café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições).

“Literatura se faz com muitas lutas, dores, dissabores e angústias”, diz o contista pernambucano Ney Anderson

Ney Anderson (Recife-PE, 1984) é jornalista, escritor e crítico literário. Tem contos publicados em diversas antologias. Entre elas, Contos de Oficina (Editora Bagaço,2007-2008-2009-2010), Livrinho de Papel Finíssimo (2011) e Carrero com 70 (Cepe Editora – 2018). Participou ainda da antologia Os novos escritores pernambucanos do século XXI (Diário Oficial de Pernambuco, 2008). Desde 2011 mantém o site Angústia Criadora, especializado em resenhas literárias. Já colaborou com artigos críticos para os jornais O Estado de S. Paulo e Estado de Minas. É também colunista de literatura da rádio CBN Recife. "O Espetáculo da Ausência" é o seu primeiro livro.


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe o jornalista, escritor e crítico literário, Ney Anderson, editor do site de literatura Angústia Criadora, que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

Comecei a escrever quando entrei na adolescência. Mas eram coisas que não posso considerar nunca como literatura, ficção, prosa, enfim. Mas algo de um primeiro impulso desconhecido. Textos desconexos, que não diziam nada. Apenas se materializavam como forma de descoberta, descontentamento, deslocamento. No entanto, essa primeira fase criativa me preparou para os próximos passos. Dificilmente eu estaria aqui respondendo a estas perguntas se não fosse por conta daquelas explorações ao submundo da mente.

2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Não acredito que escrever literatura seja um dom. Eu diria, vocação. Mesmo assim é nebuloso afirmar isso. Porque tudo parte de uma escolha, como qualquer outra profissão ou ofício. Lógico que a partir do momento em que entramos em qualquer área, queremos fazer sempre da melhor forma. E tudo passa a se alinhar nesse sentido. A força de vontade e o suor derramado para fazer determinada função bem feita, por exemplo. É aí que muita gente confunde com dom, inspiração etc. A base de todo escritor é a leitura. Foi ela que me despertou para a vontade de escrever. Mas depois dessa vontade, o que é que veio a seguir? Justamente a ideia concreta em criar histórias. Tudo isso funciona em conjunto com o ato da leitura. Porque ela sempre será o alicerce. É lendo que se aprende a escrever. É o clichê mais antigo e verdadeiro sobre o ato da escrita. Você pode ir para a melhor oficina do mundo, mas se não for um leitor assíduo, comprometido, inquieto, é praticamente impossível se tornar escritor. Não posso deixar de citar o escritor Raimundo Carrero, de quem eu sou eternamente grato, por ele ter me ensinado a ler tecnicamente. Me mostrando o que cada coisa representa dentro de um enredo ficcional. E por ter aumentado ainda mais o meu amor pelos livros. Mas voltando ao que eu estava dizendo. Enquanto a leitura dá os subsídios técnicos, as inquietações que cada um carrega, e as observações atentas, servem para formar o componente criativo. A transformação íntima de cada pessoa em ficcionista. E não estou falando puramente de questões complexas, existenciais. Pode ser um detalhe, algo corriqueiro, mas que toque o coração, de todas as formas possíveis. Muita gente se influencia em muitas coisas para escrever. O saudoso Sérgio Sant’Anna frequentava exposições de arte para garimpar alguma ideia para o seu trabalho. Isso lhe servia de gatilho. Eu sempre gostei de música. Hoje noto que as melodias me servem como esse gatilho criativo. Já escrevi muita coisa sob a influência de canções. Mas sou alguém atento também. Não deixo passar nada. O dia a dia me ajuda bastante a ter ideias para novas histórias. Quase sempre pendendo para a atmosfera urbana.

Caminhar pelo centro do Recife é como estar em um grande laboratório. Eu fico empolgado, vendo tudo pelo prisma da ficção. Sempre anotando ideias a partir de situações bem corriqueiras. Mas pensando em como mostrar o lado interno dos personagens, o aspecto obscuro da mente humana, habitada pelo desconhecido etc. Isso é o que me dá calafrios na hora que estou começando a pensar em determinado enredo. As minhas narrativas nascem assim. É o meu processo criativo. Os meus contos falam da mãe que substitui a filha morta por uma boneca. O artista plástico que pinta mulheres assassinadas em seu ateliê. A poeta que se acha santa. Ou o contrário. Ou a mulher que pretende ser manchete dos jornais encomendando o próprio assassinato. A travesti setentona, com muitas lembranças e complexos. E por aí vai. “O Espetáculo da Ausência”, o meu livro de estreia que foi publicado pela Patuá neste ano, é todo dessa forma. A literatura funciona para mim como campo de liberdade. Caso contrário, não faria sentido em produzir ficção. O meu livro tem 33 contos que percorrem ruas, esquinas e os escombros dos personagens, seja ele uma dona de casa ou um padre.

