café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo).

“A minha arte é filha da liberdade”, diz André Gabeh

André Gabeh é ilustrador, cantor e escritor. É, sem dúvida, uma das vozes mais importantes do subúrbio do Rio de Janeiro e membro fundador do Rolé Literário. Seus textos retratam, com muito bom humor, a vida social das periferias.


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe hoje André Gabeh que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

Eu sou um contador de histórias. Minha relação com a escrita acontece através dessa superfície de contato. Eu sempre contei histórias através dos desenhos, que foram minhas primeiras manifestações artísticas, depois com a música – cantando e compondo – e agora com a prosa

2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Eu já li mais, mas li muito. Escrever nem é dom e nem transpiração. Eu não tenho a menor técnica ou a menor liberação. Escrevo porque gostam e eu gosto de ser gostado. Não tenho a menor noção do nível de qualidade do que escrevo e uma dislexia bem chatinha me embaralha todas as regras. Escrevo porque o corpo pede e depois vou acertando a música do texto pra que eu me sinta mais confiante pra compartilhar. Nada muito sofrido ou elaborado, mas dom? Dom mesmo? Não sei.

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3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira?

Meus clássicos favoritos são “Gabriela, cravo e canela” (Jorge Amado), O morro dos ventos uivantes [que foi o único romance escrito por Emily Brontë], O livro do Desassossego (Fernando Pessoa/”Bernardo Soares”), Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres [romance de Clarice Lispector] e Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa). Humilhados e ofendidos (Fiódor Dostoiévski). As Aventuras de Pedrinho [também publicado como Caçadas de Pedrinho, Monteiro Lobato]. Ah!! E Agatha Christie. Todos. Também amo contos de fadas e livros de mitologia.

4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito?

A produção literária suburbana carioca me agrada muito. Gostei muito de Um defeito de cor (Ana Maria Gonçalves) e gosto de ler meus amigos escritores também.

5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

NENHUM! Estou envolvido com algumas ilustrações encomendadas e gestando um livro infantil.

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6- O que você já publicou até aqui?

Já participei como escritor convidado dos livros Remetente n.14 e do Crônicas de A a Z. Tenho meus SUBURBURINHOS, o um e o dois. Escrevi para o jornal O DIA e sou escritor convidado da FLIQUE. Tenho um PDF (e-book) lançado também: NUNCA FOI SORTE SEMPRE FOI MACUMBA.

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7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

Pela minha página do Facebook.

8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Tendo a buscar a prosa, mas se o autor me encantar eu leio até monografia.

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9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Vender meus PDFs e meus livros tem me ajudado bastante, mas eu também canto e sou ilustrador. Estou conseguindo me manter com certa decência.

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10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política?

Acho que qualquer artista minimamente conectado com sua verdade acaba fazendo política. O artista retrata e expressa a contemporaneidade. Isso é retratar a história, o aqui e o agora. A minha arte é filha da liberdade e é natural e necessário que eu me manifeste pela preservação dessa livre expressão.

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11- Em que momento da vida você sentiu: “eu sou escritor(a)”.

Ainda não aconteceu, mas entendo que alguns me chamem assim e gosto.

12- Qual é a pergunta que você gostaria de responder e eu não fiz?

“Qual é o escritor que você mais lamenta por não gostar?” Gente... Tá certa a construção dessa pergunta? Enfim, é essa pergunta que eu acho que faltou. Mentira! Não faltou nada. Foi tudo ótimo. Adorei!

13- Qual é seu próximo projeto literário?

Eu acho que escreverei algo pras crianças. Ainda não sei. Tem outras coisas encaminhadas, mas essa ideia de fazer um livro infantil tem me atravessado.

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Deixe uma frase ou fragmento de texto para quem leu esta entrevista:

“E daqui te vejo com a carne nua, tentando guardar a madrugada debaixo das roupas rasgadas, pregando a noite nas poças da rua. Prevejo tua vontade louca desvendada e testemunho sua boca escancarada mordendo a beira da lua.”

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Onde encontrar André Gabeh?

Instagram @euandregabeh

Facebook facebook.com/AndreGabeh

Twitter @AndreGabeh

Para comprar os livros de André Gabeh, entre em contato direto com ele através do Instagram, Facebook ou Twitter.


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo). .
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