café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições).

Tere Tavares e as palavras como pinceladas sobre o mundo


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe Tere Tavares que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

Não sei precisar, com exatidão, algum começo. Certamente, iniciei pela leitura. Desde a adolescência, tive contato com os livros. Lia, sempre que possível, desde romances e contos de fada a bulas de remédio. Ganhei alguns concursos de redação na escola. A partir do curso superior em Economia, no qual sou licenciada, precisei dedicar-me às literaturas específicas dessa área, pelo trabalho que exerci em diversas empresas, mormente na Caixa Econômica Federal, onde trabalhei até a aposentadoria. Minha primeira inclinação foi cursar Belas Artes, pois adorava desenhar e pintar. Porém, declinei, pois precisava, antes, trabalhar para sustentar-me. Nunca imaginei que, na maturidade, despertaria e descobriria, em mim, uma escrita que nem eu conhecia. E, por outra via, exerceria a pintura. Em ambas as artes, sou autodidata. A vereda se faz maior a cada livro que leio, a cada pintura que conheço. Seja escrevendo poesia ou ficção, o processo de investigação e a curiosidade, me são fontes de constante aprendizado.

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2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Existe o dom, entretanto, ele não se sustenta sozinho. É necessário, imprescindível, muitíssimo de leitura [conceituo-a como toda uma existência], observação, exercício e pesquisa para exercer a escrita. Escrevo, antes de tudo, por amor, mas também como uma necessidade incansável de ressignificar os pensamentos, a realidade, a vida, o meu estar no mundo. Seja na poesia ou na prosa, deixo as palavras fluírem naturalmente, sem determinismos nem fixações que me afastem do que intenciono criar ou expressar. Tudo me inspira. Desde o que percebo ao que desconheço. Desde o que sinto, ou intuo, e se reflete no outro, na sociedade; como elementos indissociáveis à essa imensa seara chamada literatura.

3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira? Quais autoras e autores influenciaram tua escrita?

Na adolescência, eu lia o que estava disponível na biblioteca da escola, único lugar onde eu tinha acesso aos livros: basicamente, obras da literatura brasileira. Depois, noutro tempo, adiante de ver os filhos crescidos e aposentar-me de um trabalho em que lidava com números e cálculos, mas também com pessoas de todas as classes sociais e profissionais (o que me deu uma bagagem imensa no aspecto humano), parti para leituras inúmeras: livros nacionais, livros em outros idiomas como o espanhol, algo em italiano e francês. Não me sinto muito à vontade, se esse é o termo, em mencionar nomes que possam ter influenciado a minha escrita. A lista é imensa e vai desde a leitura de obra inteira ou fragmentada de muitos escritores e escritoras admiráveis em todos os gêneros literários. Creio que a variação do que li e continuo a ler me dá maior plasticidade ao escrever.

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4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito? Quem você indica, entre os contemporâneos, para as pessoas lerem?

Embora, no Brasil, infelizmente, haja poucos leitores, o mesmo não acontece quando se fala de escritores. O catálogo atual é vasto, ainda bem, assim como os estilos e vertentes literárias. Há obras excelentes que são verdadeiros convites à leitura, mas a grande maioria, são desconhecidas do grande público. Não atino o motivo que leva a esse triste cenário. Talvez haja falta de incentivo, divulgação. Parece que, se o autor ou autora, for brasileiro, principalmente fora do eixo RJ e SP, salvo raras exceções, já é um motivo para não ser lido. Um fato lamentável e desestimulante em muitos aspectos. Aqui, também, declino de indicar nomes. Prefiro deixar que cada um eleja o que lhe agrada ler, pelo despertar do desejo de investigar, seguindo suas emoções e necessidades, esse ou aquele escritor ou escritora.

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5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

Normalmente, não me fixo ou não me dedico a um único livro. Há um leque de livros que estão à minha volta, num agradável caos e coexistências que vou percepcionando no decurso dos dias, nas horas que sobram.

6- O que você já publicou até aqui? Foi difícil publicar?

