café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo).

"Nunca pensei que escreveria um romance", diz a poeta Lia Sena

Nosso blog CAFÉ PÓSMODERNO recebe a escritora Lia Sena que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento do seu trabalho.


Lia Sena 1.jpg

Em tempo de pandemia, nos adaptamos. Começamos este projeto de entrevistas com escritoras e escritores que não abandonam as trincheiras literárias, independente das dificuldades do mercado. São mulheres e homens que, geralmente, têm pouco espaço na grande mídia, mesmo tendo uma produção textual de alta qualidade, prosa ou poesia.

Nesse sentido, nosso CAFÉ PÓSMODERNO abre seu espaço para essas vozes, entendendo que a força do portal Obvious (com mais de 1 milhão de seguidorxs no facebook e uma poderosa newsletter com dezena de milhares de e-mails cadastrados) deve ser posta a serviço da literatura brasileira contemporânea.

Bem, vamos ao que interessa. Lia Sena...

1- Quando você começou a escrever?

Escrevo desde sempre. Não tenho uma memória de quando ou como, comecei a escrever. Escrevia versos nos cadernos e não mostrava pra ninguém, mas algumas coleguinhas de escola receberam poemas meus de presente. Claro que eram versos bem simples que foram melhorando ao longo da vida.

2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Escrever é algo bem natural pra mim. É espontâneo, fácil e não posso dizer que precisa de “transpiração”. Não sei se posso chamar de dom, mas creio que um talento natural, aliado a muita leitura, que exercito desde a infância, por puro prazer.

3- Quais os clássicos da literatura você mais admira?

Não gosto de falar de clássicos; não sou uma intelectual. Digo que já li de Camus a Guimarães Rosa, Wisława Szymborska à Elisa Lucinda. Leituras muito diversificadas e que me agradem. Não estou preocupada com clássicos.

4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito?

De uns anos pra cá, leio muito, e todos os dias, autoras contemporâneas e vivas, a maioria delas, minhas amigas, parceiras de literatura. Cinthia Kriemler, Lázara Papandrea, Maria Valéria Rezende, Rosângela Vieira Rocha, Marilia Kubota, Roberta Gasparotto, Chris Herrmann, Elke Lubitz, Jovina Souza, Maya Falks, Maria Marta Nardi, Fabíola Lacerda, Rita Santana, Adriane Garcia, Águeda Magalhães, Ivy Menon, Angela Zanirato, Claudia Manzolillo, Daniela Galdino, Nic Cardeal, Líria Porto... Ficaria aqui escrevendo páginas inteiras e, ainda assim, esqueceria alguns nomes. São escritoras maravilhosas, da prosa e da poesia. As obras podem ser facilmente encontradas, fazendo uma pesquisa; algumas nem publicaram livros físicos ainda, mas podem ser encontradas nas Revistas Eletrônicas e nas mídias sociais. Quero destacar também a escrita de um menino incrível, do qual sou leitora: Seh M. Pereira.

5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

Acabei de ler, “Abusada” da escritora amiga, Sonia Nabarrete, estou lendo “As boas mulheres da China” de Xinram e começando, “mulheres que correm com os lobos” de Clarissa Pinkola Estés. Vou alternando as leituras, de acordo com o momento.

6- O que você já publicou até aqui?

Quatro livros de poesia e um Romance: Pedaços (Editora Interbahia/1988); Por Todo Risco (Edição independente/2013); Lume dos Anseios (Edições Mac/2014); De foro Íntimo (Editora Penalux/2018); depois o AMOR (Selo editorial Ser MulherArte, versão digital/2020). Nesse entremeio, muitas Antologias, incluindo, Outras Carolinas – Mulherio da Bahia (Editora Penalux/2017), da qual fui uma das organizadoras e participei com poemas. Venci o III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia com o livro “Na Veia da Palavra” que sairá em breve pela Editus.

Lia Sena capa do livro atual.jpg

7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

Tenho muita coisa nas redes sociais; publico poemas quase diariamente no facebook, tenho muitas publicações em Revistas eletrônicas como Ser MulherArte, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Escrita Droide, Amaité, Literatura e Fechadura... São muitas, mas em livro, recomendo muito o “De foro íntimo” da Penalux e o Romance que lancei agora, “depois o AMOR”, livros que representam muito a minha escrita atualmente e têm me dado muitas alegrias.

8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Eu sou essencialmente poeta, mas descobri, ao longo do tempo, que também posso escrever bem em prosa; o feedback que recebo para os meus contos e agora, para o romance, publicado recentemente, atestam isso, mas a poesia é realmente o meu lugar na escrita. Para ler, gosto de todas as vertentes, dos quadrinhos ao romance.

9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Sobreviver de literatura no Brasil, é algo impensável, até para os grandes nomes. Quem pensa em ser escritor/a, pra ganhar dinheiro, pode buscar outro caminho, mas tenho alguns trabalhos como artesã e recebo aluguéis que ajudam na sobrevivência.

10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política? Você prefere falar apenas de literatura ou engaja-se em causas sociais?

Não acredito em arte desvinculada do contexto sociopolítico. Sinto que qualquer artista tem que arcar com o mínimo de responsabilidade social, pois é um formador de opinião. Claro que existem as obras mais contemplativas, mais voltadas a outros temas, mas em meus livros, há sempre uma parte composta por poemas de cunho sociopolítico, assim como nas narrativas, mesmo que a abordagem seja leve, há sempre uma deixa para reflexão e enfrentamento.

11- Em que momento da vida você sentiu: “eu sou escritora”.

Acho que quando concordei em publicar o primeiro livro.

12- Qual é a pergunta que você gostaria de responder e eu não fiz?

Sobre outros projetos dentro da arte, tenho algumas canções em parceria e uma composição (letra e melodia); uma música que fiz em homenagem a meu pai e gosto muito. Atualmente sou Editora adjunta de uma Revista eletrônica de arte que contempla o fazer artístico de mulheres e de vez em quando, dá apenas, “uma colher de chá” para os homens, a Revista Ser MulherArte, criada pela escritora carioca, residente na Alemanha, Chris Herrmann (editora e webdesigner da revista). Através dela, num trabalho voluntário, divulgamos diariamente, o trabalho de muitas artistas. Considero relevante também, a minha participação no Coletivo Literário Feminista, Mulherio das Letras (grupo nacional) e o meu papel de Articuladora do Mulherio das Letras da Bahia.

13- Qual é seu próximo projeto literário?

Não faço projetos. Tudo flui naturalmente e vai acontecendo. Por exemplo, nunca pensei que escreveria um romance, comecei sem nenhum compromisso e aconteceu.

Lia Sena outro livro.jpg

Deixe uma frase ou fragmento de texto para quem leu esta entrevista:

Vou deixar um poema do livro “De foro íntimo” da Penalux.

achava bonito aquele

jeito que elas contavam.

a fila do açougue

o preço do leite

a menina crescida que

tava dando trabalho (...)

eu fingia dar de comer

às bonecas

e ouvia

ouvia.

Achava engraçado (...)

não cabia naquelas conversas

minha vida de menina

que lia

lia

e escrevia versos no chão da cozinha (...)

(“das conversas” ─ Lia Sena)

Onde encontrar Lia Sena?

Facebook https://www.facebook.com/lia.sena.7

Instagram sena3249

Seu livro de poemas, “De foro íntimo”, pode ser pedido diretamente no site da Editora Penalux.

O romance, “depois o AMOR”, pode ser adquirido diretamente com a escritora através do messenger, direct ou pelo email [email protected]


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo). .
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