caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

ESCRAVIDÃO, TRABALHO, EXPLORAÇÃO, LUCRO

As formas de exploração do trabalhador foram inúmeras ao longo de nossa história, mas uma coisa sempre foi constante nisso: O lucro era do explorador, não do explorado. Até quando nos submeteremos a escravidão, seja ela descarada, seja ela disfarçada?


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As relações de trabalho, já de longa data, sempre foram marcadas por uma exploração da força de trabalho como forma de gerar lucro à uma minoria, controladora dos meios de produção.

Escravos eram a base da força de trabalho em diversas sociedades da Antiguidade Clássica. Durante a Idade Média, no mundo ocidental, a escravidão foi substituída pelo trabalho servil, com camponeses presos aos seus senhores feudais, numa relação de dependência, marcada pela “prisão à terra” e o pagamento de inúmeros e pesados tributos aos senhores feudais. No final da Idade Média essas relações de servidão começaram a se alterar, passando a haver a formação de Companhias de Ofício, que serviam como um espaço de proteção ao trabalhador, principalmente o artesão. Formas de trabalho de “jornada” passaram a ser comuns também, mas a servidão não foi por completo abandonada. Além disso, em áreas coloniais, principalmente na América, prevaleceu o trabalho escravo como principal fonte fornecedora de mão de obra. Já no final do século XVIII e início do XIX começou a ocorrer uma nova mudança nas relações de trabalho, com a adoção gradativa de uma mão-de-obra assalariada, predominantemente do operariado das indústrias que começavam a dominar, primeiro o cenário inglês e posteriormente outros países da Europa e até fora dela.

Todo esse período longo de história, de mais de 2 mil anos guarda uma semelhança bem interessante: a concentração do poder de exploração da mão-de-obra trabalhadora nas mãos de uma minoria. Seja na Antiguidade Clássica ou nas indústrias contemporâneas, algo que sempre permaneceu é que uma minoria concentra o poder de exploração da mão-de-obra e lucra absurdamente com isso.

Independente de serem 8 horas diárias ou 12 horas diárias, é importante que tenhamos noção de que não é o trabalhador, em momento algum, que sai lucrando com isso. Alguns podem vir argumentando que um operário que trabalhe 12 horas por dia receberá um salário maior do que aquela que trabalhe 8 horas/dia. Mas isso é de uma obviedade tremenda. Porém, também é óbvio pensar e ressaltar que o trabalhador que atua por 12 horas proporcionará um lucro ainda maior para seu patrão, lucro esse que não é visto nem usufruído pelo trabalhador, mas apenas pela minoria que detém a exploração da força de trabalho. Aventar a hipótese de 12 horas de trabalho diárias só remete aos tempos da indústria do século XIX, nas quais o operariado era explorado em jornadas exaustantes de 12, 14 ou 16 horas por dia de trabalho. Qual seria o próximo passo nisso? Locais de trabalho insalubres, mal iluminados e mal ventilados, fechamento de sindicatos, corte de remuneração de férias e descanso semanal remunerado? Fim do décimo terceiro, do seguro desemprego, do direito de férias?

Nunca Marx e seu “Manifesto” estiveram tão atuais do que nesse momento. Realmente, “proletários de todo o mundo, uni-vos!”


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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