caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

POLARIZAÇÃO, SOCIEDADE, LIQUIDEZ, LIBERDADE

Qual a verdadeira liberdade quando somos levados a ter que escolher entre dezenas de milhares de opções? Será que essa liberdade extrema realmente nos liberta ou nos torna prisioneiros da ansiedade e da dúvida? Em seu conceito de "modernidade líquida", Bauman nos alerta sobre as mudanças constantes, as relações fluidas. Onde está a liberdade nessa contemporaneidade líquida?


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A polarização, a dualidade, existe dentro da história da humanidade desde sempre. A ideia de que existe um bem e um mal, de que existe certo e errado, de que tudo é ou preto ou branco é algo que perpassa a nossa história, é algo que formou a nossa sociedade.

A contemporaneidade, contudo, colocou um grande degradê nas convivências sociais. A modernidade líquida trouxe para nós uma ideia de que as coisas se transformam, as coisas mudam constantemente, que as relações não são mais sólidas, perenes, mas que duram alguns instantes, muitas vezes numa constante situação de incerteza.

Hoje, a sociedade grita por um retorno onde as coisas eram mais fáceis de se entender, onde o mundo não era um arco íris, mas tinham apenas duas cores. O mundo grita por gurus que digam o que deve ser feito, como devemos atuar, o que devemos ser. Fazem sucesso livros que trazem “não sei quantos segredos para ser feliz”. Todos querem fórmulas prontas, num retorno a uma realidade do passado, no qual não tínhamos muita liberdade de escolha, na qual adultos decidiam plenamente sobre a vida de seus filhos e não o contrário.

No meio desse grito desesperador, surgem os gurus, surgem os oportunistas, surgem os lobos travestidos de cordeiros, surgem aqueles que vão se aproveitar do momento, para usurpar os direitos que são dos outros.

Vivemos tempos difíceis esses nossos. Tempos nos quais podemos escolher entre dezenas de tipos diferentes de café, pizza, chás. Momentos em que essas inúmeras escolhas não estão apenas nas coisas banais, mas estão em nossa sociedade como um todo. E muitos querem passar a ideia de que esses tempos são difíceis e de que “na minha época era melhor”, “antigamente não havia corrupção”, “hoje é uma bagunça”. Não! Não era melhor! Havia corrupção! Não era tudo perfeito e organizado! Era apenas diferente do que é hoje, apenas um outro contexto, uma outra realidade. Nem melhor, nem pior.

Vivemos tempos de liberdade extrema. Liberdade de opinião, liberdade religiosa, liberdade política, liberdade sexual. Não é pior hoje do que era antigamente. Hoje é apenas diferente. É o nosso contexto, é a nossa realidade. Vivemos o hoje. Somos homens e mulheres de hoje. Devemos pensar como hoje, com mentes de hoje, com opiniões de hoje. O passado não nos ensina o que é certo ou errado. O passado nos dá uma noção de como se chegou ao que é hoje. Mas, o que é certo e errado (se é que isso existe), nós é que sabemos (ou não) dizer!


Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais..
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