveiro de boneca

    Catia G. Vera Cruz é formada em Letras com trabalho sobre Clarice Lispector e Graciliano Ramos. Aventurou-se, pela primeira vez, a rabiscar um conto que fala do reencontro de duas amigas a partir de uma peça de teatro sobre Clarice Lispector.

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    O dia em que parei de fumar

    Achava fumar algo bacana, gostoso, free, cheio de charme intelectual. Com o tempo, o cigarro se transformou numa dependência infernal. Como sair disso? Como ver sentido na vida sem o meu cigarro?

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    A honestidade combativa de Prestes faz falta

    Nesse tempo em que esquerda quase se transformou em sinônimo de banditismo governista e traição dos trabalhadores, lembrar-se dos 118 anos do líder Luiz Carlos Prestes é fazer memória do verdadeiro patrimônio das lutas de nosso povo. Mesmo que você não concorde com todas as concepções ideológicas do Cavaleiro da Esperança, é inegável sua honestidade intelectual e pessoal.

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    Comunismo ou a ressurreição de Lázaro

    É possível defender a ideia de comunismo depois da queda do Muro de Berlim, da União Soviética e de diversos regimes do socialismo real? Depois do fim de diversos partidos comunistas? A resposta de Alain Badiou é desconcertante: sim, é possível e necessário. Sua heresia intelectual em tempos de hegemonia do chamado “capitalismo democrático” desperta, no mínimo, curiosidade.

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    a multidão de vidas secas com 4G

    Através da dramática morte da cachorra Baleia, Graciliano Ramos ("Vidas Secas") pode nos ajudar a pensar nossa indiferença, submersos que estamos na multidão de pessoas que perambulam: vazias, fechadas em si mesmas, ouvindo música no Iphone e com os olhos fixados no celular. Vida de cão, mas sem céu de preás. A descrença é a norma e o osso é para hoje.