3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira? Quais autoras e autores influenciaram tua escrita?

Antes de mais nada, é preciso ler e reler os clássicos. Sempre. E por toda a vida. Livros como Dom Quixote, A metamorfose, O retrato de Dorian Gray, Um conto de Natal, O Conde de Monte Cristo, Recordação da Casa dos Mortos, Dom Casmurro, O estrangeiro, O Corvo, Cem anos de solidão, Conversa na catedral, Ensaio sobre a cegueira, Avalovara, Lavoura Arcaica, Moby Dick, Vidas Secas, Morte e Vida Severina, Terras do sem fim, A Hora da Estrela, Crônica da Casa Assassinada, A Pedra do Reino, e tantos outros, me fizeram entender a grandiosidade do texto literário. Mas também as leituras dos livros policiais, como O falcão maltês, O longo Adeus, O caso dos dez negrinhos, Sherlock Holmes. Romances distópicos, a exemplo de Neuromancer, Admirável mundo novo, 1984 e Fahrenheit 451. Atualmente estou encantado com um clássico que eu nunca havia lido. Coração das trevas, de Conrad. Ou seja, eu sempre li de tudo. Sem preocupação com nada, apenas com o prazer da leitura. Lógico, hoje não é mais assim, por pura falta de tempo, mas ainda bem que a minha leitura no início foi caótica e sem planejamento. Me ajudou a ter uma compreensão do todo, não apenas de uma parte.

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4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito? Quem você indica, entre os contemporâneos, para as pessoas lerem?

É até pecado falar em apenas alguns nomes da cena atual (risos). Porque é muita gente boa escrevendo. Mas arrisco dizer. Alê Motta, João Paulo Parisio, Bruno Ribeiro, Roberto Menezes, Cecita Rodrigues, Hugo Guimarães, Ivandro Menezes, André Balaio, Cristhiano Aguiar, Cleyton Cabral, Morgana Kretzmann, Luigi Ricciadi, Whisner Fraga, Lima Trindade, Paulo Bono, Mike Sullivan, Bruna Meneguetti, André Timm, Luanda Julião, Mariana Salomão Carrara, Maria Fernanda Elias Maglio, Lucrecia Zappi. Mas também autores de outra geração, que não param de produzir. A lista pode se estender por várias páginas. A literatura brasileira atual é pulsante.

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5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

Neste momento estou lendo o livro de contos “Urubus”, de Carla Bessa, publicado pela Confraria do Vento. Não conhecia a autora e estou gostando bastante da prosa dela. Aliás, estou com uma fila de livros de autoras que pretendo resenhar. Entre eles, “Atrás do baú de guardados”, de Lenita Estrela de Sá; “Ninguém abandona o paraíso pela porta da frente”, da Helena Cerello. E “Entremeios”, de Cássia Penteado.

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6- O que você já publicou até aqui? Foi difícil publicar?

Já publiquei diversos contos em antologias. E agora estou com o meu primeiro livro solo, “O Espetáculo da Ausência”. Que tem se saído muito bem entre a crítica e os leitores. Agradeço ao meu editor Eduardo Lacerda por ter apostado no livro. Percorri um certo caminho até acontecer de fato a publicação. Como acontece constantemente com quem está começando, eu tive algumas recusas. Até a Patuá me aceitar.

7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

Recomendo começar por este livro. Está condensado o melhor de mim até agora. Foram dez anos escrevendo, reescrevendo, rasgando, queimando folhas (risos), até encontrar a unidade que eu estava buscando. “O Espetáculo da Ausência” representa, portanto, a realização da minha busca por algo que eu sempre persegui. O meu olhar particular sobre as coisas. A minha verdade ficcional.

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8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Enquanto escritor, prefiro escrever prosa. Especificamente o conto. Até abro um parêntese sobre essa predileção. Não se trata de algo mais fácil de escrever, por conta do tamanho, em geral, reduzido. Não é isso. Gosto do conto por conta da pluralidade de vozes que podem ser exploradas e do sentido de urgência que cada uma delas carrega. E também das entrelinhas, mesmo quando o texto é mais direto. Faço esse exercício sempre na minha ficção. Nunca uma história é somente a que está na superfície, ao olho nu do leitor. Por isso que as opiniões sobre “O Espetáculo da Ausência” são diversas, porque o livro é diverso. E pela existência do componente que vai para além do que está escrito. O conto me possibilita exercitar o lado oculto, o subentendido. Quero explorar o máximo que eu puder as narrativas concisas. Não sei como vai ser no futuro, eu posso (por que não?), escrever algo maior, que precise da estrutura da novela ou do romance. No momento, o conto me dá todas as possibilidades de criação para as minhas inquietações.