Conto, atualmente, com nove livros publicados, entre poesia, contos e ensaios: “Flor Essência” (poesia 2004), “Meus Outros” (poesia 2007), “Entre as Águas” (contos 2011), “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes” (contos Editora Penalux 2015), “A licitude dos olhos” (contos Editora Penalux 2016), “Na ternura das horas” (ensaios Editora Assoeste 2017), “Campos errantes” (contos Editora Penalux 2018), “Folhas dos dias”, minha primeira experiência na plataforma e-book, (Ensaios, Selo Ser MulherArte Editorial, 2020). Integro várias Antologias e Coletâneas, no Brasil e no Exterior. Há farto material de minhas obras literárias e de pintura na Internet, e revistas eletrônicas do Brasil e do Exterior. Edito o blog “M-eus Outros”, desde 2007. Integro a Academia Cascavelense de Letras.

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7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

Cada um dos livros que publiquei, é um bom começo! Indicaria o livro “Campos errantes”, contos, 2018, Editora Penalux, disponível no catálogo da editora, na Amazon.com, Americanas.com, Estante Virtual e Submarino.

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8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Todos os gêneros literários em que sinto a emissão de forças vivas, que ampliam os pensamentos e, de alguma forma, me emocionam e me enriquecem o espírito.

9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Sou uma bancária aposentada. Não tenho outras fontes de renda.

10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política?

Há situações e acontecimentos que me entristecem, machucam no mais profundo do meu ser. Impossível desaperceber-se enquanto sociedade, dos tantos flagelos dos quais quase ninguém escapa. Através das palavras ou da pintura, expresso e transmuto tudo isso, seja em abordagens mais diretas ou subjetivas. Há que deter-se nas entrelinhas mais do que no erguer de bandeiras. A arte é um ato de liberdade que se opõem à negação da vida intensiva e à harmonia da alma.

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11- Em que momento da vida você sentiu... “eu sou escritora”.

Não foi num instante específico, mas no decorrer das publicações dos livros, dos acontecimentos que foram se sucedendo ao longo da minha trajetória literária.

12- Qual é a pergunta que você gostaria de responder e eu não fiz?

Não percebo nenhuma pergunta faltando. Tua entrevista é muito bem conduzida. Sinto-me honrada e agradecida pela oportunidade.

13- Qual é seu próximo projeto literário? Ainda este ano?

Trabalho numa recolha de contos que pretendo transformar em livro. Talvez um romance. Tudo acontece ao seu tempo.

Deixe uma poesia, frase ou fragmento de texto de sua autoria para quem leu esta entrevista fazer uma “degustação”...

Deixo um dos contos do livro “Campos errantes”, Editora Penalux, 2018.

O Homem que nunca era visto

Solenemente, vestiu-se para aquela comédia que um dia fora. Ele desconhecia a cosmogonia cifrada, a inadvertência. Precisava de algo mais substancial para se recolher. Inventar alguma vivacidade. Vinha-lhe à mente um compêndio de raciocínios inglórios. Chegou ao escritório. A inutilidade do corporativismo quis dele o que ele não admitia conceder. Não havia nada ali, além de uma volta para trás. Pensava que a vida existia para a lapidação do ser, ainda que acompanhada de toda sorte de falseamentos e dispersões. Uma aventura exterior, molhado o orgulho, subitamente, o extirpou dos pés, ou o que teriam sido para ele os pés, evidenciando-o no gosto de conhecer as aflições e os sobressaltos, sem qualquer simulacro. As espirais tingidas com seu sangue. Por fim, ele foi visto distanciado das ornamentações humanas, das cientificidades quando se pronunciou rumo ao infinito: “Creio que a Natureza não escolhe o que iluminar; simplesmente atua com seus raios infalíveis. Só o homem cru sabe das diásporas”.

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Onde encontrar Tere Tavares?

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Site pessoal, clique aqui.

Seus livros:

Na Editora Penalux, clique aqui.

Na Editora Patuá, clique aqui.

Os livros que não constam nesses catálogos podem ser adquiridos diretamente com a Tere Tavares. Basta solicitar via e-mail ou pelo seu facebook.

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Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições). .
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