camila ribeiro

Attraversiamo, viver não é preciso.

CAMILA RIBEIRO

Nascida na praia de Amaralina e criada em festa de largo, produtora de cinema e aprendiz de palhaça.

A mulherada não será mais deslegitimada

Ou a guerrilha dos homens que se sentem ameaçados pelas mulheres que não querem mais se calar. Como funciona a culpabilização e a criminalização da vítima em uma sociedade em que a lei é o machismo.


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Bem-vindos ao Brasil, apesar do problema não se resumir a esse país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza hein, onde mais de 80% dos crimes de estupro não são denunciados, porém a preocupação atual é em proteger os homens que podem sofrer uma falsa denúncia. Em 2014 cerca de 47.600 mulheres foram estupradas, já em 2015 o índice pulou para 70.000 mas a questão em pauta no momento é o constrangimento que um homem alfa pode vir a passar caso seja acusado injustamente.

Levando em consideração já haver no código penal uma penalização para QUALQUER denúncia ilegítima, o que motiva e justifica especificar e classificar uma denúncia de falso estupro como crime hediondo? Esse projeto foi colocado para votação no portal e-Cidadania e encaminhado para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa no Senado. Em paralelo a isso a nossa querida emissora com maior audiência do país faz o desserviço de exibir DUAS novelas, Rocky Story e A Força do Querer, nas quais mulheres acusam falsamente seus ex companheiros por crimes de violência física.

Me pergunto o que motiva os autores dessas novelas a se prezar a esse papel irresponsável de tratar de casos isolados nos quais homens são prejudicados por serem acusados erroneamente enquanto sabemos que a cada 7 minutos uma mulher sofre violência no Brasil, sendo cerca de 50% uma violência que acontece dentro de suas próprias casas. Uma pessoa que sofre algum tipo de violência já tem uma dificuldade de lidar com o trauma, sendo uma mulher já existe uma forte cultura machista que tenta silencia-la e deslegitima-la, sofrendo pressão social e familiar mas o que importa no momento não é isso, é aquele 0,000001% de homens que foram sacaneados.

A violência contra a mulher vai para além da violência física, a violência doméstica é classificada em violência psicológica, violência patrimonial, violência física, violência sexual e violência moral, e aos que perguntam porque não é denunciado é porque não entendeu a profundidade do problema em questão. Ameaças, jogos de manipulação, dependência financeira, vergonha, medo, entre tantas outras questões criam uma situação em que muitas mulheres não se sentem seguras para denunciar, inclusive pelo fato de muitas vezes não verem uma resolução eficácia voltando a ficar expostas a novas situações de violência. Uma em cada três pessoas já viram uma mulher ser violentada, poderíamos perguntar para as mesmas se: 1) algo foi feito no momento; 2) houve denúncia posterior; 3) quantas outras vezes presenciou situação semelhante.

Me pergunto quantos homens tem medo de serem acusados justa ou injustamente por violência contra a mulher. Em paralelo, me pergunto, quantas mulheres tem diariamente o medo de serem violentadas.

Homens heterossexuais que foram penalizados injustamente por denúncias de mulheres vingativas e inconformadas: Onde vivem? O que comem? Como se reproduzem? Não percam no próximo globo repórter.


CAMILA RIBEIRO

Nascida na praia de Amaralina e criada em festa de largo, produtora de cinema e aprendiz de palhaça..
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