calledos

na calle 2 passa um feirante: levando flores abismos etc etc

Fabricio Garcia

gostaria de pensar que estão aqui me lendo porque se identificaram de alguma forma com o que escrevo. o problema é que eu sou tão de humanas que não sirvo nem pra contar vantagem. e-mail: [email protected]

Amor é imperfeição: que seja, assim está perfeito

O amor é sedutor, intenso. Amar requer força de vontade: é como alimentar suas maiores inseguranças dia após dia, uma bola de neve sem fim. Amar é conviver com a sensação de estar sempre no limite, numa corda bamba que pode romper a qualquer instante. E é exatamente isso que nos atrai.


10806461_808175839242702_917764082447332600_n.png Foto e ilustração por Luiza Veras

Uma vez ouvi um amigo dizer que o amor é uma obra de arte cuidadosamente esculpida. Na hora, esbocei um sorriso torto e não disse absolutamente nada. Mas fiquei com aquilo na cabeça. Hoje, com base nas minhas experiências amorosas sempre com finais desastrosos, e com o que vejo de bizarro nos relacionamentos alheios, não sei se eu teria permanecido calado.

É complicado falar sobre amor. Ou mesmo estabelecer comparações que possam vir a ilustrar o meu ponto de vista, se é que tenho um. Desisti de tentar entender esse sentimento estranho conforme o tempo foi passando. É mais fácil sentir do que entender: bem mais fácil. O problema se dá quando as pessoas resolvem se privar de sentir, achando que isso pode levá-las a uma paz-de-espírito-ou-sei-lá-eu-o-quê. A raiz do problema não está no sentir, mas sim no modo com que as pessoas lidam com esse sentir. Na maioria das vezes nós não estamos preparados para a intensidade do que está por vir, por isso acabamos levados por essa forte onda de sentimentos não tão bem canalizados. E aí é onda atrás de onda: sendo que a vida não te dá um colete salva-vidas.

Amar é justamente isso. É navegar num mar de incertezas, fazendo contornos providenciais a fim de evitar um eventual naufrágio. Ninguém quer que o barco afunde. Ninguém quer afundar. Mas poucos estão dispostos a realizar esforços para que o barco permaneça na superfície: dizem que é mais fácil seguir remando sozinho.

Eu? Eu já tentei dividir o barco. Volta-e-meia ainda tenho vontade de fazê-lo. Todavia, sigo receoso com relação a isso. Tenho medo de que a minha companheira de embarcação seja volúvel e abandone o barco no meio do percurso: o medo dos términos é tão grande que passei a evitar os começos. Também me impressiona a velocidade com que as pessoas trocam de embarcação, assim, de uma hora para outra. Parece tudo tão... descartável.

Sobre o amor ser uma obra de arte cuidadosamente esculpida: bem, eu até poderia concordar que o amor é uma obra de arte. Porém não tenho certeza de que essa obra tenha sido cuidadosamente esculpida. Talvez, seja lá por qual motivo, o escultor já estivesse cansado daquilo que estava fazendo.

E por isso acabou deixando algumas imperfeições aqui e ali.


Fabricio Garcia

gostaria de pensar que estão aqui me lendo porque se identificaram de alguma forma com o que escrevo. o problema é que eu sou tão de humanas que não sirvo nem pra contar vantagem. e-mail: [email protected]
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Fabricio Garcia