café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

... e começou a buscar sentido numa sociedade que perde seus velhos laços sociais para viver o espetáculo do consumo e da neurose narcisista. Sou apenas uma narrativa no caos, um recorte ou uma janela. Se for prazeroso para você, fique aqui e tome um café comigo.

A honestidade combativa de Prestes faz falta

Nesse tempo em que esquerda quase se transformou em sinônimo de banditismo governista e traição dos trabalhadores, lembrar-se dos 118 anos do líder Luiz Carlos Prestes é fazer memória do verdadeiro patrimônio das lutas de nosso povo. Mesmo que você não concorde com todas as concepções ideológicas do Cavaleiro da Esperança, é inegável sua honestidade intelectual e pessoal.


prestes.jpg

No dia 3 de janeiro de 1898, em Porto Alegre, nascia Luiz Carlos Prestes. O ícone do movimento comunista brasileiro deixou-nos em março de 1990, depois de testemunhar a derrota de seu candidato, Leonel Brizola (PDT), nas eleições presidenciais de 1989.

Prestes, capitão do Exército, depois de liderar a Coluna de 1.500 homens rebelados na década de 1920, exilou-se na Bolívia e começou a estudar marxismo. Uniu-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1934 e tornou-se um dos líderes mais importantes da esquerda brasileira. Na década de 1980, rompido com o “revisionismo” do PCB, apoia o PDT e se torna presidente de honra desse partido até sua morte.

Nos anos 80 eu era do PCB, mas meu pai, junto com minha madrasta Cecília Pires, eram militantes do PDT que, naquela época, convivia com diversos grupos de esquerda em seu interior, tais como: os prestistas (CLCP), Coletivo Gregório Bezerra (CGB), Reconstrução do Partido Comunista (RPC), Resistência Popular (RP) e outros.

Quando, em 1986, o PCB decide apoiar Moreira Franco (PMDB) para governador do Rio de Janeiro, eu – e muitos outros – escolhi ouvir os conselhos de Prestes e apoiar Darcy Ribeiro (PDT). Moreira ganhou, Fernando Gabeira (na época, do PT) ficou em terceiro lugar, mas a minha família se uniu em torno dos comunistas que resistiam dentro do PDT. Assim foi até 1992. Depois a história é outra – e o PDT também.

Tenho imenso orgulho de ter “conhecido” pessoalmente Prestes, apresentado pela minha madrasta Cecília (o pai dela, seu Jurandir Pires, foi tesoureiro do Partidão aqui no Rio). Nada conversei com ele, mas fiquei vidrado, embasbacado com o “Cavaleiro da Esperança” cantado por Taiguara. Eu era um menino e ele um herói antifascista, pelo menos, na minha família e numa parcela importante da esquerda brasileira.

Sinto falta de ver hoje, na esquerda brasileira, pessoas como Prestes. Honrado, morreu pobre, sem dinheiro na Suíça, sem nunca desviar dinheiro público em troca de “governabilidade”. Derrotado, nunca se sujeitou aos vitoriosos em busca de cargos ou posições de destaque. Manteve-se coerente até morrer, sem jamais negociar suas crenças e ideologia em troca de votos ou mordomias. Prestes era respeitado até mesmo pelos setores mais reacionários da direita brasileira. Os conservadores podiam considerá-lo equivocado, mas bandido ou corrupto, jamais!

Camarada Prestes, comandante do povo brasileiro, presente!


Marcio Sales Saraiva

... e começou a buscar sentido numa sociedade que perde seus velhos laços sociais para viver o espetáculo do consumo e da neurose narcisista. Sou apenas uma narrativa no caos, um recorte ou uma janela. Se for prazeroso para você, fique aqui e tome um café comigo..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Marcio Sales Saraiva