café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições).

"muita transpiração e leitura", ensina Marcel Felipe Omena

Dom, transpiração e leitura. É assim que o poeta Marcel Felipe Omena vai construindo sua poética.


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe o escritor Marcel Felipe Omena que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

Meu interesse pela escrita vem desde muito cedo. Aos dez anos eu dizia que seria arquiteto e escritor. Mas foi na pré-adolescência que eu comecei a escrever de fato: letras de música. A minha primeira letra foi aos onze anos e se chamava “Gritos de Napalm” inspirado numa aula de história que falava sobre guerra; eu lembro que fiz na sala mesmo os primeiros esboços dessa letra:

“Você já sentiu a sua pele formigar?

Vou acreditar num bom motivo pra sonhar

Bombardeio e ataque pelos ares

Gritos de napalm mesmo se entrar nos mares”

Arquiteto não virei, mas nunca mais parei de escrever.

2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Ambos. Escrever pode ser dom, mas acredito que todo “dom” deve ser lapidado. Como tocar um instrumento. Se você treinar pelo menos vinte minutos todo dia, você progride... Escrever, a repetição da escrita, faz o escritor se achar no seu estilo. Inicialmente o escritor, em minha opinião, começa a escrever porque se inquietou com algo, podendo ser algo que leu em algum livro e que o despertou. Falo por mim. Quando comecei a tentar escrever um livro, a minha escrita era formal e cheia de palavras rebuscadas, isso porque tinha lido “Memórias Póstumas de Brás Cucas” (Machado de Assis) e queria fazer algo parecido. O que eu quero dizer é que com a repetição da escrita a gente amadurece as palavras; quando deixa de copiar alguém a gente acha nosso estilo. Por isso acho que escrever pode ser um dom que tem que ser amadurecido com muita transpiração e leitura.

3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira?

Quando se fala em clássicos, alguns nomes aparecem na minha cabeça, mas acho que o que mais me marcou foi “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis). Esse livro realista mexeu comigo por ser um livro tão atual – ou nada mudou (aspectos sociais) desde a aquela época? O fato é que a ironia do personagem (defunto-autor) em falar abertamente sobre a vida me cativou; ele dizia que a morte era um alívio porque poderia falar tudo que pensa. Foi depois de ler esse livro que eu quis escrever um.

4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito?

Tem escritores que eu admiro muito, escritores que eu acho que deveriam ter seus livros em todas as estantes de livrarias. Os irmãos do Rolé literário: Michel Indiano Saraiva, Sylvia Arcuri, André Gabeh, André U Motorista e seus passageiros fantásticos, Fábio Carvalho, Fábio Cezar, Flavio Braba, Philippe Valentim, Diego Bração, Bruno Rico, Neliana Silva, Jardes Lira, Márcio Fortes, Moises Neto, Marcio Sales Saraiva e muitos outros. Ultimamente tenho lido esse time de peso.

5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

“Suburburinho 2” do incrível André Gabeh.

6- O que você já publicou até aqui? Foi difícil publicar?

Tenho dois livros publicados: “Contos do trem” e “29 bois caíram do penhasco”. Publicar até que não foi tão difícil; mais difícil é engajar leitura em pessoas (a maioria) que não tem interesse em ler.

7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

“Contos do trem” é um poema de fácil entendimento e retrata bem o subúrbio e o cotidiano dos trens cariocas.

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8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance? Quais são as suas preferências de leitura e de trabalho literário.

Poesia! A maioria dos meus escritos são poesias. Um livro de poesia que eu gosto muito é o “Uivo” de Allen Ginsberg.

9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Fazer da literatura um sustento é algo que eu não almejo, pois sei que é muito difícil. Faço literatura por amor. É claro... se ela virasse sustento seria a coisa mais incrível do mundo. Na verdade eu não ganho um tostão com a minha arte: música, desenho, literatura... Eu ganho o pão sendo gestor de loja e, recentemente, montei uma dogueria em delivery chamada “Racha Cuca”. Gastronomia é uma das minhas paixões.

10- Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política? Você prefere falar apenas de literatura ou engaja-se em causas sociais?

Acho que as minhas manifestações literárias são entrelaçadas, de alguma forma, aos problemas sociopolíticos, mesmo que não seja um protesto explícito, mas está ali, nas entrelinhas. Acho muito importante essa responsabilidade social e o enfrentamento de todos os tipos de preconceito.

11- Em que momento da vida você sentiu: “eu sou escritor”.

Quando publiquei meu primeiro livro tive certeza, mas antes disso eu já me considerava um escritor.

12- Qual é a pergunta que você gostaria de responder e eu não fiz?

Das minhas outras artes como a música, os desenhos; eu sou baixista e tenho banda desde os onze anos de idade. Atualmente estou gravando um disco das minhas composições. Como estamos em quarentena, estou gravando sozinho no violão, de maneira simples e caseira. Em relação ao desenho, desde que me entendo por gente, desenho. Esse dom ficou um pouco esquecido e voltou ano passado, 2019, depois de mais de quinze anos sem desenhar nada.

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13- Qual é seu próximo projeto literário?

Tenho alguns livros prontos. Mas o próximo que está no gatilho é uma obra com três poemas:

Errante, Amarelo abutre, Poemas da 40tena

Talvez final desse ano eu publique.

Deixe uma frase ou fragmento de texto para quem leu esta entrevista:

Vou deixar um trecho do livro “29 bois caíram do penhasco”:

(...)

Memórias afetivas

Alegrias e falhas da vida

Cargas nostálgicas

Coisas que a gente vive

O povo grita:

Dias amenos e sem chuva

O meu descaso grita:

Ame o próximo

A animosidade grita:

Quem nunca errou que atire a pedra

O fiel vai à frente e grita:

Deus seja louvado nas cédulas de real

A rédea encobre a visão

Amor à sabedoria

A ignorância dos sentidos

Intervenção cirúrgica do cérebro

Perspectiva do futuro.”

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Onde encontrar Marcel Felipe Omena?

Facebook: https://www.facebook.com/marcel.f.omena

Instagram @marcelfelipeomena

E-mail: [email protected]

Seus livros:

O livro “Contos do trem” pode ser adquirido no site da Editora Metanoia.

O livro “29 bois caíram do penhasco” é direto com o autor. Contato (21) 96428-5831.


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições). .
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