caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

ROCKY, FICÇÃO, SUPERAÇÃO, REALIDADE

Rocky é um personagem de ficção, não tenho dúvida quanto a isso. Mas, também não tenho dúvidas, de que existe em nossa sociedade e em nós mesmos um "Rocky Balboa" pronto para superar as barreiras que se colocam em nossa vida, pelos outros e por nós mesmos!


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Confesso que nunca gostei do boxe. Nunca vi muito sentido nele, em ver pessoas se espancando para deleite outras centenas de pessoas vibrarem e apostarem em que será o vencedor ou o perdedor. Não só o boxe, mas suas variantes mais violentas, como por exemplo o hoje grande sucesso UFC e seus "filhotes". Na minha visão (admito que dotada de certo preconceito) nada mais são do que uma versão humana da "rinha de galos". Contudo, um personagem de ficção ligado diretamente ao boxe sempre me chamou atenção e me comoveu: Rocky Balboa.

O personagem criado e vivido por Sylvester Stallone foi inspirado em Chuck Wepner, lutador que de forma heroica sustentou-se a frente de Muhammad Ali até o último round quando perdeu para o lendário lutador (luta ocorrida em 1975). A luta inspirou Stallone, que em 33 dias escreveu o roteiro de Rocky, lançado em 1976. Rocky Balboa é a personificação da resistência, da simplicidade, muitas vezes até da ignorância (no sentido de "falta de conhecimento") e da superação dos obstáculos que ele mesmo se colocava e que os outros colocavam para ele. E, justamente aí, que se insere a comoção que o personagem gera em mim.

Por inúmeras vezes passamos por uma série de situações em nossas vidas que nos levam a questionarmos sobre nós mesmos, sobre nossa capacidade de superá-las, que nos jogam na lona e fazem com que duvidemos de tudo, de todos, de nós mesmos. Balboa era um lutador medíocre, desacreditado. Pequeno frente aos oponentes, fisicamente inferior, mas de uma resistência tremenda. Assim muitas vezes é a vida e seus percalços. Parecem grandes, imensos, intransponíveis, e nos deixamos assustar por eles. As vezes nós mesmos criamos essas dificuldades e colocamos essas barreiras. Mas, creio que ver "Rocky Balboa" (2006, lançado em 2007 no Brasil), o sexto filme da cinessérie, seja importante para refletirmos a respeito disso, do quanto nos limitamos, do quanto não acreditamos em nós mesmos, e colocamos as coisas dentro de um "porão" que existe dentro de nós (para citar uma fala de Rocky no filme).

Rocky pode ser um personagem de ficção, mas ele existe em cada uma das pessoas que passam por dificuldade nessa sociedade. Ele existe em nós mesmos. Devemos usar as coisas que estão guardadas dentro nós, que fazem com que tenhamos aquele nós incômodo na garganta, para superarmos as dificuldades, as barreiras, superarmos a nós mesmos. Lute até o último "round", supere e supere-se! Não entregue a luta, pois "nada acaba antes do final".


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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