Por outro lado, como eu escrevo há mais de nove no site Angústia Criadora (www.angustiacriadora.com), um espaço exclusivamente de crítica literária, acabo lendo tudo. Para me manter sempre atualizado com resenhas e artigos novos. Então, não existe uma preferência nesse sentido específico da crítica. Sempre busco algo interessante, autores que se preocupam com o fazer literário, e boas obras para indicar. É um trabalho, ao mesmo tempo, prazeroso e árduo. Por conta da enorme quantidade de novos livros que são lançados a cada mês. Mas o meu site, como também os perfis do Angústia Criadora no Instagram e Facebook, acabam servindo como complemento. Já que existem diversos outros sites e páginas de literatura nas redes sociais formando uma grande cadeia de divulgação do livro e da leitura.

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9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Eu sou jornalista de formação. Atualmente trabalho com assessoria de comunicação governamental. Publico esporadicamente em alguns jornais no Brasil. E sou também colunista de literatura da rádio CBN Recife. Estou disponível para fazer trabalhos de análise de originais, assessoria literária, mediação de bate-papos e curadoria de eventos da área.

10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política?

A pluralidade de ideais, de obras e de engajamento com várias questões é sempre muito benéfica para qualquer arte. Embora eu não escreva especificamente para atingir este foco, acredito que as histórias que eu escrevo (que estão no Espetáculo da Ausência e nos outros contos publicados em antologias) têm várias mensagens que podem direcionar para estas questões. Seja ela política ou de tema social. Quando eu crio um conto protagonizado por uma travesti na terceira idade, no meio do carnaval, servindo de chacota e de olhares pouco louváveis, estou mostrando o preconceito contra estas pessoas. Ou então quando dois personagens estão dentro de um cinema destruído, fugindo da barbárie que toma conta das ruas, de grupos que incendeiam, sobretudo, os equipamentos culturais, como teatros, bibliotecas etc, mostro que a arte é a grande inimiga de certo grupo social. E ainda os vários personagens dos meus contos que vagueiam pelas ruas, procurando algum tipo de redenção, entregues à própria sorte ou à devassidão. Ou seja, analisando bem, creio que toda arte acaba sendo política, mesmo quando ela não fala explicitamente. No entanto, alguns temas que estão rondando a minha cabeça apontam para assuntos mais específicos, de cunho social. Crianças que moram na rua, mulheres que se vingam da sociedade machista. Coisas que me incomodam já há algum tempo, que eu pretendo desenvolver em breve.

11- Em que momento da vida você sentiu... “eu sou escritor”.

Quando senti frio na barriga, depois de ter visto uma cena e querer imediatamente criar uma história baseada naquela determinada situação.

12- O que é ser escritor em um país onde não se vive de literatura e que o livro não faz parte do hábito de consumo da maioria das pessoas?

Se assumir como escritor nessas condições, implica em aceitar em ser um eterno inconformado, caminhando sempre na margem de muitos escombros. É ainda mais clara essa observação no Brasil atual, do desmonte da cultura, da taxação de livros e tantas e tantas outras arbitrariedades, que acaba renegando o artista para uma condição de mendigo de si mesmo. Sobre isso, aliás, é bom que se diga. Estamos a cada novo dia regredindo várias casas. E não foi por falta de aviso.

Como qualquer outro ofício, se espera receber algo em troca por conta da dedicação, do suor derramado, das noites mal dormidas e do olhar desconfiado das pessoas. Sim. Porque quando nos perguntam quanto ganhamos com o livro, e ouvem a resposta, ficam com aquela cara de interrogação (“então, qual o sentido em perder tempo escrevendo se não existe retorno financeiro?”, devem pensar (RISOS)). Eu estou no começo da carreira e já percebo claramente isso.

A meu ver, o escritor será sempre essa figura deslocada, que cria, cria, cria, como uma espécie de sadomasoquista, na intenção de encontrar algum tipo de salvação (de compreensão). Se não houver algo mais objetivo, com investimento pesado na educação, sempre iremos ficar falando sobre as mesmíssimas coisas. Na utopia que nunca vai deixar de ser sonho impossível de ser realizado.

