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Sem medo de errar

Carlos Beloto

Cinéfilo sem cura, amante da indústria cultural e apaixonado pelo conhecimento

Ler jornal ficou difícil. Estudar, mais ainda!

Evidentemente, não se pode ser ingênuo ao imaginar que o Estado terá preocupação em incentivar que os meios de comunicação, no caso, o jornalismo em questão, sejam detentores de profissionais voltados para a disseminação de informação crítica, e que busque conceder uma educação que forme indivíduos pensantes, reflexivos. Com isso, não quero dizer que não há um jornalismo sério e que não exista educadores desejosos em formar cidadãos de verdade. O problema é que, uma vez no poder, uma pessoa ou grupo fará o possível para se manter no poder. Imprensa livre e educação de qualidade são armas contra quem está no poder. Lembrando que não se trata apenas do poder estatal. Também o poder econômico fará o mesmo pelas mesmas razões.


Há quase 7 anos o Supremo Tribunal Federal aprovou uma lei que acabava com a exigência de que, para exercer a profissão de jornalista, era necessário ser graduado em jornalismo. A partir de então, jornais e revistas de grande circulação passaram a contratar articulistas de várias áreas para escrever sobre os mais diversos assuntos, até mesmo sobre aquilo do qual eles não tinham nem ideia.

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É notório que alguns desses articulistas fizeram e fazem grande sucesso na grande mídia. São filósofos, atores, escritores, sociólogos, economistas, psicanalistas e, até mesmo, gente que nem uma graduação possui. Há quem é contra. Questiona que, se grande parte das profissões exige uma formação na área de atuação, deveria a função de jornalista ser exercida por quem se graduou em jornalismo.

De maneira semelhante, parece que há pessoas que pouco se importam com uma outra profissão que possui muita gente atuando sem ser da área: a educação. Para que alguém possa ser professor no ensino básico é necessário que seja graduado em algum curso de licenciatura, como exemplo: geografia, história, matemática, letras etc. Entretanto, vê-se por aí, não só em escolas públicas, mas na rede privada também, um monte de bacharéis e graduandos (isso mesmo! gente que ainda nem terminou uma faculdade) exercer a docência, sem o mínimo critério ou didática para lecionar. Muito embora a LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, defina que uma pessoa deva ter um curso superior em pedagogia e/ou licenciatura para lecionar, ainda existe uma defasagem enorme de profissionais que não são habilitados para ministrar as disciplinas exigidas pelo o sistema de educação brasileiro.

Jornalismo e Educação, duas áreas que merecem ter um olhar mais cuidadoso e uma preocupação em ter profissionais que possam atender as necessidades de uma sociedade. A primeira, como acima foi dito, possui uma gama muito grande de indivíduos que se tornaram populares dentre leitores, ouvintes e telespectadores. Há alguns que, mesmo não tendo cursado jornalismo conseguem realizar um bom trabalho, responsável e que têm levado não só informação, mas, também formação crítica. Entretanto, existe, por aí, aqueles que nos faz temer a má qualidade do que informam, ou, em outras palavras, os que perpetuam opiniões de senso comum e descaradamente não sendo imparciais. Alguém pode dizer que não existe imparcialidade nos meios de comunicação. O que não dá pra negar. Entretanto, ao menos se espera que numa linha editorial de um veículo de comunicação, seja oferecida uma oportunidade de ter profissionais que não compactuam com as mesmas ideias e que assumam uma postura ética.

Quanto a educação, essa, já agonizando, mostra-se cada dia mais distante de uma possível melhora. Os mais diversos governos, dos diversos partidos, da esquerda e da direita, pouco fazem ou fizeram para que nossa sociedade, em especial os menos afortunados, tenham acesso a um ensino de qualidade. Um ensino que garanta à maioria das pessoas uma boa qualificação que os possibilite sobreviver num mercado cada vez mais competitivo. Diante desse quadro, é demais pedir que tenhamos um ensino que ajude as pessoas a refletirem sobre questões sociais, sobre a vida. Parece que, a cada ano que passa, caminhamos para a perpetuação de um modelo de educação que na realidade pretende adestrar pessoas, em vez de torná-las o mais autônomas intelectualmente.

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Evidentemente, não se pode ser ingênuo ao imaginar que o Estado terá preocupação em incentivar que os meios de comunicação, no caso, o jornalismo em questão, sejam detentores de profissionais voltados para a disseminação de informação crítica, e que busque conceder uma educação que forme indivíduos pensantes, reflexivos. Com isso, não quero dizer que não há um jornalismo sério e que não exista educadores desejosos em formar cidadãos de verdade. O problema é que, uma vez no poder, uma pessoa ou grupo fará o possível para se manter no poder. Imprensa livre e educação de qualidade são armas contra quem está no poder. Lembrando que não se trata apenas do poder estatal. Também o poder econômico fará o mesmo pelas mesmas razões.

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Cabe à sociedade civil e aos movimentos sociais, de forma independente, garantir que a formação e informação possam ser garantidas a qualquer pessoa que o desejar. Não adianta pensar que Estado e/ou grupos empresariais darão os instrumentos para que o indivíduo se liberte de sua alienação.

REFERÊNCIAS

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=109717

http://www.cartacapital.com.br/politica/diploma-de-jornalista-e-idiotice

https://professortemporario.wordpress.com/2010/07/07/a-obrigatoriedade-da-formacao-superior-para-o-magisterio/

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,67-5-dos-docentes-do-fundamental-nao-tem-habilitacao-na-area-em-que-dao-aula,1157521


Carlos Beloto

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