caminhos de delÍrio

Não há fim, não há começo.

Vinícius Matioli Marconi

Percebendo que todos os caminhos são de delírio

Cinco músicas do Green Day para viajar no próprio tempo

Redescobrir as músicas dos velhos tempos e se reconectar com aquele moleque que você costumava ser.


redundant.jpg

Antes de começar a discussão, vamos transcender o conceito de idade. Nos próximos minutos, você e eu fingiremos que ela não existe. Pouco importa se temos 20, 50 ou 80 anos - o que temos, em vez disso, são identidades que se foram e identidades que virão. E temos o agora, que nada mais é do que uma maneira de existir, mas tanto faz...

Combinado?

Pois bem: nesse momento que chamamos de agora, você se encontra desperto em uma rotina extremamente impessoal. Por mais que se esforce, não consegue lembrar como veio parar aqui. Doze horas por dia, cinco dias por semana, seu foco consiste em enriquecer pessoas que não conhece. Mais três ou quatro horas de trânsito intenso da cidade grande, e lhe restam oito horas para dividir entre sono e satisfação pessoal. Você até tenta dedicar tempo ao que realmente importa na vida - você mesmo -, mas a vontade de dormir sempre fala mais alto.

Então, de repente, entre sonolência, frustração e saudosismo, você se esbarra em cinco músicas que te lembram uma identidade passada. Cinco canções de três caras - um deles é o da voz engraçada - que te lembram uma época na qual seu círuclo social era composto por pessoas das quais você gostava (e muito). Uma época cheia de fumaça, risada e pizza.

Hoje só sobrou a pizza. Mas não importa - agora é hora de curtir o momento flashback:

Redundant:

Começa pela introdução. Ela já te joga no tempo sem dó. Um puxão pelo estômago e - floosh! - você voltou alguns momentos da sua vida. E sabe o que você acaba de descobrir? We're living in repetition. Pois é. Todo esse tempo se passou, tantas identidades surgiram e acabaram, e no fim é tudo a mesma coisa. Sempre a mesma piada. Sempre a mesma autoironia. Se uma hora você estava, digamos, se divertindo em um sítio na Serra da Mantiqueira, bebendo e jogando truco com as melhores pessoas do mundo, em um piscar de olhas você se tornou o que você é. E isso um dia vai acabar também. Mas, no fundo, a vida não passa de uma montanha russa. Você não pode falar e perde a voz. Compreensível.

Geek Stink Breath:

Se liga na bateria. Ela te leva exatamente aonde tudo começou: um constante botar o pé na jaca, ressaca atrás de ressaca, a pueril tentativa de sentir a vida ao máximo - e muito dinheiro gasto naqueles produtos que não pagam impostos. Sua missão: caminhar pela estrada da auto-destruição. De onde veio toda essa ânsia? Logo vamos saber...

Longview:

Do tédio, claro. Você se lembra do começo do fim - da sua motivação. Sua inspiração? Estava sendo fumada como se não houvesse amanhã. Call me pathetic, call me what you will. Não importa, não é mesmo? Tudo o que importa é ela: ela é a única capaz de te puxar desse marasmo sem fim, e te trazer de volta a vitalidade da juventude. Então, você deseja que ela morda seus lábios. Deseja que ela te leve ao paraíso.

Macy's Day Parade:

Aqui foi quando você começou a envelhecer. As coisas não deram certo com a garota, por mais que você tenha tentado. Give me something that I need; satisfaction guaranteed to you; what's the consolation prize?; economy sized dreams of hope. Nesse ponto, você percebeu que era hora de seguir em frente. Você percebeu o que realmente precisa, e, de alguma maneira que só você sabe, a lição teve suas dificuldades. Qual a diferença entre ladrões e vigaristas? Agora você sabe. E agora você sabe como as coisas são - ou pelo menos tem uma ideia. Uma nova esperança: tudo o que você queria.

Working Class Hero:

Não é da banda, mas ficou muito, muito bom na voz engraçada do vocalista! Assim como no começo, essa música te puxa pelo estômago e - floosh! - você está de volta ao agora. Um herói da classe trabalhadora. Um lutador. Até quando? Até a próxima identidade surgir. Até a próxima revolução de consciência. Até o próximo despertar. Enquanto isso, você tem a si mesmo. Tem a existência.


Vinícius Matioli Marconi

Percebendo que todos os caminhos são de delírio.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @obvious, @obvioushp //Vinícius Matioli Marconi