caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

MORTE, PERDA, SENTIMENTO, RESPEITO

Passar pelo luto e pela perda não é nada fácil. A dor é intensa, o vazio tremendo. Mas a humanidade tem se perdido, o sentimento tem ficado em segundo plano. O resgate do respeito a dor alheia e ao momento de luto torna-se cada vez mais necessário em uma sociedade de relações cada vez mais superficiais.


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A morte sempre é uma experiência traumática para aqueles que estão envolvidos diretamente com a mesma. Para aqueles que não tem ligação, que apenas ficam sabendo do ocorrido deveria, no mínimo, gerar um sentimento de respeito pela dor do próximo.

Então, deveria...

O que temos visto, cada vez mais, contudo, é uma frieza, uma despreocupação para com o outro que beira o inimaginável. Piadas, ironias são cada vez mais constantes em nossa convivência social. Esquecemos do lado humano das relações, tornamos a convivência mecânica, fria, pragmática. Tal comportamento é algo natural em nossa convivência? Sinceramente, tenho minhas dúvidas. Mas, uma coisa eu tenho certeza: existe uma linha, e ela não é tênue, quando se trata da dor.

Não existe bem material, dinheiro, que venha a suplantar a falta que um pai, um marido ou um filho tem na vida de uma pessoa. Desejar a morte, ou a doença de uma pessoa não fica bem. Por mais que nutramos, muitas vezes, um ódio por alguma pessoa, cabe a nós conter o ímpeto, "segurar a língua" (ou os dedos) para evitar de ser desrespeitoso com os sentimentos alheios.

A tristeza e o luto atingem as pessoas, estejam elas diretamente ligadas ou não aquele que partiu. O que cabe é o respeito, de forma bem simples e direta. Não cabe, nesse momento, falas como "não fique assim", "você nem conhecia", "os familiares não ficarão desamparados". Em um momento de perda tão grande essas preocupações práticas ficam em segundo plano. Respeitar a dor é tudo que importa. Guarde as piadas e ironias dentro de sua cabeça, é o melhor a ser feito.


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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