café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo).

“A poesia me faz viva” confessa Fernanda Villas Bôas

Fernanda Villas Bôas é psicóloga junguiana e poeta com várias obras publicadas. Apaixonada pelas letras, sua poesia é leve, espontânea e por vezes visceral – cheia de imagens do inconsciente que ela permite transbordar para o papel. Conheça um pouco desta mulher e de sua escrita.


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe hoje a poeta Fernanda Villas Bôas que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

Comecei a escrever aos 14 anos e era um prazer fazer um diário que guardo até hoje. A família sabia por alto que eu gostava de escrever, mas nada especial. Era eu solitária. Não houve apoio nem era algo tão inusitado para ninguém. Fui escrevendo. Li muita poesia francesa (Paul Eluard, Aragon), os portugueses, os ingleses, brasileiros contemporâneos, Jorge de Lima, Drummond, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, entre outros.

2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Escrever é um dom daqueles que transpiram e questionam o sentido da vida.

3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira?

Rainer Maria Rilke, Shakespeare, Thomas Dylan. William Blake, Paul Eluard, Aragon, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Machado de Assis, Garcia Lorca.

4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito?

São tantos que dificulta a escolha. Vou citar alguns brasileiros: Clarice Lispector, Rubem Fonseca, Ariano Suassuna, Leminsky e estrangeiros: James Joyce, Sallinger, W.G. Sebald, Antonio Lobo.

5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

“Vertigem” de W. G. Sebald e “Cinema em Código” de Alexandre Lydia.

6- O que você já publicou até aqui?

Tenho vários livros publicados, tais como: “Luz Própria”; “Análise Poética do Discurso de Orfeu”; “Agora eu era o Herói – Estudo dos Arquétipos junguianos no discurso simbólico de Chico Buarque” (2010), “A Fração Inatingível” (2017, Editora Chiado). “No Limiar da Liberdade” (2015, Editora Chiado) faço uma ponte entre a atual poesia escrita a partir de 2012 com a primeira parte publicada em 1982, suprindo o desejo de ser presente diante do sofrimento humano e às almas que me procuram. Em 2016 lancei “Alta Voltagem” (Editora Penalux). Já em 2018, publiquei “Alma Lasciva” e “Ave do Paraíso”, ambos pela editora Penalux. O mais recente livro foi “No Coração da Loucura” (Editora Penalux) com o próximo a ser lançado quando for possível. Batizei-o como “Fome de Amor”.

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7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

É uma pergunta difícil de responder. Há fases. Diria que “No Limiar da liberdade” é imprescindível, talvez por abranger duas décadas e me fazer reconhecida. Já “Alta Voltagem” é marcante enquanto poesia. A minha poesia é simples, direta, às vezes é leve, às vezes nem tanto.

Deixarei queimarem meu corpo/ Se das cinzas renascesse meu povo. (“Se um dia”)

8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Gosto de prosa e de poesia. O importante na leitura é a identificação com o autor. Se ele se expressa através da prosa é tão absorvido quanto se for poeta. Guimarães Rosa, por exemplo, é um dos meus ficcionistas prediletos e Jorge de Lima, para mim o mais completo poeta de sua geração. O mesmo vale para os contos, a novela e o romance. Ninguém escreveu contos tão filosóficos quanto Clarice Lispector. O romance psicológico que fascina, como em “Angústia” de Graciliano Ramos.

9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Sou psicóloga junguiana e clinico há cerca de 22 anos. Além destes honorários, recebo uma aposentadoria como Professora de Inglês pelo Município do Rio de Janeiro.

10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política?

O estado de poesia nasce subitamente através das imagens inconscientes que pedem passagem para se tornarem palavras. Não processo nada. Há uma vibração forte que escancara as janelas do invisível, amplia o universo trazendo a ilusão da divindade e me dando o poder da criação através das letras. Paixão, letra, língua se unem em versos. As palavras brotam a seu ritmo e gosto. Jorram e se inventam desde o inconsciente. A poesia é a mais pura expressão do espírito. É Luz. A poesia me faz viva. Uso a poesia como matéria prima para relatar minhas impressões do mundo.

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11- Em que momento da vida você sentiu: “eu sou escritora”.

Não houve um momento preciso. Ser escritor, assim como ser um artista, passa por uma longa trajetória. As diferentes fases completam o sentimento de estar inteiro de corpo e alma na paixão da letra. Eu ainda me procuro muito. Somos inacabados.

12- Qual é a pergunta que você gostaria de responder e eu não fiz?

Você é especial, como pessoa, e eu lhe convidaria a continuar nossa conversa qualquer hora. Nada acaba para sempre. Desde que lhe conheci, Marcio, tenho uma grande admiração pelas suas intuições, publicações e forma de ver o mundo, tanto na escrita como no lado espiritual. [Surpreso e tímido, o editor agradece a generosidade]

13- Qual é seu próximo projeto literário?

“Misericórdia” e já está sendo escrito. Mescla prosa e poesia.

Deixe uma frase ou fragmento de texto para quem leu esta entrevista:

de nada sabia

nem da cor do mar

tinha certeza

azul e turquesa

sem precisão

me falaram ao coração

Não teve jeito

Era meio dia

e nada mais perfeito.

nada existia

senão

a fala do silêncio.

vinha como as ondas

soprar histórias

contar e recontar

sentimentos

alegrias

mágoas, agonias.

o silêncio era eu

e de mim não sairia

a linguagem do silêncio

me inquietava as pernas

molhadas pelo mar.

Silêncio erótico.

Todo o universo

comigo, agora.

As pernas dançaram um mambo

e o corpo procurou

falar entre ritmos

e sons do silêncio

a excitar todos os sentidos

antes ávidos

plenos de desejo.

ouvi o silêncio

e ousei mergulhar

nos recônditos do ser

apenas escutando

do silêncio

sua liberdade.

(O silêncio fala)

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Onde encontrar Fernanda Villas Bôas?

Facebook: Fernanda Villas Bôas

Instagram: @villasfernanda

E-mail: [email protected]

Você comprar e-book de Fernanda Villas Bôas na Amazon e os livros físicos nas lojas virtuais da Editora Chiado e Editora Penalux.


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo). .
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