Se eu puder resumir, e é apenas um resumo bem simplório, hoje temos dois lados da moeda. O Brasil que não lê. E o Brasil que tem um potencial enorme de ser uma nação de leitores. Eu sou esperançoso com a segunda alternativa. Um país não forma um Machado de Assis ou um Guimarães Rosa por acaso. Existe um lado muito forte, resistente, de esperança por dias melhores, que luta todos os dias contra forças obscuras.

No fundo, o escritor, e o artista em geral, é aquele ser que sempre busca encontrar a luz no fim do túnel. Mesmo com todo o pessimismo ao redor e as adversidades, ficamos com aquela pontinha de fé que o cenário vai mudar para melhor. Quando alguém me diz que começou a ler por conta das minhas indicações e das minhas resenhas, a confiança é fortalecida. Mais um leitor surgiu. Mais uma nuvem se dissipou. E agora, poder tocar o coração das pessoas como autor de ficção, ouvir relatos de que a leitura do meu livro foi prazerosa, embora inquietante, é algo inexplicável. Uma sensação indescritível. Não quero fazer pose de escritor. Não sou um manequim esperando o pedestal da glória vazia. Quero que a minha ficção sirva para estimular as pessoas a compreenderem a complexidade da existência. O verdadeiro sucesso é alcançar esse objetivo artístico. Literatura se faz com muitas lutas, muitas dores, dissabores e angústias. Se ainda não dá para vivermos do que escrevemos, que os livros que produzimos nos garantam, ao menos, a vida eterna. O registro da nossa passagem por este mundo.

13- Qual é seu próximo projeto literário? Ainda este ano?

Estou rascunhando, amadurecendo ideias. Mas “O Espetáculo da Ausência” acabou de ser lançado. Vivo a emoção do primeiro livro, algo maravilhoso e inédito para mim, que tem me deixado bastante feliz pela recepção que a obra vem tendo no país. Ou seja, tenho uma longa estrada pela frente com este trabalho. Assim espero. Mas uma coisa é certa. Passei dez anos escrevendo O Espetáculo... O próximo não vai demorar tanto.

Ney Anderson deixou este conto para quem lê nosso #cafépósmoderno

Deixo aqui um conto do meu livro “O espetáculo da ausência”. O nome dele é “Tela em branco”.

"Ele já estava olhando para a tela há algum tempo. O cavalete bem posicionado na lateral da porta de entrada, no local que ele mesmo denominou de “jaula”. Um quartinho de empregada, sem janela, nem banheiro e com a pouca luz de um abajur enferrujado no canto da mesa. O pincel na mão e um cigarro na outra. Eugênio nunca teve bloqueio criativo, mas começou a ter quando resolveu desenhar de pé, para poupar a coluna das horas que ficava debruçado sobre folhas enormes de papel.

O trabalho daquela semana era algo simples, que a editora tinha pedido como em tantas outras vezes. Dessa vez ele tinha sido contratado para fazer a capa de um livro de contos, conforme indicação do próprio autor, que era fã do seu trabalho. Eugênio recebeu os originais no mesmo dia. Precisava ler antes, mergulhar no universo do escritor, e só então começar a fazer o trabalho.

Ele tinha várias ideias anotadas e outras em gestação para pintar as suas histórias. Considerava os próprios traços como enredos literários. Ainda que inconclusos. Coisas curtas. Cenas, situações do dia a dia, expressões que ele achava se tratar de algo importante para criar. Mas ainda eram apenas considerados rascunhos.

A principal delas. Uma tela enorme exibia o dorso nu de uma jovem mulher. Nessa história, em forma de pintura, ela não tinha namorado e os amigos eram poucos. Tinha carinho pelo poeta andarilho, que surgia do nada e desaparecia da mesma forma. Assim como ela mesma.

Ele tentava saber coisas secretas da moça que desenha no quadro, a encomenda para ilustrar a capa do livro recente do amigo escritor, que ainda não tinha nome. Para ele, a moça acordava cedo, fazia o café, ligava a tevê e ficava mexendo por algum tempo no celular. Com quem ela falava todas as manhãs?

O artista abriu o caderno e fez algumas anotações. Tudo lhe servia de material. A pintura era como um conto, que iria se interligando igual um grande quebra-cabeças, um Frankenstein lírico. E ele, o criador do monstro, estava adorando a sua nova invenção. Ainda mais porque o seu manequim estava ali na sua frente, perfeita, deitada, sem piscar. Nem respirar."

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Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições). .
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