carpinteiros do universo

Fatias das delícias e insanidades do nosso cotidiano.

Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas.

Os legados musicais que carregamos

Somos os lugares que passamos. Somos as escolhas que fazemos. Somos os amores que amamos. Somos os sonhos que sonhamos. Mas somos também os legados musicais que carregamos. Em cada um de nós existe uma trilha sonora original recheada de canções que fazem sentido para cada momento experienciado.


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Parece que foi ontem, no auge dos meus dez anos, poderia enfim ganhar um aparelho de apenas meu, com lugar para tocar CD e tinha até espaço para fitas cassetes caso gostasse de uma canção no rádio, podia gravá-la para escutar depois quantas vezes quisesse.

Por mais que os meus pais não sejam músicos, minha mãe tem a voz tão afinada quanto da notável Marisa Monte, passei boa parte da minha existência tentando convencê-la a mostrar o seu talento. Mas ela prefere as sombras do que os holofotes, cantarolar canções da M.P.B enquanto lava a louça, parece ser o suficiente para sua existência. Já meu pai apesar de ter nascido tão desafinado e sem ritmo quanto eu, se salva pelo seu exímio legado musical, uma coleção invejável de vinis e CDS dos quais escuto desde muito pequena. Costumo dizer que o meu gosto musical foi se formando desde a barriga da minha mãe. Acredito que a minha adoração por Cazuza, Raul Seixas começou de forma prematura. O episódio de poder ter o meu primeiro som, me lembro como se fosse ontem. Meus pais tinham em mãos o que eles achavam que ia ser o começo de uma apreciação musical. Agora teria a minha a minha personalidade musical. Aos dez anos me sentia madura o suficiente para iniciar a minha própria degustação musical. O escolhido era do uma coletânea dos maiores sucessos de uma das bandas que iria me influenciar durante toda a minha vida e com certeza sem a inspiração do seu vocalista, um ano depois não teria começado de fato a me experienciar no mundo da escrita.

Meus pais não tinha noção do quanto aquele álbum iria mudar a minha percepção do mundo, alterar a minha realidade, depois daquele sábado na livraria tinha em mãos uma munição poderosa. Mais do Mesmo, um compensado dos maiores sucessos de uma das mais extraordinárias bandas, para mim, a melhor do rock brasileiro, Legião Urbana. Alguns tempo depois iria completar a minha coleção, todos os álbuns enfileirados na minha prateleira ao alcance das minhas mãos. Eles entendiam os meus dias deprimidos, a forma como me afeto com o que acontece meu redor, os amores platônicos e todas as coisas que por algum motivo não deram certo, mas podem se transformam em grandes inspirações. Foi assim por essa iniciação fantástica que meus pais me proporcionaram, comecei a ensaiar meus primeiros versos, primeiramente tímidos, mas repletos de sensibilidade. Escrevia para me encontrar, para me conhecer e principalmente para emagrecer a minha alma de qualquer ressentimento.

Os legados musicais que as pessoas nos deixam são os maiores tesouros, já que por mais que as pessoas possam partir, suas canções permanecem ao alcance do coração. Algum tempo depois queria conquistar um garoto que achava inteligente, descobri que ele era fã de Raul Seixas. Ele gravou a coleção completa para mim, as escutei com afinco, me tornei uma grande fã. O amor platônico não vingou para o mundo real, mas para sempre o legado de Raul permanece. Ainda adolescente me tornei uma fã inveterada de outro grande poeta que trouxe melodia, ritmo e drama aos meus escritos. Veio a época da Cássia Eller, com ela me tornei mais poderosa, dona de mim, fui tomada por uma força extraordinária. Nunca me esqueci do legado musical que as bandas aqui do sul , rock gaúcho como Bidê ou Balde, Vera Loca, Tequila Baby e TNT entre outros. Desde muito antes de nascer, o rock me escolheu, de alguma forma este sempre foi o rimo musical que faz a minha alma dançar. Ouso dizer que muito antes de nascer.

Infelizmente guardo uma grande mágoa, de ter nascido e crescido sem poder apreciar meus ídolos de perto. Nunca pude ir em alguns shows das quais daria tudo para ter ido. Acredito que essa saudade de tudo que não vivi, misturada com o meu humor nostálgico tem haver justamente com isso, a minha impossibilidade de conhecer as minhas inspirações de perto. E obrigada mãe por ter aguentado a minha frustração e incapacidade quando criança de entender que não se podia ressuscitar as pessoas e nem trazer elas para cantar num pocket show. Sim eu achava que os artistas que já tinham partido, se a gente pedisse com muita fé, eles podiam sair do CD e retornar nem que por alguns instantes a fim de cantar nossas canções prediletas.

Por isso, resolvi escrever um epitáfio dos minhas inspirações ainda vivas, mas começarei pelo meu epitáfio, dos artistas, poetas extraordinários que não tive o prazer de conhecer, mas inspiram a minha escrita, o meu jeito de me relacionar e afetam por completo a minha existência. Se os pais soubessem a influência que a música e arte poder ter na vida dos filhos, talvez investissem mais nisso e menos em televisão.

Epitáfio

  • Janis Joplin
  • Fred Mercury
  • Bob Marley
  • Renato Russo
  • Cazuza
  • Kurt Cobain
  • Raul Seixas
  • Cássia Eller
  • Chorão
  • Amy Winehouse
  • Elis Regina
  • Tim Maia


Bruna Girardi Dalmas

Não existe uma pílula para cada problema de nossas existências. Mas, ficar estacionado em nossas zonas de conforto não é a melhor saída. Vai ficar aí estacionado ou vai desenvolver algo criativo? Aqui você encontrará pílulas de inteligência embaladas em recortes dos mais variados temas para sacudir o cotidiano e preenche-lo de cores bonitas..
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