caminho entre devaneios

Um espaço para discutir sobre nossa contemporaneidade cotidiana

Adolfo Brás Sunderhus Filho

Entender a fluidez de nossa sociedade nos leva a entender nós mesmos como seres sociais.

MANIFESTAÇÕES, BRASILEIROS, POLARIZAÇÃO, UNIÃO

Em seu discurso de posse, o presidente eleito disse que a sua eleição era resultado das manifestações de brasileiros anos antes. Ontem, dia 15/05, centenas de milhares de brasileiros foram às ruas contra decisões do atual governo. Esses de ontem também são brasileiros! Qual será o resultado dessas manifestações?


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Vivemos um clima cada vez maior de polarização política, de um discurso inflamado tomando espaço na sociedade brasileira. Como já disse anteriormente (LEIA AQUI), não é de hoje que a sociedade brasileira é caracterizada por isso. Contudo, a partir das manifestações que levaram ao impeachment da presidente Dilma Rousseff essa polarização tornou-se ainda maior, presente de maneira clara em nossa realidade política.

Ambos os lados dos polos tem responsabilidade, não há dúvidas quanto a isso. É meio que aquele princípio básico do ditado popular: “Quando um não quer, os dois não brigam”. É simples, rasteiro e superficial, como todo pensamento de senso comum, mas se aplica de maneira bem interessante no quadro político-social brasileiro de 4 anos para cá. Foi esse quadro que levou a eleição o atual governo e que caracteriza suas posturas e decisões. O discurso de campanha ainda está muito presente nele, e aí é que está o problema.

Não se está mais em campanha, agora se é governo. Não se está governando para apenas seus seguidores, mas para toda a nação brasileira, inclusive para aqueles mais de 40 milhões que votaram no candidato adversário (isso para não lembrarmos das outras dezenas de milhões que anularam, votaram em branco ou se abstiveram de votar). Com isso, espera-se, a postura do antigo candidato e atual presidente deve ser outra. Espera-se, não é o que se vê. Eu sei que alguns podem vir e dizer: “Ah, mas o candidato derrotado não mudou o seu discurso. Ele continua inflamando o pessoal, continua incentivando a polarização”. Então, mas é importante lembrar que os derrotados continuam em campanha política, afinal, eles podem vir a disputar cargos nas eleições municipais daqui menos de dois anos, ou nas próximas eleições nacionais, daqui menos de 4 anos. O presidente eleito não está em campanha mais (pelo menos não deveria, nesse momento específico). Porém, em seu discurso de posse ele já demonstrava que a polarização da campanha não havia acabado, que ela ainda estava muito presente. É importante ter em mente que discursos de posse são demonstradores claros dos caminhos que um governo virá a tomar (quem tiver interesse, pode LER AQUI a íntegra do discurso). Assim como a campanha foi polarizada, assim como seu discurso é polarizado, assim também está sendo seu governo desde que começou. Ou seja, o candidato ainda não se tornou presidente.

Ontem, então, houve mais uma demonstração clara do quanto ele ainda não entendeu qual é o papel dele para a sociedade brasileira e qual o papel que ele deve assumir enquanto presidente da nação (e já estamos no meio do quinto mês de governo). Ao tecer um comentário sobre as manifestações contra os cortes do MEC nas verbas para a educação o presidente desrespeitou centenas de milhares de cidadãos que estavam nas ruas em manifestações pacíficas, fazendo uso do direito democrático de se manifestarem publicamente contra o governo, de “idiotas úteis” (LEIA AQUI). Pois bem! Quando ele assim chama, de maneira generalizada, estudantes, professores universitários, cidadãos de seu país, ele apenas demonstra a sua falta de respeito para com aqueles que fazem parte da nação que ele governa. Se são opositores a ele ou não, isso pouco importa. Ele não governa um país formado apenas por aqueles que elegeram ele, mas governa uma nação com mais de 200 milhões de habitantes. É disso que ele precisa se lembrar! Cidadãos que tem todo o direito de se manifestarem contra ele, de fazerem críticas, irem às ruas, etc. Ou, só podia ir às ruas quando era contra o outro lado? Só podia fazer manifestações contra o outro lado? Afinal, lembrando o discurso de posse, ele disse claramente no mesmo que a eleição dele foi uma resposta aos anseios que vieram de manifestações de milhões de brasileiros. E agora, os anseios de milhões de brasileiros serão ouvidos por ele?

Para o presidente eleito, a campanha já acabou e ele precisa se atentar para isso urgentemente, para o bem da nação e, inclusive, de seu mandato. O recado claro foi dado ontem. Nunca um presidente teve manifestações de oposição tão intensas em tão pouco tempo de governo! A luta continuará dura e ferrenha enquanto a sociedade for atacada e assim deve ser! Ontem foi um importante passo, de uma caminhada que ainda será grande! Que a união em prol da sociedade brasileira, da educação, do povo prevaleça!

Texto publicado no dia 16/05/2019, dia seguinte as manifestações em defesa da educação pública e contra os cortes de verbas do MEC.


Adolfo Brás Sunderhus Filho

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