café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições).

“Toda poesia genuína é insubmissa” diz Raquel Naveira

Raquel Naveira nasceu em Campo Grande. É formada em Direito e Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB/MS), Doutora em Língua e Literatura Francesas pela Universidade de Nancy, França; Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP. Conheça um pouco mais dessa escritora sul-mato-grossense.


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Nosso CAFÉ PÓS-MODERNO recebe Raquel Naveira que irá responder 13 perguntas e deixar um fragmento.

1- Quando você começou a escrever?

A minha foi uma vocação de infância. Sempre fui fascinada pela palavra. Ela é minha forma de ser e estar no mundo. Quando criança, amava as cantigas de rodas, ouvir histórias e o objeto livro. Meu avô era um autodidata, possuía uma rica biblioteca e eu gostava de manusear os livros, de observar figuras à luz de velas. Logo que comecei a ler, encontrei Monteiro Lobato e foi um abrir das portas da imaginação. Meu avô me levou a Taubaté para conhecer o Sítio do Picapau Amarelo e lá participei de um concurso da Petrobrás sobre a vida e a obra de Monteiro Lobato. Eu devia ter uns oito anos, foi quando resolvi ser escritora. Escrevia histórias de fadas e bruxas em cadernos. Era meio bruxa e meio fada.

Quando voltamos para Campo Grande, estudei na Aliança Francesa, dando continuidade ao francês. Aos quinze, passei a dar aulas na Aliança. Nasci professora. O amor pelos livros transformou-se em amor pelo Magistério. Gostava de dar aulas para minhas bonecas, de fazer chamada, de passar lições na lousa. A poesia veio na adolescência. Como bálsamo e remédio. Creio que mágoas curam grandes mágoas, como disse Camões.

Penso, como Rilke, que o poeta vê poesia em seu cotidiano e, se não o consegue, a culpa é dele mesmo. Gosto de revelações, de epifanias, de momentos que explodem no cotidiano e que fazem tudo mudar.

rn lobato.jpg 2- Escrever é um dom ou consequência de muita leitura e transpiração?

Creio sim em dom como aptidão para uma tarefa específica, como mente estudiosa, como capacidade e poder.

Sempre gostei de ler, tive uma excelente alfabetização, avós e educadores que me elogiaram, que me ofereceram livros ao perceber o meu interesse.

E coloquei minha vida profissional também nesse sentido: uma faculdade de Direito, outra de Letras, Mestrado em Comunicação e Letras.

Desde os trinta anos, comecei a publicar meus livros, artigos e ensaios em livros, jornais, revistas literárias. Enfim, uma carreira de muita dedicação e transpiração.

3- Quais os “clássicos” da literatura você mais admira? Quais autoras e autores influenciaram tua escrita?

Sempre fui uma leitora apaixonada. Desde criança: Monteiro Lobato, Andersen, os irmãos Grimm, as Mil e Uma Noites, Malba Tahan. Na adolescência, a poesia: os românticos, o revolucionário Castro Alves, o genial Álvares de Azevedo, o clássico Gonçalves Dias; os modernistas: Mário de Andrade, Drummond, Bandeira. E houve Clarice. A poesia de Cecília Meireles. A descoberta de Adélia Prado. Lygia, amiga querida que passou a enviar-me seus livros com lindas dedicatórias. E Nélida, que narra tudo como Homero. A literatura francesa caminhou lado a lado com cada escola literária estudada: Rimbaud, Baudelaire, Vérlaine. A literatura latina, sou fascinada pela Roma antiga e pela mitologia greco-romana. A literatura latino-americana com o realismo fantástico de um Borges. E hoje, a literatura africana com Mia Couto à frente.

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4- E na cena literária atual... Quem você já leu e gostou muito? Quem você indica?

Procuro acompanhar a produção contemporânea de perto, fazendo amigos, incentivando meus pares, ministrando cursos e palestras, frequentando, dentro do possível, a cena literária em meu Estado, o Mato Grosso do Sul e no país.

Citaria a prosa poética de um João Carrascoza, os romances de Ruffato, Ana Miranda, Menalton Braff. E sempre Nélida Piñon, nossa Sherazade. A poesia vigorosa de Carlos Nejar, filosófica e cortante de Secchin. O ensaísmo literário da poeta Alexandra Vieira de Almeida. Os escritores portugueses como Valter Hugo Mãe e Fernando Fitas na poesia.

Há muitos outros que admiro e acompanho, pois as citações são sempre redutoras.

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5- Neste momento, qual é o livro que você está lendo?

Estou relendo sempre e inspirando-me para uma live que farei esta semana, “O Arco e a Lira”, do poeta mexicano Octávio Paz. É um clássico, uma espécie de livro de cabeceira. Certamente o maior ensaio sobre poética escrito na América. Quanta cultura e sensibilidade!

