Luísa Aranha

Luísa Aranha é gaúcha, nascida em Porto Alegre. Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Pampa e autora do blog Causos & Prosas.

A história dos arrependimentos

Você já se arrependeu de alguma coisa na vida? Quem diz que só podemos nos arrepender do que não fazemos não é verdade. Porque não fazer alguma coisa significa que você fez uma escolha. E essa escolha pode pesar. Principalmente se não tiver mais volta.


arco-iris.jpgSabe aquele velho discurso que só podemos nos arrepender daquilo que fizemos. Que jamais podemos nos arrepender do que não fizemos por falta de coragem, por orgulho ou por medo. Tudo balela. Tudo mentira para encorajar.

A gente se arrepende sim. Das coisas que fazemos e das que não fazemos também. A gente se arrepende de compras, de decisões, de escolhas e também de ações. A gente se arrepende de coisas que não fez. Aquela viagem, aquela carta que nunca foi mandada, aquele beijo que nunca foi roubado, aquele pedido de demissão para arriscar, aquela declaração de amor...

Eu costumava dizer que não tinha arrependimentos. Que cada coisa que eu fiz na minha vida, certa ou errada, tinha me ensinado uma lição. Me mostrado um caminho novo e me feito crescer e amadurecer. Mas a gente muda o tempo todo nesse mundo. Cada dia é uma nova chance. Um novo recomeço ou apenas a mesmice de sempre só depende de nós mesmos.

Hoje eu tenho um arrependimento muito grande. De não ter falado o que eu deveria. De ter deixado um orgulho bobo, infantil e hipócrita me dominar. De não ter dado o braço a torcer quando deveria e de ter ido adiante sem perceber o quanto eu machucava os outros.

É. Eu deixei de falar o que deveria no momento certo. Inacreditável. Sem sentido e para todos que me conhecem sabem que isso parece impossível. Mas foi verdade. Deixei de falar para não dar o braço a torcer. Silenciei para provar para alguém que eu tinha razão. Razão em que? Esse sentimento besta de orgulho e prepotência me fez errar e hoje estou arrependida.

O tempo não volta mais. As palavras que eu não disse, nunca mais poderei dizer. O que eu devia ter feito e não fiz não será mais feito. E por mais que tudo isso faça algum sentido, nunca mais fará sentido porque você não está mais aqui. Você e só você sabe de tudo. E só você saberá, não importa de onde, o quanto sempre fostes especial demais para mim. E todas as coisas que neguei, não disse e não fiz quando deveria.

Então se arrependimentos matassem estaria contigo agora. Mas como eles não matam e sim fortalecem me sinto melhor do que ontem e com certeza, a cada dia, será melhor. E se vou ficar bem é por tua causa. E se só derrubei uma lágrima, uma única lágrima, forte, sincera e cheia de dor foi porque me ensinastes assim.

Não vou viver com esse arrependimento. Vou me erguer, como em tantas outras vezes me ergui com a tua ajuda. Levantar a cabeça, seguir em frente e acreditar que um dia a gente vai se encontrar de novo. Aprendi mais uma lição importante e embora muitos não acreditem sei que sempre estarás comigo e que um pedaço meu foi contigo.

Vou celebrar a vida e esse dom maravilhoso como sempre celebrastes. Vou amar enlouquecidamente tudo e todos seguindo o teu exemplo e a cada tristeza vou rir das pedras e tempestades desafiando - as como sempre fizestes. Tua passagem nunca será em branco. E mesmo depois que todos esquecerem ainda me lembrarei e levarei comigo a marca dessa linda história de amor, amizade, confiança e vida. E para sempre e todo o sempre serás o que sempre fostes em minha vida. E só nós dois sabemos disso, né?!


Luísa Aranha

Luísa Aranha é gaúcha, nascida em Porto Alegre. Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Pampa e autora do blog Causos & Prosas. .
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