cálamo

Escrever porque a vida pede. E não é bom deixar a vida esperando.

Sabrina Gomes

“THE REVENANT: O REGRESSO”. PORQUE TEM LEONARDO DI CAPRIO E HISTÓRIA BOA

Em pleno oeste dos EUA mais um grande filme de um produtor mexicano prova que bons roteiros podem nos fazer refletir, e que grandes atores como Leonardo DiCaprio e Tom Hardy continuam levando troféus pra casa e um número incontável de pessoas às lágrimas cadeiras do cinema.


Não é porque estamos falando sobre Leonardo Di Caprio, apesar de ser um bom motivo pra assistir qualquer produção visual.

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Mas é mais que Di Caprio. É bem mais...

“The Revenant: O Regresso”, realizado pelo escritor Alejandro González Iñárritu, (“Birdman” e “A Inesperada Virtude da Ignorância”) levou três premiações do Globo de Ouro 2016: Melhor drama, melhor realizador e melhor ator.

Os mexicanos estão orgulhosos de Iñárritu!

Mas, mais orgulhosos ainda devem estar os americanos, afinal a fotografia do longa (e põe longa nisso, são quase duas horas e meia de filme), tem como cenário o Rio YellowStone e o oeste dos EUA. Um espetáculo.

Figurinos impecáveis, planos-sequenciais apaixonantes e atores mais que consagrados. Além de Di Caprio, nomes como Tom Hardy, que vive John Fitzgerald - o vilão, abrem com chave de ouro os elogios.

Vamos aos fatos então.

Na trama, ou drama, Hugh Glass ( Di Caprio) vive um caçador que sofre um grave ataque de um urso( Você vai jurar que Hugh Glass está sonhando tamanho a qualidade das cenas) e é abandonado pela equipe aos cuidados de John Fitzgerald (Tom Hardy), afinal o inverno se torna cada dia mais rigoroso, os índios se aproximam e o grupo precisa chegar ao acampamento a tempo.

Mas nem tudo é como parece, ou deveria parecer…

Sem mais spoiler, Glass te fará navegar pela história dos EUA, pelo encontro entre culturas, pela luta por territórios e interesses.

E se nos dispusermos a ter um olhar mais demorado, veremos que o longa não é apenas a história de um caçador que supera as circunstâncias, na verdade, mergulharemos no infinito da realidade de duas culturas se encontrando.

E não precisamos voltar no século XIX para perceber o quanto a tolerância e a aceitação da cultura e do espaço do outro é importante, incluindo a natureza e os animais que nela vivem.

O Regresso, nos ensina a admirar o árabe, o negro, o africano, o europeu, o americano, o magro, o gordo, o alto, o brasileiro e qualquer outra característica que faz de nós tão diferentes e tão interessantes. Que nós possamos nos despir das nossas proteções, dos nossos pré-conceitos e que possamos admirar aquilo que o outro pode nos acrescentar.

E que no fundo, bem lá no fundo, tenhamos motivação e perseverança para regressar a vida e aos planos para o futuro que desejamos.

E pra completar, o filme é baseado em uma história real com direito a uma publicação em um jornal com data de 1922 contando a história do caçador.

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Além de um monumento em homenagem a Glass em Dakota do Sul e uma escultura do artista John Lopez próximo ao local da luta com o animal.

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Entre mitos e fatos, alguns dirão que o regresso de Glass é em busca de vingança, mas como o próprio diria: “A Vingança a Deus pertence”.

Mas o dever de assistir o filme é seu. Eu não recomendo perder!


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