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6- O que você já publicou até aqui? Foi difícil publicar?

Comecei a escrever muito cedo, ainda criança. Na escola, gostava de criar jornaizinhos, de escrever em diários e cadernos. Na adolescência, escrevi peças teatrais, participei de festivais de teatro. Aos vinte anos, comecei a publicar meus poemas, quase diariamente, no jornal Correio do Estado. Eu levava os poemas em mãos e os lia para o professor Barbosa, que ouvia tudo atentamente, com muita paciência, oferecendo-me sempre um cafezinho do bule de prata, naquelas xícaras brancas fumegantes. Em 1981, aos 31 anos, publiquei de forma independente, numa gráfica de Campo Grande, o meu primeiro livro de poemas, o Via Sacra. Ali já estavam minhas principais temáticas: a terra, o autoconhecimento, o fazer poético, a natureza, o amor e a morte, o cristianismo, a mitologia greco-romana. O livro recebeu crítica favorável no jornal Verve, do Rio de Janeiro, dirigido na época por Ricardo Oiticica. Em 1990, publiquei Fonte Luminosa, em São Paulo, com Massao Ohno, editor de poesia e arte. Fonte Luminosa é uma referência à fonte da praça da 14 e ao próprio Deus, pois o poeta é astro iluminado. Em 1991, veio Nunca-te-vi, poesia, pela editora Estação Liberdade, de São Paulo. Nunca-te-vi é o nome de um bairro de Bela Vista, cidade que faz fronteira com o Paraguai, outro tema de minha poesia: a alma na fronteira. Em 1992, pela mesma editora, o primeiro livro de ensaios, Fiandeira, que fala sobre a gênese da poesia, um livro generoso, inspirado na Filosofia da Composição de Edgar Alan Poe, quando explica a composição do poema “O Corvo”. Em 1993, o primeiro romanceiro épico, Guerra entre Irmãos- poemas inspirados na Guerra do Paraguai, livro que teve uma enorme repercussão, sendo citado por Gilberto Cotrim em livro sobre a história do Brasil. Em 1994, pela editora paulista Scortecci, o segundo romanceiro: Sob os cedros do Senhor- poemas inspirados na imigração árabe e armênia em Mato Grosso do Sul. Esse livro foi citado por Ana Miranda nas referências de seu livro Amrik, virou espetáculo de dança, rendeu-me homenagem em forma de troféu oferecido pelo Clube Libanês. Em 1995, o livro de poemas Abadia, editado no Rio de Janeiro pela Imago, ganhou a primeira indicação ao prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Em 1996, a primeira novela lírico-bíblica, Mulher Samaritana, publicada pela editora Santuário e seguida por Maria Madalena e Rute e a sogra Noemi. Em 1996, Caraguatá poemas inspirados na Guerra do Contestado, publicado pela Fundação Cultural R. Sovierzoski, de Dourados/MS, livro que se transformou num curta-metragem Cobrindo o Céu de Sombra, do cineasta Célio Grandes. O infanto-juvenil, Pele de Jambo, foi publicado em 1996, pela RHJ de Belo Horizonte e conta a história de Rutinha, uma menina que vive entre dois mundos opostos: São Paulo e Mato Grosso. O livro de ensaios O Arado e a Estrela foi publicado em 1997, pela editora UCDB. Em 1997, participei do livro Intimidades Transvistas, publicado pela editora Escrituras de São Paulo, poemas ilustrando os quadros do artista plástico Valdir Rocha, ao lado de outros poetas como Renata Pallottini, Eunice Arruda, Jorge Mautner e Ives Gandra Martins. Em 1998, Casa de Tecla, poemas ilustrados por Ana Zahran e finalista do prêmio Jabuti. Em 1999, o livro de poemas Senhora ganhou o prêmio Henriqueta Lisboa, da Academia Mineira de Letras. Em 2001, no livro Stella Maia- e outros poemas, da editora UCDB, conto em versos a conquista do México pelos espanhóis. Também em 2001, Xilogravuras, de Valdir Rocha, ao lado de Eunice Arruda, Álvaro Alves de Faria, Celso de Alencar, com prefácio de Nelly Novaes Coelho. Casa e Castelo, em 2002, reuniu os poemas de Casa de Tecla e Senhora. Em 2004, Tecelã de Tramas- ensaios sobre interdisciplinaridade, editora UCDB, revela a união entre a poeta e a professora. Em 2006, Portão de Ferro, poemas, pela Escrituras e em 2007, Literatura e Drogas e outros ensaios, pela Nova Razão Cultural do Rio de Janeiro. O livro, que faz um corajoso relato sobre a confluência das drogas e da literatura nas vidas e nas obras de vários autores e sugere o posicionamento pedagógico do estudo da Filosofia nas escolas como prevenção ao uso de drogas, foi adquirido por várias escolas municipais do Rio de Janeiro. Em 2010, o livro de crônicas Caminhos de Bicicleta (São Paulo: Miró). Em 2013, o livro de crônicas Quarto de Artista (Rio de Janeiro: Íbis Libris). Em 2012, veio a lume o livro de poemas Sangue Português (São Paulo: Arte&Ciência), que ganhou o Prêmio Guavira da Fundação de Cultura de MS. Também em 2012, o romance Álbuns da Lusitânia (Campo Grande/MS: Alvorada) e os infantis: Guto e os Bichinhos, volumes I e II e Dora, a Menina Escritora pela mesma editora. Em 2015, Jardim Fechado: uma Antologia Poética (Porto Alegre/RS: Vidráguas), reunindo meus 40 anos de poesia. Em 2017, O Avião Invisível, de crônicas (Rio de Janeiro: Íbis Libris). Em 2018, foram publicados dois livros pela editora Penalux, de Guaretinguetá/SP: Menina dos Olhos (poemas) e Mar de Rosas (crônicas). Em 2019, reunimos todos os poemas portugueses esparsos por vários livros num único volume denominado Poemas Portugueses (Campo Grande/MS: Life), com lançamento no Dia de Camões e das Comunidades Lusófonas.

