caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

ELEIÇÕES, ESCOLHAS, INDIVIDUALIDADE, PLURALIDADE

Mais do que partidarismos e interesses pessoais, precisamos nos preocupar com o coletivo, com um todo. A política é a base de todas as relações sociais estabelecidas, mas a polarização acaba por esvaziar o seu sentido. Somos animais políticos, como já nos alertou Aristóteles.Que, como animais, saibamos procurar nosso grupo, nosso bando, nossa matilha, e que nos busquemos nos preocupar com o todo desse grupo, o coletivo.


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Quais devem ser os critérios para escolhermos representantes em cargos eletivos?

Não! Não pense que responderei essa pergunta, pois ela não tem uma resposta assim tão simples, não é uma receita de bolo. Muito pelo contrário, quando se fala em eleições, em escolhas de políticos aos quais apoiar, aos quais fazer campanha, etc., isso é de uma complexidade tamanha que sequer damos conta.

Durante anos estive intimamente ligado a um partido político em específico. Ainda hoje me identifico com uma série de correntes ideológicas que remetem a esse partido, contudo, distanciei-me do mesmo. Minha vivência política tornava natural a filiação partidária, além de minha história pessoal. Política sempre foi assunto de mesa de café da manhã. Importantes nomes do cenário político nacional e estadual muitas vezes estiveram à distância de um simples telefone ou até frequentaram a casa dos meus pais. Sempre acompanhamos apuração de eleição como se fosse “final de campeonato”. Mas, o amadurecimento faz coisas.

Hoje, depois de envelhecido, depois de mais de 20 anos de experiência e convivência com política, depois de ver alianças serem feitas e desfeitas por puro jogo de interesses e, mais ainda, depois de uma graduação em História e dez anos de sala de aula, digamos que meu partidarismo tem se tornado cada vez mais ideológico do que político-partidário mesmo. Utopias e ingenuidades caíram, e ainda caem a cada dia que passa. A esquerda plena não demonstra ser suficiente para dar conta dos problemas que se instalam em nossa sociedade, assim como a direita também já demonstrou sua incompetência tempos atrás. Tudo se desmanchou, como deveria de ser e havia sido profetizado por Marx há muitos anos. Vivemos tempos de uma liquidez tremenda, nos quais não temos mais um ponto efetivamente seguro, nos alerta Bauman. De sólido, restaram apenas as pedras que ainda não se dissolveram pela ação incessante do tempo.

Frente a essa realidade pulverizada, muitos buscam uma solidez na polarização política que temos vivenciado nos últimos meses. Isso é perigoso. Último grande período de polarização político-ideológica que tivemos em nosso mundo foi a Guerra Fria, que terminou com um muro caindo e demonstrando que nenhum dos dois sistemas realmente atendiam às necessidades da sociedade, mas se preocupavam muito mais em propagandear uma imagem falsa de qual era o mais avançado, belo e perfeito. Em mundo de “coxinhas” e “petralhas”, de adjetivos que diminuem o debate e o tornam inócuo, creio que o ideal seja retornarmos a uma postura defendida na Grécia Clássica e buscarmos o “meio-termo aristotélico”, buscarmos uma postura equilibrada e consciente das inúmeras possibilidades que existem.

Somos um em meio a muitos. Somos únicos em meio a vários. A individualidade existe, mas a coletivo deve ser, sempre, superior e o objetivo principal. Que busquemos nesse ano eleitoral municipal, em meio a todo o tumulto que está nossa política em nível federal, eleger políticos, representantes que se preocupem, independente do viés ideológico de seus partidos, verdadeiramente com a coletividade, com a sociedade como um todo. Que o respeito a pluralidade, às diferenças, à democracia em todas as instâncias de nossa sociedade seja uma bandeira defendida com unhas e dentes. Que os anos de censura tenham realmente acabado, em nosso país, em 1986, quando foi posto fim em uma ditadura violenta e sanguinária. Que o fantasma do fascismo seja combatido e afastado de nossa política.

Somos muitos, somos vários, somos plurais!


Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais..
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