carpinteiros do universo

Fatias das delícias e insanidades do nosso cotidiano.

Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas.

como ser solteira

Um recorte a respeito do filme Como Ser Solteira a fim que possamos refletir a respeito do tempo que desperdiçamos ou não com a nossa própria solidão.


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Fui surpreendida indo ao cinema sem levar comigo nenhum expectativa em relação ao filme Como ser Solteira que estreou semana passada. Contatando com Dakota Johnson a queridinha do Cinquenta Tons de Cinza, a hilariante Rebel Wilson e uma das minhas preferidas do cenário da comédia Leslie Mann, vou me referir apenas as meninas. Com pitadas de idas e vindas, momentos cômicos e situações muito parecidas com as delicias e as insanidades do nosso cotidiano, esse é um filme que me fez pensar uma porção de coisas. Com isso não vou me deter em fazer uma resenha do filme e sim falar a respeito das minhas próprias percepções.

Como ser solteira me fez voltar a vários momentos da minha vida, como passar por diversos relacionamentos longos sem cultivar momentos para si. Sempre fui de namorar, não sou muito adepta em ficar por ficar e sou um zero a esquerda em matéria de paquera. Isso serve tanto para quem eu quiser paquerar, tanto no quesito ser paquerada. Péssima para receber elogios, posso ter uma verdadeira crise de riso ou ficar tão vermelha a ponto de parecer um enorme pimentão. Sempre tive relacionamentos longos, assim nunca tive tempo para ficar apenas com a minha própria companhia. Apesar de adorar a minha individualidade, lutar por privacidade, tenho problemas com a solidão. Gosto de ter companhia para ficar vendo uma maratona de seriados, companhia para ir ao cinema e fazer aquelas coisas bobas de casal como andar de mãos dadas. Ok, isso pode soar eu sendo a ultima romântica, admito que mando cartas, escrevo poemas e gosto de fazer surpresas. Afinal a vantagem de namorar com uma escritora é que ela poderá te deixar eterno caso se inspire em você ou na sua história. Sim sou o tipo que cozinha para o amado e talvez o pior tipo de todas eu corro atrás. E admitir que me importo, peço desculpas mesmo quando a culpa não é minha, me fez refletir assistindo ao filme o quanto precisamos estar solteiras mesmo estando acompanhadas. Gostaria de poder desfrutar mais dos meus momentos de solidão sem carregar a minha culpa de estimação. Há um momento do filme em que a protagonista está vivendo um longo relacionamento e vê se tomada por infinitas dúvidas. Normalmente quem está há muito tempo ao lado de alguém é pego por alguns pontos de interrogação que pairam na mente de vez em quando. No meu caso, sou muito inquieta, do tipo que faz mil coisas ao mesmo tempo e a minha mente está sempre funcionando, com isso, penso demais, muitas vezes acabo por agir pouco. Mas quando se está há um bom tempo ao lado de alguém principalmente se vocês dois tem planos de ir mais adiante por mais que ambos almejem isso de coração, é normal abarrotar a cuca por pensamento como: será que ele é a pessoa certa, será que isso tem futuro, será que estamos indo p bem nessa direção? Permitir se questionar e deixar transitar livremente as suas dúvidas pode até fornecer pano para a manga a fim de os dois conversem a respeito da relação. Talvez você perceba que não é só você que está lotado de pontos de interrogação. No filme, a protagonista perde um tempo ao namorado tempo a fim de que sozinhos possam descobrir se de fato ficarão juntos. Isso me lembrou de um longo relacionamento que tive. Quando acabou, achei que o mundo nunca mais iria girar da mesma forma, tudo foi tomando por tons de cinza e sim pode parecer drama, mas superar uma pessoa que você achou que iria ficar a vida inteira do seu lado é uma tarefa bem complicada. Sou o tipo que me apego ao sorriso, ao cheiro deixado no travesseiro, ao aroma do shampoo, as piadas internas e até manias. Sou do tipo que apega e constrói quase uma fortaleza para um alguém que podia estar apenas de passagem. Ao notar minha enorme tristeza, uma amiga me disse um dos conselhos mais sábios que já recebi, se permita como em um processo de luto, deixar cicatrizar por um ano.

Ok, 365 dias pode parecer muito, mas foi o melhor ano da minha vida. Eu me permiti estar solteira a fim de contemplar a experiência da qual desde os meus 16 anos não sabia como era. Assistir os filmes que tinha vontade, comer as comidas que aprecio aprender a cozinhar, adquirir novos hobbys, fazer os cursos e até mesmo voltar a desenvolver o meu talento de escrever. A paixão em minha vida perdurou por tanto tempo que anulei os meus gostos, os meus passatempos e até mesmo deixei de lado o que era importante. Estar totalmente desacompanhada te faz ter experiências que são necessárias para que quando a pessoa certa surgir na sua vida, você esteja livre de arrependimentos. Nesse tempo me apaixonei com menos intensidade emocional, mas tive meus rolos, conheci pessoas incríveis, mas adotei uma estratégia que iria apenas passar o tempo e não querer acelerar a história já para o final feliz e colocando status nas redes sociais e no meu coração. Fui a festas, coisa que não curto muito, me permiti viver.

Depois disso, quando a pessoa certa surgiu mesmo que tenha sido fruto de um amor meio requentado estilo pão dormido, sabia que pronta não estava, mas que as experiências que tinha tido iriam me dar combustível suficiente para me ajudar a não cometer os mesmos erros. Apaixonei-me aos poucos, mas, de forma lenta e profunda. Deixei-me viver os primeiros encontros sem questionar a respeito do futuro. Deixei-me dormir ao lado de alguém sem pensar se isso iria durar a vida inteira. Sem muitas expectativas, com mais cautela e mais maturidade. Afinal foram os desamores, as fossas e as inúmeras paixões não correspondidas que me levaram a conhecer o homem da minha vida, por fim, poder construir um território. É preciso dar valor as partes feias do caminho para que possamos nos deslumbrar com a beleza de um amor verdadeiro. Fui me apaixonado aos poucos, posso dizer que no começo não sabíamos se o amor iria se por, mas sem nenhuma pressa e sim com uma enorme curiosidade, respeito, amizade por poderem apreciar a companhia um do outro.

Aprender a estar solteira é poder aprender que homens e mulheres devem ser inteiros ao entrar em uma relação. O meu maior erro era querer ser completada, era querer de forma urgente ser a metade da laranja de alguém, quando me dei conta naquele ano quase sabático que era inteira demais, mais forte do que imagina capaz de superar amores que achei que fossem insuperáveis, pude dar vazão aos meus sentimentos e assim poder transferir o meu melhor lado para uma nova relação. Vou deixar na curiosidade, se a minha historia deu certo, mas espero que você leitor, tenha mais cautela ao escolher um par já que a sua melhor companhia deve sempre ser você mesmo. Primeiro aprenda a estar solteiro (a), se divertir consigo mesmo, aprender a usar o tempo livre para cuidar de si. Só assim é possível aprender amar o outro já que não estarmos complementando e sim somando.


Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas..
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