café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Lançou a novela “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017), “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições) e, recentemente, saiu seu primeiro livro de poemas: "Santeria: jaculatórias poéticas para almas desassossegadas" (MCE, 2021).

"As folhas da estrela" de Ivan Fernandes

Ivan Fernandes é dramaturgo e ator. Tem mais de quinze espetáculos montados no Brasil e no exterior. Ganhou a Bolsa de Criação Literária Funarte com o romance “Martins e Caetano” que em breve será relançado. Seu segundo romance, “As Folhas da Estrela”, está saindo agora do forno. É sobre isso que conversamos.


foto Ivan Fernandes crédito Thiago Facina.jpg

1- Quem é você?

Sou Ivan Fernandes, escritor, ator e professor, 46 anos. Minha formação original é de ator, e comecei a escrever meus primeiros textos para o teatro porque os que eu queria montar eram caros. Aí descobri que gostava de escrever, e mais importante, que as pessoas gostavam do que eu escrevia. Toda minha escrita deriva da minha formação como ator e sem ela certamente ou eu não escreveria, ou escreveria de forma bem diferente.

2- De onde veio a ideia de fazer este livro?

Eu tinha escrito um primeiro romance histórico, “Martins e Caetano”, que foi premiado com a Bolsa Funarte de Literatura (e também será reeditado pela Metanoia Editora). Então me veio a ideia de um projeto a longo prazo, de fazer uma série de romances históricos sobre períodos da História do Brasil, do Império até hoje. “Folhas da Estrela” é o segundo da série.

3- Qual é o tema deste teu livro?

Ele se passa no fim do período da escravidão, em 1882. Trata da história fictícia de um caçador de escravos negro, Bené, que recebe a missão de se infiltrar em um quilombo, disfarçado de fugitivo, para reunir informações que facilitem a invasão e a destruição do mesmo, pelas milícias e forças policiais. Mas durante o período passado ali, ele reavalia sua vida, e conclui que lutava pelo lado errado. Então ele “vira a casaca” e passa pro lado do quilombo.

4- Você deseja que o leitor tenha entretenimento ou pensa em incomodá-lo?

Acho que dá pra fazer as duas coisas. “As Folhas da Estrela” foi construído sob uma narrativa de filme de aventura, com bastante ação, que deixe o leitor sem fôlego. Mas ao mesmo tempo traz uma série de informações incômodas sobre nossa história, sobre a nossa herança cultural construída em cima da violência e do racismo. A ideia é que o leitor ao mesmo tempo que se envolva com a história, reflita sobre esse aspecto da nossa história.

5- Você já ouviu comparações? “Você escreve como fulana ou beltrano, me faz lembrar ela ou ele...”. E isso te incomoda?

Já ouvi algumas, varia com o livro ou com a peça. Não me incomoda, porque acho que a originalidade absoluta é uma pretensão destinada a se frustrar. Tudo já foi dito, ou escrito. Pra escrever um livro como “Folhas da Estrela”, ou “Martins e Caetano”, por exemplo, é necessário pesquisar em dezenas de outros livros, e é natural que a escrita ecoe um pouco dos livros lidos durante o processo. Então se as comparações são positivas, longe de me incomodar, eu até me envaideço.

6- Com tantos livros por aí, por que eu deveria ler este?

Porque nesse momento da nossa história é importantíssimo se debruçar sobre temas que nos mostrem como e por que viemos parar aqui, nesse precipício do fascismo, condenados a repetir tantas coisas do passado que jamais deram certo. É importante olhar pro nosso passado, refletir sobre ele, pra que possamos transformar nossa forma de ver o presente.

A História do Brasil mostra que certas coisas não nasceram agora; ao contrário, jamais mudaram em nosso país. Para mudar essas coisas é fundamental conhecê-las. As pessoas conhecem muito pouco da nossa história enquanto país, enquanto povo. Essa é a razão principal pra minha série de romances históricos e essa seria a razão pela qual as pessoas deveriam lê-los.

7- Como posso adquiri-lo?

Entrando no site da editora você poderá comprá-lo. O link está aqui.

Onde encontrar Ivan Fernandes?

  • Seu e-mail de contato: [email protected]
  • Seu facebook: Ivan Fernandes
  • Seu instagram: @oivanfernandes

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Lançou a novela “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017), “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições) e, recentemente, saiu seu primeiro livro de poemas: "Santeria: jaculatórias poéticas para almas desassossegadas" (MCE, 2021)..
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