caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

ULTRAPASSADO, OBSOLETO, RENOVAR, CONSUMIR

periodicidade

substantivo feminino
1.
qualidade, propriedade ou característica do que é periódico.
2.
período de tempo previsto entre duas edições sucessivas de uma mesma publicação.


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Aquilo que tem um prazo pré-determinado para ocorrer, ser publicado de acordo com um intervalo de tempo fixo. Temos revistas mensais, semanais. O jornal é um periódico diário. Alguns, em suas versões online, têm suas páginas iniciais sendo atualizadas de cinco em cinco minutos, automaticamente. São necessidades contemporâneas.

Tudo necessita de ter um tempo determinado de renovação em nossos tempos atuais. A chamada “vida útil” tem se empregado para todos os bens de consumo. Carros, geladeiras, fogões, microondas, roupas, sapatos, celulares, computadores, etc. Tudo isso tem um prazo praticamente determinado para simplesmente parar de receber manutenção de maneira oficial, se tornar obsoleto, ultrapassado. Lembro da minha infância e adolescência, na qual praticamente o mesmo fogão a perpassou, durante 15 anos. Hoje, sei de pessoas que compraram o fogão e o mesmo, num prazo de cinco anos, já teve de ser trocado, pois o custo de manutenção que ele dava fazia com que fosse mais interessante comprar um novo. O mesmo se aplica para geladeiras e carros.

Geladeiras e carros atualmente continuam durante anos e anos e mais anos. Mas, devido à idade, eles começam a gerar custos que fazem com que não seja interessante permanecer com eles. Ainda tem a questão da desatualização de recursos e desenhos. Carros têm seus desenhos atualizados e mudam formas básicas apenas para incentivar o consumo de novos modelos. Entre as décadas de 60 e 80 o desenho de um carro mantinha-se basicamente o mesmo por muito tempo. Hoje, de dois em dois anos o modelo recebe alguma pequena reestilização (se não acontecer de um ano para outro), como forma de incentivar o consumidor a trocar de carro, sob pena de ter o seu modelo mais antigo desvalorizado. Além disso, ainda temos a pressão da publicidade, que a todo instante incentiva o consumidor a ter sempre o novo, o recente, os bens de última hora. É a sociedade de consumo.

Somos incentivados o tempo inteiro a consumir, a comprar, a gastar, a ter, possuir e trocar. Tecidos de menor qualidade, carros de menor qualidade, aparelhos eletrônicos que se tornam obsoletos em prazos cada vez mais curtos. É o consumo incentivando mudanças nas relações do homem com o produto e com o trabalho. A mercadoria se torna fetiche, objeto de desejo, deixando de lado todas as etapas de produção e sendo para a sociedade de uma forma geral mais importante apenas o produto em si, com o trabalhador perdendo sua identidade de real fabricador do produto. E toda essa substituição se torna periódica, atende a prazos praticamente pré-determinados, como o jornal, a revista semanal ou mensal.


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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