caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

TRIBOS, SOCIEDADE, IDENTIDADE, COLETIVO

Redes de afinidades são formadas de forma natural em nossa sociedade. As tribos, fenômenos urbanos contemporâneos resultam justamente disso. Elas geram um espaço coletivo no qual as individualidades são o caráter definidor. Elas estruturam-se com base em "diversas redes, grupos de afinidades e de interesse, laços de vizinhança que estruturam nossas megalópoles", como bem ressalta Michel Maffesoli.


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Vivemos realidades cada vez mais individualizadas, que geram uma exclusão muitas vezes (in)consciente. Olhamos para o outro, para aquele que é diferente de nós, e ao julgarmos por sua aparência, pela roupa que ele se veste, acabamos por não abrirmos a possibilidade para que ele interaja conosco, excluindo-o da coletividade. O ambiente urbano, com sua pluralidade de indivíduos, gera um espaço democrático mas que pode ser altamente excludente. Devido isso, a sociedade contemporânea acabou por gerar um fenômeno, as tribos.

Quando falamos em tribo, historicamente remetemos às populações nativas da América ou então aos grupos africanos do período da antiguidade. Sociologicamente, e de forma extremamente resumida e rasa, tribos são os grupos que se estabelecem no espaço urbano e que apresentam características em comum que conferem aos seus membros um sentimento de unidade. Ou seja, nada mais natural de se ocorrer. Contudo, em um contexto social em que as redes prevalecem e influenciam as relações estabelecidas, me pergunto como essas tribos estão se estruturando ultimamente.

O caráter identitário das tribos com as minorias sempre foi algo marcante dentro da sociedade contemporânea. As tribos permitem que as pessoas que não se encaixam nos ditos padrões, que não consideradas "normais" pela grande massa social sintam-se inseridas dentro de um espaço coletivo. Esse fenômeno de tribo é muito característico do espaço urbano, onde as relações são mais dinâmicas, há mobilidade social com maior facilidade, e o diferente ocupando os mesmos espaços da convivência.

Sentir-se inserido, parte de um todo coletivo é imprescindível para o ser humano, um ser social por natureza. O homem busca, incessantemente a convivência social, estar com o outro, a busca do todo. Por mais que alguns sejam individualistas, tenham dificuldades de interação, não conseguem se estabelecer dentro da nossa contemporaneidade completamente desgarrados, numa auto-exclusão, a não ser naqueles casos mais extremados, de eremitas, pessoas que resolvem fugir da sociedade na qual ela está inserida.

Que cada um encontre sua tribo, consiga encontrar e viver coletivamente com seus semelhantes, mas que, acima de tudo, saibamos, mesmo que cada um com seu grupo, viver harmonicamente, prevalecendo a coletividade.


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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