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Vivendo na contramão

Luiza Costa

Escrevo com a mão esquerda. Não faço nada direito. Vivo na contramão. Uma antípoda.

A geração de nerds humanistas

Eles veem mais que um par de olhos, pernas ou braços, enxergam humanos e suas construções. Respeitam e querem saber mais de tudo que os forma. Parece que não querem acumular nada, mas existe algo que eles conquistam aos montes. Você já conheceu um nerd humanista?


Seus pais os criaram da melhor maneira possível. Estudaram nas melhores escolas e sua formação humana propiciou toda aquela preocupação em fazer um mundo melhor. Nunca faltou amor nem toda gama de sentimentos que desse suporte e orientação em cada passo de suas vidas.

Conheci umas três ou quatro pessoas assim e elas são extremamente admiráveis. Amam sua família (não poderia ser de outra forma) e se relacionam facilmente com qualquer pessoa que encontram na rua, por isso suas centenas de amigos. Enxergam em todos eles mais que um par de olhos, pernas ou braços, veem humanos e suas construções. Respeitam e querem saber mais de tudo que os forma.

Por isso, na minha mania de linguajar tudo, nomeei estas meninas e meninos de nerds humanistas. Aprendem tudo muito fácil e muito bem, não enxergam apenas números e funcionalismos, são realmente preocupados com o mundo e as pessoas que nele habitam.

18340423186_2aca79869b_k.jpg Eles só querem amar o que fazem. Foto: Luiza Costa

Mas aqui vai a coisa engraçada sobre este tipo de pessoa: poderiam ser excelentes cirurgiões, notáveis juízas, tem competência para comandar qualquer empresa. Poderiam ser extremamente endinheirados, ter o poder em suas mãos mas, ao contrário do que é ditado, resolveram ser felizes.

São músicos, professoras, artistas - um ou outro até resolve viver das coisas que a natureza dá para gente e vai vender miçanga na praia! Alguns podem até ser médicas, juízes ou empresários, mas fazem isso pela felicidade ou por acreditarem que aquelas atividades podem, de alguma maneira, exercer o bem para o outro e não pelo dinheiro ou sucesso.

Primeiro seus pais ficam loucos. Como assim, ele resolveu virar dançarino?! Como ensinaram o amor, ficam felizes - depois de certa resistência - mas ficam feliz com a decisão dos filhos após perceberem que eles amam a difamada atividade. Não vai dar muito dinheiro, mas será o suficiente para sobreviver - um trocado para dar garantia, o poeta diria. Não vai dar dinheiro, dará coisa melhor: vai dar para viver feliz, e não é isso o que importa?

Porque o que eles querem é viver e não apenas existir, esperando um fim de semana, o próximo feriado prolongado ou o fim do expediente para realmente fazerem o que gostam, ou pior: só para não fazerem o que não gostam.

Os nerds humanistas não querem acumular muita coisa materialmente, apenas querem viver com amor. Mas cuidado: eles conseguem cativar até os mais duros corações. Corações eles acumulam aos montes.


Luiza Costa

Escrevo com a mão esquerda. Não faço nada direito. Vivo na contramão. Uma antípoda. .
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