café pósmoderno

Literatura, sociedade, psicologia e política.

Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Lançou a novela “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017), “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições) e, recentemente, saiu seu primeiro livro de poemas: "Santeria: jaculatórias poéticas para almas desassossegadas" (MCE, 2021).

Cinco poemas de Pedro Caronte

Pedro Caronte já publicou, pela Gramma Editora, os livros Polidodecacofonia Urbana (2013), Eviscerar-se (2017) e Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos (2020).


Pedro Caronte.jpg

1. De onde você vem?

Pedro Caronte, aliás, Geraldo Tadeu Monteiro, é carioca, tem 59 anos, é sociólogo e cientista político, Professor Associado de Sociologia Jurídica da Faculdade de Direito da Uerj. Mora no Rio de Janeiro

2. Carlos Drummond de Andrade disse que “há vários motivos para odiar uma pessoa, e um só para amá-la; este prevalece.” Quem você ama ler?

Sou um leito de clássicos. Entre os romancistas, venero Machado de Assis, Victor Hugo, George Orwell e Oscar Wilde. Entre os poetas, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Walt Whitman, Drummond, Cora Coralina e Augusto dos Anjos.

3. Já lançou algum livro? Participou de antologias?

Sim, já lancei, como poeta, os livros Polidodecacofonia Urbana (2013), Eviscerar-se (2017) e Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos (2020). Como escritor, lancei o livro de contos Fatalidade e outros contos mórbidos, em 2007, e o romance A História de Ridan, volumes 1 e 2, em 2019.

Pedro Caronte o livro.jpg

4. Federico Garcia Lorca disse que "todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas." E quando foi que você tocou esse mistério?

Meu primeiro poema chamava-se “Avenida Brasil” e foi escrito para participar de um concurso literário na minha escola. Eu devia ter meus 15 anos. Ganhei uma “menção honrosa”, mas fiquei uns 20 anos afastado da poesia. Retomei a escrita da poesia já nos anos 2010, quando comecei a devorar os poetas clássicos (Homero, Ovídio, Dante Alighieri) e alguns modernos (Baudelaire, Rimbaud, Whitman). Movido pela indignação diante da violência, pobreza e miséria, lancei o Polidodecacofonia Urbana; movido pelos desvarios do amor, lancei Eviscerar-se; agora, movido pela transmutação moral e espiritual, lanço Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos.

5. “Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?" (Fernando Pessoa). E quais são os seus sonhos?

Um sistema social baseado em apenas 4 princípios: paz, amor, caridade e justiça. Um baita sonho!

A CORDA

  • No carro
  • De boi
  • Éramos dez governados
  • Éramos dez acordados
  • dormidos
  • Todos de acordo
  • Com a corda
  • Com que acordo
  • Em desacordo
  • Com a vida que me recorda:
  • A corda!

Publicado em: Polididecacofonia Urbana, 2013

BONS TEMPOS

  • Havia tempo
  • Que não fazia
  • Esse tempo
  • De dedilhar
  • Pétalas vivas
  • Sensualissimamente
  • Delicadas

Publicado em Eviscerar-se, 2017

LAVRADOR (Para Paulo Leminski)

  • Um dia,
  • Lavre a palavra
  • Na lavoura
  • Da poesia
  • No outro,
  • Lave a língua
  • Na salmoura
  • Da erva
  • Daninha
  • E só então
  • Com a mão
  • Nua
  • Coma
  • Crua
  • A palavra
  • Da tua lavra

Publicado em Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos (2020)

O LIXO-HOMEM

  • Fui até o lixo
  • Da grande cidade
  • Dispensar meio mundo
  • Do meu imundo
  • De quinquilharias e sujidades
  • .
  • Mas, ao abrir a garganta
  • Profunda e laranja
  • Da lixeira
  • Encontrei
  • Lá no fundo
  • [em caveira]
  • O Homem
  • .
  • Ele me interpelou
  • Com seu rosto de ancião
  • E eu então lhe disse:
  • "Vem, toma minha mão"
  • .
  • Ao que ele disse, sem falar:
  • "Deixa-me por aqui, irmão,
  • Que este é o meu lugar"

Publicado em Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos (2020)

A SAÍDA

  • Que faço
  • .
  • Se descubro
  • Que, em coturnos,
  • El Rey cavalga
  • Em falso?
  • .
  • Se vejo
  • Que,
  • Sem pejo
  • É mendaz.
  • E calhorda
  • E, falaz,
  • Nada lhe importa?
  • .
  • Se se mostra
  • Hipócrita e boçal
  • Lugar tenente
  • Do Norte
  • E canalha
  • Inconstitucional
  • [mente]
  • Amigo
  • Da morte
  • E da mortalha?
  • .
  • Se é ferino
  • E odioso
  • Assassino
  • De seu povo?
  • .
  • Que faço?
  • .
  • Deprimo
  • Ou faço-me rei
  • De novo?

Publicado em Intimidades e outros poemas pseudofilosóficos (2020)


Marcio Sales Saraiva

Marcio Sales Saraiva é escrevinhador. Lançou a novela “O pastor do diabo” (Metanoia, 2017), “16 contos insólitos” (Mundo Contemporâneo Edições, 2018), “Engenho de Dentro e outros contos de aprendiz” (Mundo Contemporâneo Edições) e, recentemente, saiu seu primeiro livro de poemas: "Santeria: jaculatórias poéticas para almas desassossegadas" (MCE, 2021)..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/literatura// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Marcio Sales Saraiva