café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

... e começou a buscar sentido numa sociedade que perde seus velhos laços sociais para viver o espetáculo do consumo e da neurose narcisista. Sou apenas uma narrativa no caos, um recorte ou uma janela. Se for prazeroso para você, fique aqui e tome um café comigo.

Gente de bem


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Chegamos ao consultório. Ela atrasada e ofegante. Eu apenas de acompanhante. Depois de falar com a recepcionista, sentou. Eu ao lado, lendo.

— Senhora Terezinha!

Levantou-se e adentrou à alcova do cardiologista. O mais famoso do subúrbio. Já estava nu e visivelmente excitado. Eu sabia.

Ela sorriu, maliciosa, e fitando-o nos olhos arrancou a longa saia. Sem calcinha, sentou-se nele. Frontal. Algumas estocadas. Gemidos abafados. A mão dele impedia o grito, mas o corpo dela estrebuchava de prazer. O crucifixo que ornava seu casto colo, batia no olho esquerdo dele. Minutos. Rápidos, secos e brutais.

Eu lia. Na recepção.

— Senhora Terezinha, o resultado dos seus exames estão ótimos. Cuide-se e retorne no próximo mês. Como está seu marido?

— Lá fora doutor. Fora.


Marcio Sales Saraiva

... e começou a buscar sentido numa sociedade que perde seus velhos laços sociais para viver o espetáculo do consumo e da neurose narcisista. Sou apenas uma narrativa no caos, um recorte ou uma janela. Se for prazeroso para você, fique aqui e tome um café comigo..
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