caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

CRER, VIDA, BOM, RUIM

Quantas vezes já nos pegamos a pensar no que nos leva a irmos para um bom lugar após morrermos? Creio que muitos já se questionaram isso inúmeras vezes. Eu já e, após ver as duas temporadas de "The Good Place" disponíveis na Netflix, isso tem me incomodado ainda mais. Será que temos direito a um "Lugar bom"?


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Para onde vamos quando simplesmente não vamos para lugar nenhum? Será que realmente há um destino para todos nós após desaparecermos dessa nossa existência por aqui? Há algum lugar bonito, belo, singelo? Existe inferno, sofrimento e dor eternos?

Questionar-se sobre isso é algo que, confesso, nunca me peguei a fazer. Sempre tive a crença, cega como toda crença, de que há sim o lugar para onde vamos depois de nossa existência aqui nesse mundo. Minha crença sobre a existência desse lugar e a forma como chegar lá mudou com o passar do tempo e com o meu amadurecimento teológico. Já acreditei que o que eu faço enquanto estou vivo influencia para onde eu vou e hoje creio que para onde eu vou após minha morte é algo que já foi determinado e que independe de meus feitos para que eu consiga um lugar bom ou não para mim.

Inúmeras foram e são as formas de lidar com a questão da morte ao longo da história da humanidade. Egípcios acreditavam na vida após a morte e que os corpos precisavam ser mumificados para sua preservação. Outras culturas creem na possibilidade de reencarnações para a resolução de questões pendentes nesse mundo e uma espécie de evolução da alma. Cristãos acreditam em um paraíso idílico, com ruas de ouro. Lógico, estou aqui simplificando tudo isso e mostrando apenas uma pequeníssima quantidade de "versões" e entendimentos para essa situação.

No seriado "The Good Place" somos apresentados a uma realidade na qual pessoas que são consideradas boas e maravilhosas, segundo um sistema de pontos pretensamente perfeito, conseguem, graças a suas ações enquanto vivos, um espaço garantido no "Lugar bom", tendo uma vida pós-mortem confortável, bela e rodeada de pessoas sorridentes, ativistas sociais e etc. Logo em seu primeiro episódio somos apresentados a protagonista e outros personagens mais e quando chegamos ao final desse primeiro capítulo chegamos a conclusão que alguma coisa de errada está acontecendo ali. Daqui para frente não posso contar muita coisa sob risco de entregar inúmeros spoilers e estragar surpresas essenciais para o desenvolvimento da série e para que os questionamentos dos espectadores sejam levantados.

A grande questão é: Vamos para onde quando morremos? Ou o melhor questionamento e nossa maior preocupação deveria ser: O que fazemos enquanto antes de morrermos? E essa discussão é algo deveras interessante de se ter e se pensar consigo mesmo. Sinceramente, não temos como dizer com certeza. Seja atribuindo a nossos atos o destino de nossa vida pós-morte ou seja o destino de nossa vida pós-morte sendo atribuída por um ser acima de nós, certeza mesmo nunca teremos para onde vamos. Agora, certeza temos do que fazemos aqui.

Esses incômodos foram despertados em mim quando me peguei assistindo as duas temporadas de "The Good Place", que se encontram disponíveis na Netflix. Faço um convite para que você assista. É uma comédia, a forma como assunto é desenvolvido, por mais que seja um tema deveras pesado, é muitas vezes de forma leve e divertida. São episódios curtos, pouco mais de 20 minutos. Se não despertar em você as mesmas dúvidas que despertou e desperta em mim, pelo menos será uma ótima diversão. Procura lá ou clica no link --> Assistir "The Good Place"


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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