Mariana Sá Lemos Teixeira

Uma sociedade de «Beep's»

A Sociedade de «Beep's» revela uma sociedade tecnologicamente dependente em que o Homem se tornou um ser solitário. Caminhamos para um profundo individualismo, em que as tecnologias substituem amizades, em que a interacção face-a-face é substituída por uma interacção virtual. Em que os aparelhos electrónicos se tornam parte integrante de nós.


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Vivemos actualmente naquilo que cientistas e investigadores determinam de uma sociedade mediatizada, em que as tecnologias e a Internet transformam profundamente maneiras de agir, pensar e sentir. Neste “mundo novo” nada é fixo, permanente, não há memória, tudo é digital e neste sentido desfaz-se em seguida. A velocidade é alta e há a construção de mundos para onde pessoas se podem transportar virtualmente, estar em contacto, pesquisar, aprender e partilhar.

Somos quotidianamente inundados com imagens, sons, textos, que apelam aos nossos sentidos, distraindo-nos assim daquilo que já consideramos ser o mais importante. Numa abordagem microssociológica, as consequências negativas deste fenómeno dizem respeito sobretudo às relações entre pares, devido ao forte aumento do rompimento de laços e vínculos sociais. Caminhamos num sentido ascendente para um maior individualismo, tornando-nos cada vez mais superficiais, consumistas e prosaicos.

Com o uso da Internet assistimos a uma forte substituição da interacção face-a-face pela interacção mediada, através das redes sociais, entre outros. Evoluímos num sentido tecnológico e aumentamos assim a expansão dos riscos, do perigo, da insegurança.

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Não obstante encontramos também fortes influências no processo de aprendizagem dos indivíduos. Estamos constantemente distraídos com os «beep» dos nossos «gadgets». Esperamos ansiosamente um comentário, um «like», ao fim ao cabo, a aceitação por parte dos outros e a integração total no mundo digital. Contudo é necessário ter em conta que o facto de a nossa atenção estar constantemente dividida pelos últimos modelos de tecnologia que possuímos faz com que deterioremos o processo mais importante na vida de cada individuo, o processo de aprendizagem, transformando-nos em seres dotados de uma inteligência efémera, onde o saber, a memória e a experiência deixam de ocupar lugar e se transvertem num processo passageiro à espera de um «delete».

Neste sentido algumas questões surgem: De que forma podemos moderar a utilização da Internet? Isto é, que mecanismos criar para equilibrarmos a balança de forma a utilizarmos as ferramentas que o novo mundo digital nos apresenta e a retermos aquilo que é essencial, que é importante?

Questiono-me ainda acerca das implicações do uso da Internet em relação à desatenção e distracção que causa nos indivíduos e nas relações que estabelecem uns com os outros.

Penso que todas estas inquietações passam por criarmos um processo de ensino-aprendizagem que dê enfoque às utilizações benéficas e moderadas da Internet.

Usar sim, partilhar sim, investigar sim, procurar sim, mas devemos também trabalhar numa melhor organização e gestão do nosso tempo, de maneira a obtermos mais ganhos e vantagens para as nossas sociedades.


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