Luísa Aranha

Luísa Aranha é gaúcha, nascida em Porto Alegre. Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Pampa e autora do blog Causos & Prosas.

Procura-se reconhecimento para a literatura nacional

Na lista dos mais vendidos vemos sempre figurando 9 ou 8 autores estrangeiros para 1 ou 2 nacionais. Por que? Temos qualidade sobrando por aqui mas o mercado editorial prefere investir em autores internacionais ou em livros que viram filmes nas telas de cinema? E se eu disser que temos aqui autores que deixam os queridinhos escritores hollywoodianos no chinelo? Carina Rissi ta ai pra provar isso.


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Eu não sou muita fã de adaptações de livros para o cinema. Acho que seria incrivelmente legal se tivéssemos tantos autores a ponto de ter gente que escreve só pra cinema e outro só pra literatura. Mas não sou ingênua também de não me dar conta que comercialmente é excelente pros dois mercados. Livros que viram filmes atraem uma boa bilheteria em função dos leitores e os livros vendem mais. Afinal se o autor é tão bom a ponto de parar em Hollywood porque não lê-los? Minha lógica é bem simplória sobre esse universo e sei que é bem mais complexo mas só estou utilizando como analogia pra chegar ao ponto que quero. Ou melhor, no livro e no autor que quero.

Eu não leio, eu devoro livros. Quando não estou escrevendo, trabalhando ou dando jeito nas tarefas (mal feitas por sinal) da casa, eu leio, assisto filmes e séries. São o tipo de combustível pra alma e pra imaginação que eu necessito. Sempre procuro ler autores nacionais, mas muitas vezes é uma missão quase impossível. Temos uma grande variedade de autores desfilando entre os best sellers e mais vendidos das livrarias e pouquíssimos nacionais. Ache que eu to de brincadeira? Dá uma busca no Google e confere: há mais de dez anos, entre os dez mais vendidos do ano, temos um ou dois brasileiros apenas.

Foi nessa minha busca por autores nacionais que conhecia a Carina Rissi. E me dediquei a ler o seu romance "Procura-se um marido". Eu devorei, literalmente, o livro em dois dias. E quando terminei eu queria desesperadamente mais. Sai buscando pra ver o que mais essa autora escreveu, quem era ela, o que fazia (além de ser uma brilhante escritora). Eu queria filme, série de TV e tudo mais. Queria conhecer Alicia e, principalmente o Max (ele é tudo que uma sonha em um homem). Imaginei quais os autores nacionais poderiam interpretar os papéis e fui mais longe porque essa adaptação merece ser feita em Hollywood.

E aí eu me dei conta do quanto o potencial dos nossos autores é desvalorizado. Não só porque sou escritora e sei de todas as dificuldades do mercado editorial brasileiro mas também porque não temos incentivo, não temos, espaço e por mais que tenhamos muita qualidade (na minha opinião Carina Rissi coloca JoJo Moyes no chinelo) não temos agentes, não temos editoras atentas, não temos produtores de cinema ou televisão prestando atenção no que acontece em nossa literatura. Sabe quantos meses uma editora leva pra pegar um original e dar uma resposta para um escritor? No mínimo 03. Sabe quantas vezes a gente não ouve nenhuma resposta? Sabe quantos originais vão parar no limbo sem nunca serem ao menos analisados? Pois é.

Eu vejo uma ponta de esperança quando penso que temos alguns autores nacionais se destacando na última bienal. Não só autores que vem de blogues ou do YouTube. Mas autores como a Carina ou como a Ana Beatriz Brandão (que já está aqui na minha lista de aquisições em breve), que escrevem romances. Mas ainda falta muito pra gente chegar no ponto de voltarmos a ter mais autores nacionais que autores estrangeiros figurando nas listas dos mais vendidos. Mas espero ver esse dia chegar em breve porque o que não falta no brasileiro é capacidade e imaginação. O problema é que sobra achar que o que vem de fora é melhor...


Luísa Aranha

Luísa Aranha é gaúcha, nascida em Porto Alegre. Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Pampa e autora do blog Causos & Prosas. .
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