Publicação é sempre difícil. Cada livro tem seu próprio destino. É uma porta que se abre e outra que se fecha. Um patrocínio, um modo de fazer, uma estratégia de lançamento. É preciso estar sempre pronto para o trabalho, para a batalha.

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7- Se alguém deseja conhecer sua produção literária, você recomenda começar por onde?

Pela poesia. Mesmo na prosa, nunca abandono a poesia. O livro Jardim Fechado: uma Antologia Poética seria ideal, um painel de todos os meus livros reunidos.

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8- Prosa ou poesia? Conto, novela ou romance?

Sou leitora voraz. E gosto também de ensaísmo literário, de História, de Filosofia. Inspiram-me muito.

9- Se ainda não dá para viver só de literatura, como você sobrevive?

Sou formada em Direito e em Letras. Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Mackenzie/SP. Fui professora de Literaturas Brasileira, Portuguesa, Latina, por 31 anos na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), onde me aposentei. Depois disso, no período que morei em São Paulo, dei aulas de Pós-Graduação em várias Universidades e em aparelhos culturais como Casa das Rosas e Casa Guilherme de Almeida. Enfim, o Magistério foi sempre a minha profissão.

Sou casada há quarenta e dois anos com Adhemar, meu amor de juventude e tivemos três filhos e duas netas.

O escritor deve procurar uma profissão que se apoie na escrita: o jornalismo, a publicidade, o Magistério em geral, são algumas opções.

Muito importante a busca do sustento e da independência financeira.

10- Algumas escritoras e escritores fazem depoimentos de cunho político outras defendem a “arte pela arte”, uma autonomia entre fazer literatura e o contexto sociopolítico. Em sua opinião, qual a relação entre arte (ou obra literária) e a política?

Toda poesia genuína é insubmissa, tem atitude de indignação e revolta contra a situação social e política que vivemos. Em toda lírica, mesmo a mais romântica, há um substrato pessoal, um valor social. O poema age sobre o povo, modificando-o, dando-lhe voz. A obra de arte é um gesto, uma atitude, um ato político, uma expressão histórica de raças, nações, classes. O poeta é perigoso porque a poesia educa profundamente. A poesia tem magia e poder. A poesia solicita concentração, mergulho na vertigem da nossa própria humanidade.

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11- Em que momento da vida você sentiu... “eu sou escritora”.

Conforme já coloquei anteriormente, minha vocação para literatura foi uma vocação de infância. Antes de ler, já amava o livro enquanto objeto maravilhoso, que tinha vozes. Logo depois da alfabetização, li Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato e decidi ser escritora.

12- Como é a recepção de sua obra literária?

Tenho uma enorme fortuna crítica, pois sou uma missivista, sempre conversando com outros escritores e lhes apresentando meu trabalho. Para ilustrar, transcrevo trecho do escritor Ronaldo Cagiano sobre o meu livro O Avião Invisível:

“Essa obra de Naveira realiza um meticuloso rastreamento do próprio sentido da existência, num itinerário que transita do lírico ao social, do histórico ao geográfico, da literatura à filosofia, do onírico ao mitológico, do tangível pelos olhos ao místico tateado pelo espírito. Enfim, um delicado, sofisticado e poético panorama das re(l)(a)ções da autora com o universo e com as pessoas, suas influências literárias e referências culturais, em que valores e sentimentos são visitados com ternura e expansão espiritual, num movimento de percepção sobre a vida e seus contornos.

