carpinteiros do universo

Fatias das delícias e insanidades do nosso cotidiano.

Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas.

Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo da minha vida

O que estou fazendo com a minha vida? Venha descobrir o que Clara ( Clarice Falcão) em seu filme " Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo da minha vida" vai fazer para tentar descobrir o seu verdadeiro potencial e tentar descobrir o que quer ser quando crescer.


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Sou admiradora da cantora e também atriz Clarice Falcão.a Ela é talentosa por inúmeros motivos. Suas canções expressam personalidade, com muita autenticidade e letras muito reais. Seja pelas versões de músicas consagradas para expressar o poder das mulheres e seus direitos como “ I Will Survivor” e pelo seu longa metragem “ Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo da minha vida” de 2012.

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A protagonista Clara ( Clarice Falcão) como qualquer jovem adulto de vinte e poucos anos, passa por uma fase de não ter a mínima ideia do que está fazendo em relação a sua existência. Ela cursa medicina, muito mais pelas pressões externas do que por um desejo genuíno com isso fica “matando” aula no campus da universidade que fica dentro de um shopping center. Diante de um momento de ociosidade, esbarra com Guilherme ( Rodrigo Pandolfo), ela confidencia os seus dilemas e juntos decidem tentar encontrar uma profissão que Clara possa exercer, algo que ela realmente tenha nascido para fazer.Cenas hilárias a cada nova profissão que Clara tenta se encaixar a fim de tentar descobrir o seu real talento.Há muito açúcar nas cenas, mas também muitas ironias que nos fazem repensar a respeito de nossas escolhas. Desta forma, além de tentar traçar um destino, também explanam todas as qualidades dela, as que podem a ajudar, as que ela pode desenvolver e com isso vão ampliando opções. Guilherme além de emprestar tempo, também faz Clara “sair da zona de conforto”, “ pensar fora da caixa” o que parece quase impossível quando o adolescente ao completar dezoito anos e muitos até menos, dezesseis tem que escolher o que vão ser quando crescer e de preferência algo que dê futuro, lucro e ainda faça feliz. Muita coisa para uma pessoa que há bem pouco tempo tinha apenas que se preocupar em passar de ano, agora tem que de descobrir como quase de forma mágica o que nasceu para ser. Será mesmo que nascemos predestinados a sermos uma coisa só? Será que não podemos ser várias coisas ao mesmo tempo? Será que além de escolher uma profissão não deveria estar incluído ser feliz fazendo isso?

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O roteiro é muito bem construído retratando várias cenas reais do cotidiano que se encaixam a cada um que assiste. Afinal todo mundo é ou já foi um jovem adulto, quase todo mundo deve ter passado por crises de identidade e quantos de nós ainda de fato não se descobriu. Afinal a pergunta o que queremos ser quando crescer, gera diversos questionamentos ao longo de toda a nossa vida, consome os nossos dias e por vezes desistimos de tentar fazer algo que nos deixe feliz, nos contentamos com o dinheiro no final do mês por mais tedioso que seja a atividade que exerçamos. A busca por nossa identidade e as dúvidas que nos assolam foram bem escritas e bem pensadas para passar para o espectador a angústia da personagem sem perder a ironia, o bom humor e as sacadas inteligentes. O filme fica um pouco arrastado quando chega em sua metade, mas nem por isso perde a sua genialidade, a sua graça e nem perde o seu posto como um dos meus filmes preferidos do cinema nacional. Acredito mesmo que estas lacunas e esta sensação d vazio deixada em algumas cenas, faça parte do contexto de todos nós. Afinal mesmo quando descobrimos os nossos talentos e os redescobrimos, passamos por momentos de ócio , ainda vamos nos questionar, nos inquietar e as vezes não ter a menor ideia se estamos no caminho certo, na direção correta, se é um tiro no escuro um salto rumo ao abismo ou é apenas um passo para o sucesso, isso fa parte.

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O que achei afinal do filme? Adorei o açúcar, as ironias, as verdades postas à tona e todo este contexto que nos toma quando não temos mesmo a menor ideia do que estamos fazendo de nossas vidas.

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Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas..
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