Suas crônicas, mais que revelar o homem real e a cidade viva, o ser em transição e a história em mutação, a realidade com suas dores, delícias, sonhos, frustrações e metamorfoses, nesse tempo de tamanha dissolução, de tanta perplexidade e paradoxos, é um convite à reflexão e ao desnudamento do humano em suas diversas projeções e representações”.

rn visual poemas portugueses.jpg 13- Qual é seu próximo projeto literário? Ainda este ano?

Lançarei pela editora Penalux um livro de poemas e ensaios intitulado Leque Aberto. Reunião de 30 novas crônicas publicadas até aqui em jornais como o Correio do Estado/MS, o Linguagem Viva/SP e o Jornal de Letras/RJ e revistas. Como a “Conhece-te”/MG.

Deixe uma poesia, frase ou fragmento de texto de sua autoria para quem leu esta entrevista fazer uma “degustação”...

Transcrevo crônica que dá título ao meu novo livro “Leque Aberto”:

LEQUE ABERTO | Raquel Naveira

Encontrei entre os guardados de minha mãe, um leque. Um leque vermelho como uma aurora boreal. A renda toda revestida de lantejoulas rubras. Abri as hastes brancas de madrepérola e ele fez um estranho som. Fechei novamente como quem toca um instrumento de flerte e sedução. Era tão vaidosa a minha mãe! Nascera mulher, preocupada com seus retratos e decotes, com o que os outros pensariam de sua beleza. Uma necessidade enorme de ser notada, de não passar nunca despercebida. Às vezes isso a fazia cair um vácuo, num vazio absoluto, que doía em sua velhice.

Abro o leque sobre o rosto, escondendo a boca. O gesto trouxe à minha memória o trecho de um poema de Fernando Pessoa: “O teu silêncio é um leque,/ Um leque fechado,/ Um leque aberto seria tão belo, tão belo,/ Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque.” Que analogia! O silêncio como um leque fechado, um enigma, um mistério, um fascínio. O leque desdobrado, mas sem abanar a dama, entregue a seus pensamentos. O leque esquecido em seu colo, o cabelo solto, as chamas saindo do seu corpo. Quanta feminilidade!

No mesmo poema, o “Hora Absurda”, o poeta afirma que “já não há caudas de pavões todas olhos nos jardins de outrora”. O pavão é a pura imagem da vaidade. Essa ave, que simbolizava a deusa Juno, abria a cauda em forma de leque e provocava chuvas de fertilização celeste. O leque em círculo evoca mesmo um céu de estrelas, miríades de olhos na plumagem azul-esverdeada. Por um instante é como se nossa alma se deparasse com o cosmos.

Este leque talvez seja a cauda de um pavão vermelho. As pedrarias, gotas de ciúme, um princípio de corrupção. Ânsia de sangue real e imortalidade. Um atiçador de fogo. “Vaidade de vaidades! É tudo vaidade”, escreveu o rei Salomão em sua contemplação da raça humana. Tudo é vaidade e aflição do espírito. Confessemos o quanto somos vaidosos. O nosso cuidado exagerado com a aparência. O desejo de atrair admiração e elogios. A necessidade de ter a própria existência reconhecida. Caprichamos nas vestimentas, comportamentos, bens, eloquência, cultura. Artistas e poetas, então, como trabalham vaidosamente debaixo do sol. A sede de comunicação faz violentar até os temperamentos tímidos. E se aumentam em conhecimentos, aumentam sua dor. Correm atrás do sonho, entre leques de grandes plumas. Confessemos, pois há o perigo iminente de cairmos nas falsas esperanças do mundo. Percebamos, enquanto há tempo, as sérias realidades do mal, da injustiça e da morte que nos cercam e enlaçam. Fiquemos em comunhão com Deus, com a obra de amor que Ele quer fazer em nossa vida. Entreguemos nossos poemas como se fossem pássaros buscando o infinito.

Tudo é vaidade. “Tudo névoa-nada”, escreveu o poeta e tradutor Haroldo de Campos, em sua “transcriação” do Eclesiastes, a partir do texto em hebraico, mantendo o ritmo poético, a sonoridade e a rede metafórica original. Haroldo fugiu da palavra “vaidade” e usou expressões como “fome-de-vento”, “fumaça”, “vapor”, “ilusão passageira”. Dirigindo-se aos poetas e sábios alertou: “Aonde a ciência cresce/ acresce a pena”. // Tudo é vaidade, mas não ter vaidade seria a maior de todas as vaidades. Vaidosas e esmagadas, minha mãe e eu. Abro e fecho com fúria o leque em minhas mãos.

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Onde encontrar Raquel Naveira?

Facebook, entre aqui.

E-mail: [email protected]

Os livros de Raquel Naveira na editora Penalux. Entre aqui.


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Autor de “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017) e organizador da antologia “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), recentemente lançou seu “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições). .
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